
Campo de refugiados de Moria, ilha de Lesbos, Grécia. Uma criança, possivelmente em fuga da eterna guerra na Síria, explica-nos, de forma simples, que estar fechado em casa, mesmo na esmagadora maioria das mais humildes que por cá temos, não é assim tão mau. Mau é ver tudo o que temos ser destruído por uma guerra, sermos obrigados a fugir da nossa terra, arriscarmos a vida na fuga e não irmos além da rede do campo de refugiados, onde nos sujeitaremos às condições sub-humanas que imperam em qualquer campo de refugiados, onde dividiremos uma tenda como esta com 5 ou 10 pessoas, não necessariamente da nossa família. De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

Sempre que damos dinheiro a um arrumador de carros, podemos estar a fazer parte da cadeia do tráfico de droga, com tudo o que isso implica de muitos contras e poucos prós (podemos, por exemplo estar a adiar um assalto ou a agressão a um familiar). Por outro lado, é verdade que não deixamos entrar em casa todos os desfavorecidos do mundo, por muito que nos preocupemos. Além disso, não deixamos no chão alguém que esteja caído, a não ser, talvez, que tenhamos a certeza de que merece estar no chão. 















Foi consensual que, no período em que a crise das dívidas soberanas estava no centro das atenções da UE e do público, foi Merkel, através do seu Ministro das Finanças, Schäuble, quem impôs o rumo da austeridade; a Alemanha, com a força do seu peso económico, obrigou os países cuja dívida era insustentável às eufemísticas “reformas” – algumas até necessárias (p. ex. medidas contra a fuga ao fisco), mas outras absolutamente inaceitáveis (p. ex. privatizações, cortes na saúde pública, etc.). Bem clara foi a tomada de partido em favor do capital e contra os cidadãos, aquando dos resgates bancários. O que se mostra agora também claramente, é que a posição da Alemanha só prevaleceu porque era isso mesmo que os outros membros do clube queriam, os governos europeus de maioria conservadora, que mais não fizeram do que aproveitar para se encarrilarem atrás da locomotiva que não temia assumir o papel de mazona. A Grécia, que ousou entrar no ringue para mudar esse estado de coisas, viu-se pura e simplesmente isolada e foi reduzida à sua insignificância. 




Veio a ser desmentido que se trata de Catarina Martins. O jornalismo português cada vez é menos levado a sério por culpa própria.

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