Refugiados da Ucrânia que ninguém quer

Já se sabia disto há algumas semanas, mas assobiamos todos para o lado, na esperança que a coisa se resolvesse. E sim, esta situação era mais do que expectável. Por muito que o queiram negar, Portugal tem um problema de racismo e esta situação só o veio confirmar.

Segundo Laurinda Alves, vereadora da CM de Lisboa, estão cerca de 60 refugiados, vindos da Ucrânia, no abrigo temporário da autarquia, porque, afirma a vereadora, “ninguém os quer”.

E porquê?

Porque o tom de pele está no pantone errado.

Nenhum deles é branco.

São sobretudo estudantes de países africanos.
E, muito provavelmente, rezam a um Deus diferente.

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PSD, PS e CDS na rota da espionagem russa

Depois do escândalo em Setúbal, que ocupou o espaço mediático e os feeds das redes sociais durante todo o dia de ontem, pouco se falou sobre as exactas mesmas suspeitas em torno das autarquias de Albufeira, Aveiro e Gondomar. O facto de serem governadas por PSD, PSD/CDS e PS, respectivamente, não terá sido motivo de interesse, como se verificou no caso de Setúbal. E isto diz-nos muito sobre a agenda que norteia este debate, que parece ter mais a ver com a necessidade de manter o cerco ao PCP do que com o apuramento daquilo que realmente se passou ou com o perigo que tal representa para os refugiados ucranianos. Business as usual.

Igor Khashin, a ponta de um imenso icebergue de espionagem russa

Ainda não se sabe tudo, mas já se sabe o suficiente para fazer soar todos os alarmes. Aliás, já se sabia há um par de semanas, após uma entrevista de Inna Ohnivets à CNN, que passou algo despercebida: Igor Khashin, o homem do momento, ainda que pelas piores razões, controla a associação EDINSTVO, que está a participar no acolhimento de refugiados ucranianos em Portugal, apesar de ligação directa ao Kremlin, através da embaixada russa em Lisboa.

A serem verdadeiras, as alegações do Expresso – que, até ao momento, não foram desmentidas – Khashin e a esposa, Yulia Khashina, estão a receber famílias ucranianas que pretendem refugiar-se em Portugal, no gabinete da Linha Municipal de Apoio aos Refugiados, pertencente à CM de Setúbal. Acontece que Igor não é funcionário da autarquia, pelo que não se compreende a sua presença no local.

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José Crespo de Carvalho, os refugiados ucranianos e o futuro do mercado laboral português

José Crespo de Carvalho, professor no ISCTE e cronista no Observador, brindou-nos a todos com uma bela dissertação sobre as vantagens económicas de receber refugiados ucranianos. Há quem o tenha acusado de promover a exploração, da forma mais desumana possível, cavalgando o drama dos refugiados para promover a ideia de que os portugueses são mandriões que não querem trabalhar. Más línguas, seguramente. Más línguas de subsídio-dependentes que não querem trabalhar.

No artigo “Ucranianos em Portugal e o mercado de trabalho”, José Crespo de Carvalho deixa bem clara a sua posição no destaque do artigo, que podem ver em cima. Ideias chave:

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Refugiados, segundo André Ventura (feat. Vladimir Putin)

Apesar das dissidências, e dos processos de autodeterminação de vereadores eleitos pelo CH, André Ventura conseguiu montar uma convenção autárquica. Mais dois ou três meses era capaz de só lá estar ele, Maria Vieira e Nuno Afonso.

Parafraseando Bruno Aleixo: “a mim que me importa”, a convenção do CH?

Não importaria muito, de facto, não a tivesse Ventura usado para lançar o isco a palermas como eu, sempre preparados para lhe dar o palco que ele deixou de ter há semanas, por não terem – no meu caso – a capacidade de ficar calados perante manifestações de racismo e xenofobia que, em boa verdade, já não surpreendem ninguém. Pela conveniência do momento, os refugiados da Ucrânia são receber de braços abertos. Já outros refugiados, de outras guerras e latitudes, não passam sub-pessoas, munidas de um extravagante iPhone, que querem vir para Portugal “viver à conta dos nossos subsídios e dos nossos impostos” e “tornar as nossas mulheres objectos e obrigá-las a andarem de burqa na rua”.

