Era de extraditar o filho da puta

para o Zimbábue. Aproveitem e levam esta também. Num contentor pequenino.

O assalto ao subsídio de férias já começou

A história da democracia portuguesa é feita, entre várias hecatombes, da destruição do tecido produtivo em nome da obsessão de se ser considerado bom aluno, de desperdício de dinheiros europeus e da apropriação do Estado por dois ou três partidos para benefício dos filiados e amigos.

Os anos de Sócrates conseguiram aprofundar todos esses males, graças à total ausência de vergonha de um conjunto de figuras sinistras que empobreceu o país em todos os aspectos, nomeadamente através da multiplicação de Parcerias Público-Privadas, numa perspectiva de protecção contínua aos privados, esses amigos que estão sempre do lado certo do cartão partidário. Este é o país em que a culpa não morre solteira, é certo: entrega-se à prostituição.

O bando socrático explorou e aprofundou a má fama e a má imprensa dos funcionários públicos. Para pagar os calotes que criou em consequência de ter metido a mão na caixa registadora, culpou, exactamente, os funcionários públicos, ou seja, aqueles que eram obrigados a pôr dinheiro na caixa.

Inventaram, então, a generalização da improdutividade e publicaram, com a ajuda de meretrizes com cartão de jornalista, a ideia do parasitismo e dos salários excessivos. Depois, foi congelar as progressões na carreira, cortar nos salários, aumentar os impostos, para não falar no resto do assalto fiscal, ainda que disfarçado de taxas moderadoras, por exemplo.

Entre Passos Coelho e Sócrates existe uma única e verdadeira diferença: o primeiro não está em Paris. De resto, o actual primeiro-ministro respira de alívio porque o anterior abriu à catanada o caminho para a liquidação do Estado.

Por estes dias, os funcionários públicos experimentarão, pela primeira vez em vários anos, o retrocesso de não receber o erradamente chamado subsídio de férias. Trata-se de mais um roubo que não esquecerei, como não me esquecerei de nunca mais votar em gente que já deu provas suficientes de um latrocínio essencial.

O buraco da Madeira aumentou

Um deputado do PSD pode votar por 25 na Madeira

Alberto João Jardim e os esbirros adjacentes escavaram mais um bocado do buraco onde, há muito, enterraram a Democracia na Madeira: agora, um deputado pode corresponder a todos os votos de uma bancada, o que, se não for inconstitucional, andará lá perto. Poderíamos perder tempo a usar adjectivos como “vergonhoso” ou “imoral”, mas, para Jardim, Tranquada e Jaime Ramos, são palavras estrangeiras.

Esta decisão vai permitir que os deputados da maioria se possam dedicar, calmamente, aos negócios que fazem à sombra dos dinheiros regionais. Num futuro próximo, nem será permitida a entrada de deputados da oposição e faltará pouco para que se acabe com as eleições, essa maçada.

Já se adivinham os comentários nulos de sua vacuidade, Cavaco Silva. Passos Coelho, se algum jornalista – filho da puta, em dialecto jardinês – for suficientemente insistente, deixará escapar um murmúrio qualquer sobre a necessidade de respeitar a autonomia das Regiões.

Era uma vez um país muito muito pobre

Há muito pouco tempo, num país muito muito perto, os governantes disseram que o país só ficaria rico se os seus habitantes ficassem cada vez mais pobres, tal como já tinha feito um outro governante do mesmo país que andava sempre de botas e que acabou por cair de uma cadeira.

Esses governantes já tinham sido governantes e eram amigos de outros que também já tinham sido governantes. Como eram muito comilões, passaram anos a comer o que era deles e, sobretudo, o que era dos outros. Também deram de comer aos amigos e aos amigos dos amigos. Um dia, descobriram que a comida tinha acabado e puseram a culpa nos habitantes.

Os governantes começaram, então, a tirar tudo aos habitantes do país, e disseram que os habitantes tinham sido uns privilegiados e que, agora, precisavam de aprender a viver com menos ou que até deviam pensar em ir para outros países ou que era uma sorte perderem apenas quase tudo o que tinham, porque é melhor do que perder tudo o que tinham.

Como os habitantes não estavam habituados a contrariar governantes, vieram grandes fomes e doenças. Os habitantes que se revoltaram não eram ouvidos ou eram calados. Muitos habitantes morreram, porque os médicos deixaram de tratar os que não tinham dinheiro para pagar os tratamentos. Outros habitantes passavam tanta fome que chegaram a beatificar o bolor de um pão encontrado no lixo. Outros fugiram para países distantes, onde aprenderam a ler de tal maneira que perceberam que não podiam voltar para o país deles.

Ao fim de alguns anos, deu-se o milagre: os habitantes que ainda estavam no país ficaram muito pobres e agradecidos. O país estava, agora, muito muito rico.

Tempo de minhocas e de filhos de meretriz

“O dia deu em chuvoso”, escreveu Álvaro de Campos. Num tempo soturno, melancólico, deprimente. “Tempo de solidão e de incerteza / Tempo de medo e tempo de traição / Tempo de injustiça e de vileza / Tempo de negação”, diria Sophia de Mello Breyner. Tempo de minhocas e de filhos da puta, digo eu. Entendendo-se a expressão como uma metáfora grosseira utilizada no sentido de maldizer alguém ou alguma coisa, acepção veiculada pelo Dicionário da Academia e assente na jurisprudência emanada dos meritíssimos juízes desembargadores do Supremo Tribunal da Justiça. Um reino de filhos da puta é assim uma excelente metáfora de um país chamado Portugal. Que remunera vitaliciamente uma “sinistra matilha” de ex-políticos, quando tudo ou quase tudo à nossa volta se desagrega a caminho de uma miséria colectiva irreversível.

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