Voto de pesar pela existência de Jaime Ramos

A notícia já aqui foi publicada, mas não posso deixar passar o meu repúdio pela atitude dos deputados do PSD Madeira, em particular do seu líder Jaime Ramos.

Um idiota é um idiota e um idiota deputado é um deputado idiota.

Um grupo de idiotas deputados é um grupo de deputados idiota.

Eu manifesto o meu pesar pela existência do sr. Jaime Ramos e, ainda, o meu enormíssimo pesar por ser o sr. Ramos deputado eleito e chefe de um grupo parlamentar capaz de juntar tantos carneirinhos num só hemiciclo.

Uma grande homenagem a Miguel Portas

O grupo parlamentar do CDS/M apresentou um voto pesar pela morte de Miguel Portas. A maioria dos deputados do PSD Madeira abandonaram o hemiciclo, incluindo o lider parlamentar Jaime Ramos.

Estou certo de que ele teria gostado desta notícia.

Se Jaime Ramos não fosse um animal, que pessoa seria?

Deputados abandonam voto de pesar por Miguel Portas

O buraco da Madeira aumentou

Um deputado do PSD pode votar por 25 na Madeira

Alberto João Jardim e os esbirros adjacentes escavaram mais um bocado do buraco onde, há muito, enterraram a Democracia na Madeira: agora, um deputado pode corresponder a todos os votos de uma bancada, o que, se não for inconstitucional, andará lá perto. Poderíamos perder tempo a usar adjectivos como “vergonhoso” ou “imoral”, mas, para Jardim, Tranquada e Jaime Ramos, são palavras estrangeiras.

Esta decisão vai permitir que os deputados da maioria se possam dedicar, calmamente, aos negócios que fazem à sombra dos dinheiros regionais. Num futuro próximo, nem será permitida a entrada de deputados da oposição e faltará pouco para que se acabe com as eleições, essa maçada.

Já se adivinham os comentários nulos de sua vacuidade, Cavaco Silva. Passos Coelho, se algum jornalista – filho da puta, em dialecto jardinês – for suficientemente insistente, deixará escapar um murmúrio qualquer sobre a necessidade de respeitar a autonomia das Regiões.

O regresso de Jaime Ramos

 Atarantados com as questões bíblicas, esquecemo-nos, ou deixamo-nos distrair, do novo livro de Francisco José Viegas, “O Mar em Casablanca”. E, isso sim, é imperdoável. Com a devida vénia, permitam-me que transcreva aqui parte do parágrafo inicial. Um retrato impressionista de uma paisagem outonal, a do Passeio Alegre tomado pela mais portuense melancolia:

 

“(…) Noites destas eram vulgares quando vinham as primeiras neblinas de Novembro – e as manchas de nevoeiro passavam pelos feixes de luz  amarelada dos candeeiros da ponte. Nuvens baixas, podia ser. Nuvens que tinham descido até à cidade e a deixavam molhada. Primeiro, pegajosa, manchada de poeira. Depois, com o tempo, apenas molhada, escorregadia, obrigando o trânsito a circular com lentidão, as portas dos cafés a fecharem-se. Não havia ainda o frio do Inverno, rigoroso, silencioso – ao longe, o rumor nas ruas, despedindo-se do dia. Folhas de árvores arrastadas pelo vento, juntamente com lixo e jornais abandonados nos parques.”

 

É o regresso do detective Jaime Ramos, inspector da PJ do Porto. Haverá quem desdenhe a comparação, mas, se Mafalda teve direito a estátua em Buenos Aires, fosse eu autarca no Porto e erguia uma estátua a Jaime Ramos. Com cigarrilha entre os dedos e o rosto do Ben Gazzara.