Este discurso é abjecto. Lamento se contribuo para dar palco ao indivíduo, na insignificância do palco que lhe possa conceder, mas não é para mim possível ficar calado perante este nojo. Ventura encara os refugiados do Iémen, da Síria ou da Líbia com o mesmo desprezo e a mesma falta de humanidade com que Putin encara os ucranianos. E causa repulsa, a tentativa forçada, e sucessivamente falhada, de difundir a islamofobia, num país sem historial de problemas com a comunidade islâmica, apenas para seguir a cartilha dos seus parceiros europeus, que ainda ontem recebiam financiamento em rublos e envergavam t-shirts de Vladimir Putin.

A direita e a solidariedade ‘soft’ dos ‘likes’ no Facebook

Laurinda Alves. Fotografia: Filipa Couto

Nos últimos dias, temos assistido à escalada da intolerância, do ódio e do separatismo bacoco entre opiniões. No meu caso, tenho apanhado por essa internet fora uma panóplia de saudosistas e desiludidos, hoje capacitados de uma estoica postura de “contra tudo e contra todos“, como se as vítimas ucranianas servissem de arremesso à limpeza de imagem de quem, há tempos, tão embeiçado andava (uns escondidos, outros bem à mostra) com o regime neo-fascista e autocrático de Vladimir Putin.

Aqueles que, outrora feirantes dos vistos gold para oligarcas russos, apoiantes fervorosos dessa direita reaccionária e saudosista dos tempos do PREC, são hoje indefectíveis defensores do Estado de Direito e contra os autoritarismos. Devo lembrar que estes são os mesmos que apoiaram a venda de empresas estratégicas do sector público ao Estado chinês… esse Estado plural, democrático e defensor dos Direitos Humanos. São exactamente esses, os que anteriormente aplaudiam quando se jogava monopólio com Estados que não respeitam os valores democráticos, só pela cor do pilim, que hoje se deixam ver, do alto da sua moral e heroicidade, com bandeirinhas ucranianas em fotografias no Facebook, em publicações carregadas de dogmas fabricados na hora e de argumentos de “se não concordas comigo, és amigo do Putin”. Sim, há gente que outrora apertava a mão a gente “do Putin” e que hoje se apercebe do que andou a fazer. Coitadinhos.

Serve este longo preâmbulo para tornar pública uma mensagem de Laurinda Alves, vereadora dos Direitos Humanos e Sociais na Câmara Municipal de Lisboa, eleita pela coligação NOVOS TEMPOS, que deixa transparecer essa hipocrisia direitola de se dizer muito solidário num dia e depois lavar as “manchas” da solidariedade no outro. Na mensagem que enviou para os colegas da CML, a vereadora convoca uma sessão de esclarecimento sobre o apoio aos refugiados ucranianos que chegam a Portugal. Na mensagem, afirma a independente eleita pela coligação, que a sessão serve “(…) para assumir publicamente que a CML NÃO tem capacidade para se responsabilizar pelo acompanhamento destas famílias (…)” e “(…) deixando claro que a CML não se responsabiliza, não paga, não dá sequência a mais nada após o acolhimento de emergência (…)”.

Traduzindo, quer dizer a senhora vereadora, em nome da CML e da coligação que a governa, que tudo bem, venham os refugiados, mas uma vez cá chegados, que fiquem entregues à sua sorte. Ou as associações que se ralem. Ou o c*ralho!

Laurinda Alves quer “gerir expectativas”. As de quem?!

