O anti-Trump

Justin Trudeau; Kathleen Wynne

A norte do reino de Donald Trump, uma nação próspera é administrada por um governo multicultural. As cartas que a saudosa Fernanda nos escrevia ilustravam bem essa realidade. Nessa nação, liderada por um liberal pouco dado à selvajaria daqueles que usam a designação para justificar o totalitarismo dos mercados e a exploração contemporânea, existe espaço para todos, independentemente da sua cor ou religião, o que nos permite, em certa medida, perceber o avançado estado civilizacional em que se encontra o Canadá. [Read more…]

Carta do Canadá: Os exemplos vêm de cima

Quando solicitado por Barak Obama a participar na luta contra o Estado Islâmico,  Justin Trudeau, o jovem primeiro ministro do Canadá, foi de meridiana clareza: o Canadá participa recebendo e ajudando refugiados, não entra em bombardeamentos.

(Nem tem que entrar porque, não tendo contribuído para o desastre do Médio Oriente, não tendo pretensões imperialistas, não precisando de petróleo porque o tem de seu, tudo quanto tem a fazer é  ajudar quem foi desgraçado pela guerra).

Quando chegou a primeira leva de refugiados sírios a Toronto, nos meados de Dezembro, Justin Trudeau esteve a recebê-los no aerroporto, acompanhado da chefe do governo do Ontário, Kathleen Wynne.  Soltos, descontraídos, sem discursos enfadonhos, deram as boas vindas aquelas famílias. O primeiro ministro, em mangas de camisa e revelando bom treino na matéria, ajudou as crianças a vestirem os robustos agasalhos com que por cá se enfrenta um inverno duro.

(Ambos estiveram bem fazendo as honras da casa em nome de todos os canadianos, dando abrigo e passaporte a quem chegou. Ficam os refugiados a salvo e, ao mesmo tempo, sob a lei do país. Se algum desrespeitar essa lei, responde por isso. É simples. O Canadá é um país libérrimo e generoso mas não é o da Joana).

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Carta do Canadá: Canadá vira à esquerda

Justin TrudeauTem 43 anos, foi professor de matemática e monitor de desportos de Inverno. Em estudante, serviu às mesas como é de uso entre os jovens canadianos durante o verão. É o novo primeiro ministro do Canadá e chama-se Justin Trudeau. Vai, com a sua bonita mulher, criar os seus filhos na mesma casa em que ele mesmo  foi criado, na Sussex Ave, em Otava. Porque é filho de Pierre Trudeau, que foi primeiro ministro do Canadá de 1968 a 1984 e deixou uma marca inapagável no país. Homem de esquerda, pôs o Canadá independente com apoio de toda a população, mas manteve a chefia do estado nas mãos da Rainha Isabel II, o que é mais barato  e evita as confrontações de tantos em tantos anos. Fixou a construção do Canadá sobre a base do multiculturalismo. Nascido  francófono, Pierre Trudeau enfrentou com determinação patriota o movimento separatista do Quebeque. Era superiormente inteligente, culto, idealista e pragmático. Toda a nação se lhe rendeu. O seu funeral foi uma irrepetível emoção colectiva, a que se agregaram Fidel Castro e Jimmy Carter, bem como a hierarquia cristã do país. Impossível esquecer os que, nos campos e nas estações ferroviárias, esperaram horas para poder acenar a despedida ao comboio que levava a urna, de Otava até Montréal, para o seu túmulo.

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