Robotarium de Vila Franca desactivado

Era simultâneamente uma peça de arte pública e um cruzamento entre arte, ciência e biologia. Não resistiu ao vandalismo, que incluiu até disparos de balas.

Este é o tipo de notícia a que bastaria um “sem comentários” para mostrar desacordo, incompreensão e condenação, não fosse uma afirmação  do autor, o artista Leonel Moura:

Leonel Moura mostra-se resignado perante a situação, considerando que os atos de vandalismo são fruto do momento conturbado que o país atravessa

Infelizmente duvido que, mesmo se os tempos que o país atravessa não fossem conturbados, este tipo de vandalismo não existiria. Trata-se de um problema de (falta de) cultura e de civismo, e está inscrito mais fundo do que a mera circunstância das dificuldades do momento. Lamentavelmente.

Escrever ou blogar, eis a questão (Memória descritiva)

A propósito da mini-polémica que aqui se desencadeou sobre o universo dos blogues, entre o aventor Carlos Fonseca e o artista plástico Leonel Moura, lembrei-me de um artigo de Pierre Assouline que, em 26 de Janeiro passado, foi publicado no “le Monde des livres” sobre os escritores blogueres. Antes de mais, temos uma inauguração pessoal – resolvi adoptar o verbo blogar. Blogar – verbo transitivo (do inglês to keep a blog). Não sou pioneiro, outros já o utilizam há tempos. Mas vamos ao tema.

Segundo diz Assouline, são mais raros do que se pode julgar os homens de letras que blogam e por duas razões: uma boa parte deles não mantém qualquer convívio com o computador e com o universo que se encontra subjacente, e os que estão ligados à net depressa se apercebem de que a manutenção de um blogue representa um exercício de regularidade e um acréscimo de trabalho que obrigam a sacrificar todos os dias algumas horas do tempo de escrita. Assouline não o diz, mas eu acrescento que, além do tempo que se ocupa a redigir os textos, o vício de consultar o blogue diversas vezes ao dia, ler e responder a comentários, transforma-nos em blogo-dependentes.

Diz o jornalista francês que o facto de não ser meio a que os escritores se afeiçoem facilmente, constitui ainda mais razão para referir aqueles que não só se aventuram por esses caminhos, como dão também um prolongamento de tinta e papel ao seu diário on line, como é o caso de José Saramago, de 87 anos, e do romancista francês Èric Chevillard, de 46 anos. Não vou transcrever as entrevistas, disponíveis na net, apenas referir um ou outro aspecto do conteúdo do texto de Assouline. [Read more…]