Como sempre. A direita é aquela pessoa que escreve no mural #prayforukraine, muda a fotografia do perfil para uma bandeirinha ucraniana e nos diz “estejamos do lado de quem é agredido”. Depois, quando já meio mundo está, e bem, do lado do agredido e esse meio mundo lhe pede que ajude frontalmente as vítimas da guerra, para lá de palavras com ‘likes’ no Facebook e “votos de condenação” nas assembleias, diz não ter “capacidade para se responsabilizar”.

Parecem o Pôncio Pilatos.

Mensagem enviada por Laurinda Alves aos colegas da CML.

O drama em Kharkiv numa imagem

Milhares de ucranianos, amontoados e desesperados, procuram embarcar num comboio que os tire do inferno em que se transformou a sua cidade e o seu país. Dali para fora, em direcção à Europa, uma das financiadoras indirectas da destruição em curso. Não é paradoxo. É só o capitalismo na versão predilecta dos hooligans neoliberais. Porque o mercado, quando nasce livre, não exclui ditadores. Recebe-os de braços abertos.

Números do êxodo ucraniano

Ontem estávamos assim. Hoje, seguramente, já terão saído muitos milhares mais. As perspectivas são pessimistas e deixam antever que a fuga em massa continue a aumentar e a colocar uma pressão adicional sobre os Estados limítrofes e sobre a Europa em geral. Este desafio junta-se a todos os outros e transforma-se, ele próprio, numa frente de batalha. Putin conta com ela. Nada foi deixado ao acaso.

É favor avisar o SEF…

O Governo de Portugal já anunciou que estamos disponíveis para receber ucranianos.

Para onde iriam vocês?

O desastre humanitário no Afeganistão é total.
6 milhões de refugiados.
9 milhões de afegãos a passar fome.
Mulheres brutalizadas.
Direitos humanos esmagados.
1 milhao de crianças desnutridas.

Se estes seres humanos não conseguem viver, comer ou sobreviver, para onde acham vocês que eles irão?

Para onde iriam vocês?

Refugiados, neofascistas e o triunfo de Vladimir Putin

Que insistimos em nada aprender com a história, já todos sabemos. Que países como a Polónia queiram construir muros para não deixar passar os refugiados que chegam à sua fronteira provenientes do Afeganistão, depois das atrocidades de que foram alvo antes e durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhões de polacos fugiam aos nazis e aos soviéticos e eram eles os refugiados a bater à porta das democracias europeias, é só a prova de que a ânsia de alargar a União Europeia até aos limites fronteiriços da Federação Russa, em cima do joelho e sem salvaguardas que garantissem o total respeito pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos, foi um erro tremendo. Tanto trabalho para encurralar Putin para agora termos um exército de pequenos Vladimires instalados na União Europeia, não só Leste mas também a Ocidente. Que digam Le Pen e Salvini, um dos heróis do fachito que temos por cá, a quem só falta andar com uma t-shirt de Putin.

Oh, wait…

O Nasir precisa de tirar a sua mãe e irmã do Afeganistão

E para isso precisa da nossa ajuda. Conheço o Nasir há uns anos. Chegou a Portugal sem nada. Não sabia falar a nossa língua, não conhecia a nossa cultura. Tive a sorte de o conhecer. Sim, conhecer um refugiado enriquece-nos em todos os aspectos. Conhecemos um pouco de uma cultura diferente, conhecemos novas pessoas, com novas histórias de vida e percebemos melhor quão afortunados somos por vivermos num país em paz, apesar de toda a podridão. Tentamos imaginar o que será deixar uma vida confortável, deixar família e amigos, deixar sonhos pendurados e partir sem nada, sem sequer saber onde se vai desaguar. O Nasir chegou a Portugal, mais concretamente ao Porto, depois da fuga do Afeganistão e de uma passagem pela Alemanha e, vá-se lá saber porquê, gostou disto. Terá encontrado aqui a sua paz. A paz que não encontrou nos países por onde passou. A paz tem muito que se lhe diga. Não é apenas um país sem guerra. Também importante é a paz interior, aquela que temos quando sabemos que encontrámos o “nosso” lugar. Pois o Nasir encontrou aqui o seu lugar. Fez amigos, conheceu pessoas, frequentou cursos para aprender a língua e começou a usá-la nas suas conversas. Já se desenrasca a falar e escrever português, terminou cá os seus estudos universitários e está integrado na nossa sociedade. Mas o Nasir tem ainda a sua mãe, bastante idosa e doente, totalmente dependente da filha, e a sua irmã no Afeganistão. Como podem ler na petição que hoje o Nasir me pediu para assinar, [Read more…]

Falemos de Ceuta…

[Paulo Santos]

Num mar de sensacionalismo importa repor a verdade.

 

Nos últimos dias a entrada de mais de 10.000 ilegais em Ceuta tem estado na ordem do dia e perante mais um evento polémico não faltou o habitual: uma multidão de pessoas pouco informadas sobre o assunto a dar os seus cinco tostões. No meio disto não faltou o típico sensacionalismo dos media, a procurar passar imagens parciais e que pouco davam a conhecer a realidade do problema mas tinham todo o potencial de se tornar virais, tal como tornaram. Tendo isto em conta importa, antes de mais, contextualizar este grupo de pessoas que invadiram Ceuta.

Devido à vulgarização do termo “refugiado” para definir todo e qualquer individuo que chega a um país ilegalmente por via marítima importa lembrar que não, nenhum destes cerca de 10.000 indivíduos beneficia de qualquer estatuto de refugiado. Marrocos não está em guerra, não foi alvo de nenhum desastre natural nem houve qualquer pedido de asilo por perseguição do governo a algum destes cidadãos. Este deve ser o ponto de partida da análise a esta situação. Como tal, nenhum destes indivíduos estava desesperadamente a lutar pela sua sobrevivência, nem a fugir do terror da guerra ou das garras de um governo sanguinário que o aniquila, nem a procurar abrigo depois de um desastre natural.

Dada a ausência deste desespero, tantas vezes caracterizante de certas travessias do Mediterrâneo, não é de espantar que esta travessia de Marrocos a Ceuta não seja minimamente equiparável a tantas outras a que fomos assistindo, como por exemplo as diversas chegadas a Itália. Na verdade a fronteira entre Ceuta e Marrocos não passa de uma simples vala de 8kms de extensão, com um gradeamento de 10m de altura do lado espanhol e 2m do lado marroquino. Esta vala tem uma pequena extensão para o mar e são raras vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta por via marítima já que Marrocos tende a proteger o seu lado da fronteira, como é sua obrigação, tratando-se da forma menos comum de realizar a travessia ilegalmente. Nas vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta essa entrada ilegal acontece maioritariamente por terra, muitas das vezes com ataques às autoridades espanholas mas raramente em números maiores que poucas dezenas. A travessia marítima que vimos apenas aconteceu porque as autoridades marroquinas não só o permitiram, como ainda o incentivaram, não tendo aqueles que passaram a fronteira incorrido em risco significativo de vida, pelo menos não mais do que correm aqueles que gostam de nadar no mar um pouco mais longe da costa, tendo a extensão da fronteira para o mar cerca de 35 metros.

 

Devidamente contextualizado este acontecimento, [Read more…]

De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

CRM

Campo de refugiados de Moria, ilha de Lesbos, Grécia. Uma criança, possivelmente em fuga da eterna guerra na Síria, explica-nos, de forma simples, que estar fechado em casa, mesmo na esmagadora maioria das mais humildes que por cá temos, não é assim tão mau. Mau é ver tudo o que temos ser destruído por uma guerra, sermos obrigados a fugir da nossa terra, arriscarmos a vida na fuga e não irmos além da rede do campo de refugiados, onde nos sujeitaremos às condições sub-humanas que imperam em qualquer campo de refugiados, onde dividiremos uma tenda como esta com 5 ou 10 pessoas, não necessariamente da nossa família. De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

Carta dos voluntários humanitários portugueses ao governo português, sobre a emergência humanitária grega

Pedro Amaro Santos

Ex.mo Sr. Presidente da República Professor Marcelo Rebelo de Sousa,

Ex.mo Sr. Primeiro Ministro Dr. António Costa,

Ex.mo Sr. Ministro da Administração Interna Dr. Eduardo Cabrita,

Ex.ma Sr.ª Ministra do Estado e da Presidência Dr.ª Mariana Vieira da Silva,

Ex.mo Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros Dr. Augusto Santos Silva,

Ex.ma Sr.ª Secretária de Estado para a Integração e as Migrações Dr.ª Cláudia Pereira,

Os voluntários humanitários, cidadãos portugueses, signatários da presente carta vêm alertar o Governo Português para a emergência humanitária decorrente da situação alarmante e desumana que se vive no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia. Apelamos à tomada de decisões imediatas coerentes com a política portuguesa de acolhimento e integração das pessoas refugiadas.

No campo de Moria, com capacidade para albergar 3 100 requerentes de asilo, vivem neste momento mais de 20 000 pessoas. Destas, mais de metade são famílias e há 1 049 menores desacompanhados.

As condições e recursos de um campo construído para 3 100 pessoas são descritas pelas organizações não governamentais presentes no terreno e pelos próprios residentes como insuficientes e inexistentes: falta de água quente e limpa; falhas de eletricidade; más condições sanitárias e escassos cuidados de saúde. Entre os testemunhos dos voluntários portugueses, destacamos:

— Há uma casa de banho para cada 300 pessoas.
— Os residentes esperam 3 horas por cada refeição.
— Nos últimos 2 meses morreram 5 pessoas (1 criança de 19 meses por desidratação, 2 mulheres num incêndio dentro dos contentores onde viviam, 1 bebé atropelado enquanto brincava e 1 menor desacompanhado esfaqueado).
— 20 crianças automutilaram-se e 2 tentaram o suicídio. [Read more…]

Miguel Duarte ou Matteo Salvini?

Sempre que damos dinheiro a um arrumador de carros, podemos estar a fazer parte da cadeia do tráfico de droga, com tudo o que isso implica de muitos contras e poucos prós (podemos, por exemplo estar a adiar um assalto ou a agressão a um familiar). Por outro lado, é verdade que não deixamos entrar em casa todos os desfavorecidos do mundo, por muito que nos preocupemos. Além disso, não deixamos no chão alguém que esteja caído, a não ser, talvez, que tenhamos a certeza de que merece estar no chão. [Read more…]

Dia de Reis

Foto de Josep Lluis Sellart

Há poucos meses, no Verão, o líbio Betcha Honorée esteve prestes a morrer. Ele e mais umas dezenas de pessoas que tentavam atravessar o Mediterrâneo para começar uma nova vida na Europa. O barco em que seguiam naufragou, mas foram resgatados pelo navio da ONG «Open Arms» e recebidos em Espanha.

Foto de Olmo Calvo

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No país de Salvini, solidariedade é crime

Domenico Lucano, o autarca que permitiu que centenas de refugiados dessem nova vida à pequena vila de Riace, foi hoje detido por “auxílio à imigração ilegal”.

O PSD e o CDS-PP já cortaram relações com esta gente?

Na Hungria, laboratório de testes do neofascismo contemporâneo, o governo de Viktor Orbán escolheu o Dia Mundial do Refugiado para anunciar novas medidas anti-imigração, entre elas a criminalização de ONG’s humanitárias que ajudem refugiados sem documentos, cujos representantes podem mesmo ser presos e as organizações as organizações banidas e vistas como uma ameaça à segurança nacional da Hungria. Sim, isto está a acontecer na Europa, o último bastião da democracia mundial. E não, as autoridades europeias ainda não mexeram uma palha para alterar este novo “normal”. [Read more…]

O ponto mais alto da Europa

Pedro Amaro Santos – Plataforma de Apoio aos Refugiados

O ponto mais alto da Europa fica em Atenas. É uma nova Acrópole com jardins suspensos como sonhos e estantes com livros como memórias. É tão alto que nem se mede em metros. Mede-se em passos. Passo-a-passo. Passos de pés com sapatilhas, com sandálias ou botas de inverno. Passos de adultos e de crianças. Passos tão grandes que atravessam montanhas e mares.

O ponto mais alto da Europa é tão alto que os alpinistas e os exploradores, por muito experientes que sejam, nunca lá chegarão. Curiosamente, quase que só é alcançável pelos inexperientes, pelos frágeis e pelos cansados. É tão difícil lá chegar que só lá chegaram os últimos de todas as corridas da vida. [Read more…]

O melhor que ficou por contar

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Helena Ferro de Gouveia

Muitas pessoas inteligentes, incluindo jornalistas, derrapam na complexidade do ser-se refugiado (não apenas na sua dimensão humana, mas nas questões geopoliticas). Se há algo impossível de apreender de longe, lendo apenas ou pela internet é um campo de refugiados e os que o habitam.
É preciso entrar nele na ponta dos pés e pedindo licença, ver bem de perto e ter o cuidado para não compreender depressa demais.
O campo de refugiados é a última fronteira. Não há mais para onde ir. A única forma de quebrar a espiral, de sair da trilha da desesperança, é a educação e é disso que quero falar.
Lembram-se do Elliah, do Peter e do Malual, refugiados sul-sudaneses que adoptámos no projecto I have a dream?
Têm as propinas, o material escolar e o uniforme garantidos durante dois anos graças à vossa generosidade. A gestão será feita pelos franciscanos.

Leram o post do CAA

PSD quer explicações sobre refugiados que abandonam Portugal“. E não percebam que era sobre 2012.

O anti-Trump

Justin Trudeau; Kathleen Wynne

A norte do reino de Donald Trump, uma nação próspera é administrada por um governo multicultural. As cartas que a saudosa Fernanda nos escrevia ilustravam bem essa realidade. Nessa nação, liderada por um liberal pouco dado à selvajaria daqueles que usam a designação para justificar o totalitarismo dos mercados e a exploração contemporânea, existe espaço para todos, independentemente da sua cor ou religião, o que nos permite, em certa medida, perceber o avançado estado civilizacional em que se encontra o Canadá. [Read more…]

Falemos de refugiados

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Helena Ferro de Gouveia

No mundo quase perfeito de Freiburg, uma pequena cidade estudantil alemã conhecida pelo seu activismo anti-nuclear e pro direitos civis, uma jovem estudante de medicina de 19 anos foi violada e assassinada.
Maria era voluntária, como muitos outros universitários, num centro de acolhimento a refugiados e estes eram a sua causa.
Maria nasceu no seio de uma família culta, o pai é jurista , consultor da Comissão Europeia, e um dos autores da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
A jovem foi morta por um afegão de 17 anos, que chegou à Alemanha como menor não acompanhado.

Este crime suscitou de imediato uma tentativa de aproveitamento político pela extrema-direita. Tentativa que fracassou por três motivos: o comportamento responsável dos media alemães no tratamento deste caso (faça-se uma análise da linguagem utilizada e descobre-se objectividade, factos e não sensacionalismo); a intervenção dos partidos políticos democráticos à direita e à esquerda e as declarações da família da jovem.
Logo após ser conhecido quem é o presumido autor a família de Maria apelou a quem estivesse solidário a dor que sentiam que doasse para uma iniciativa de apoio à refugiados. Essa seria a vontade de Maria.

O ódio combate-se com Amor.
Este é um dos muitos momentos em que tenho tanto orgulho em ser também alemã.

Europa ou Morte

Europe or die - Vice News

Desde 2000 mais de 27 000 migrantes e refugiados morreram ao tentar fazer a perigosa viagem para a Europa. Desde 2014 um número sem precedentes de pessoas tentam, e muitos conseguem, entrar na Europa. A “Europa”, sem rumo, de mente embotada, não consegue reagir. Não acolhe os migrantes e refugiados, não financia os países de fronteira para que consigam conter e lidar com a situação. No meio disto tudo o populismo cresce e as pessoas morrem.

Esta reportagem da Vice News em quatro partes mostra o que se está a passar nas fronteiras mais sensíveis. A reportagem é de 2015 mas, infelizmente, continua muito actual.

Depois do corte veja como ligar as legendas (espanhol, francês ou italiano), assim como a ligação para cada um dos episódios.

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Desespero

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A Selva de Calais é o acampamento ilegal onde mais de 7 mil refugiados sobrevivem no meio de um lamaçal, agarrados a uma única ideia fixa: passar o canal da Mancha escondidos num dos inúmeros camiões que atravessam o Eurotúnel para chegarem a Inglaterra. Dia a dia, aumenta a tensão e a raiva, aumenta a violência dos polícias, dos refugiados, dos camionistas. É uma das feridas vergonhosas incrustada nesta Europa desunida e incapaz de encontrar soluções responsáveis e humanitárias, fingindo que pode continuar no business as usual. Merkel acaba de receber novamente um não categórico dos quatro chefes de estado do grupo de Visegrado em relação a uma política de refugiados com quotas obrigatórias para o acolhimento dos mesmos. Em vez disso, a Hungria e a República Checa consideram a segurança como tema prioritário e defendem a criação de um exército europeu.

Imagem: arte

Pois é delas o Reino dos Céus

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“Art. 31
1 – Os Estados Partes reconhecem o direito da criança ao descanso e ao lazer, ao divertimento e às atividades recreativas próprias da idade, bem como à livre participação na vida cultural e artística.” – Declaração Universal dos Direitos da Criança, 1989.

Carta do Canadá – Setenta e um anos depois

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Navio Quanza, da Companhia Nacional de Navegação (imagem daqui)

No dia 6 de Agosto de 1945 os Estados Unidos da América arrasaram com uma bomba atómica a cidade japonesa de Hiroshima, assim retaliando o ataque que sofreram dos aéreos nipónicos sobre a sua base militar de Pearl Harbor. Aliado de Hitler, pouco depois também o Japão se rendia. Estava consumada a vitória dos aliados europeus  e americanos sobre o hediondo crime dos nazis alemães que, aliados também aos fascistas italianos e contando com a simpatia colaborante dos fascistas portugueses e espanhóis, ensombraram o século XX com milhões de mortos e fortaleceram o comunismo soviético.  Este, como se sabe, foi depois o fautor dum desastre sangrento e horrendo nos países que a Rússia agregou a si, a ferro e fogo, propagando depois o terror à China, ao Vietnam, à Coreia, a Cuba e  alguns países africanos, designadamente Angola.

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A menina-heroína da Equipa Olímpica de Refugiados

Foto retirada da Sala de Imprensa do Comité Olímpico Internacional

Foto retirada da Sala de Imprensa do Comité Olímpico Internacional

Yusra Mardini é uma miúda. Nasceu a 5 de Março de 1998. Em 2015, ela e a sua irmã Sarah fugiram do seu país, a Síria. Chegaram ao Líbano e posteriormente à Turquia de onde conseguiram fugir clandestinamente rumo à Grécia. As duas raparigas ocuparam o seu lugar entre os outros 18 refugiados num barco com capacidade para 6 ou 7 pessoas. Quando o motor do barco parou e este começou a meter água, 30 minutos depois de terem saído da Turquia, só havia uma solução: saltar para a água e puxá-lo até terra. Foi o que fizeram as únicas 4 pessoas que sabiam nadar: Yusra e a irmã e outros dois passageiros. Nadaram durante cerca de 3 horas e meia até finalmente chegarem à ilha de Lesbos, salvando-se a si e a todas as pessoas a bordo, muitas delas crianças.

Podem ver aqui (em Inglês) uma das reportagens sobre a história desta atleta olímpica.

Violência isenta de sanções

Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam.  [Read more…]

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