Escrever ou blogar, eis a questão (Memória descritiva)

A propósito da mini-polémica que aqui se desencadeou sobre o universo dos blogues, entre o aventor Carlos Fonseca e o artista plástico Leonel Moura, lembrei-me de um artigo de Pierre Assouline que, em 26 de Janeiro passado, foi publicado no “le Monde des livres” sobre os escritores blogueres. Antes de mais, temos uma inauguração pessoal – resolvi adoptar o verbo blogar. Blogar – verbo transitivo (do inglês to keep a blog). Não sou pioneiro, outros já o utilizam há tempos. Mas vamos ao tema.

Segundo diz Assouline, são mais raros do que se pode julgar os homens de letras que blogam e por duas razões: uma boa parte deles não mantém qualquer convívio com o computador e com o universo que se encontra subjacente, e os que estão ligados à net depressa se apercebem de que a manutenção de um blogue representa um exercício de regularidade e um acréscimo de trabalho que obrigam a sacrificar todos os dias algumas horas do tempo de escrita. Assouline não o diz, mas eu acrescento que, além do tempo que se ocupa a redigir os textos, o vício de consultar o blogue diversas vezes ao dia, ler e responder a comentários, transforma-nos em blogo-dependentes.

Diz o jornalista francês que o facto de não ser meio a que os escritores se afeiçoem facilmente, constitui ainda mais razão para referir aqueles que não só se aventuram por esses caminhos, como dão também um prolongamento de tinta e papel ao seu diário on line, como é o caso de José Saramago, de 87 anos, e do romancista francês Èric Chevillard, de 46 anos. Não vou transcrever as entrevistas, disponíveis na net, apenas referir um ou outro aspecto do conteúdo do texto de Assouline.

Entre os dois, além de serem escritores e terem um blogue, há outra analogia – ambos passam a livro os textos que publicam no blogue L’autofictif,(O Auto fictício), o de Chevillard, O Caderno, o de Saramago. Não sei qual é o volume de vendas dos livros do escritor francês. Quanto ao nosso Nobel, as tiragens são de tal ordem que seria um crime, do ponto de vista do negócio editorial, desperdiçar os pequenos textos que o escritor vai produzindo para o blogue.

A edição francesa de O Caderno (Le Cahier), tem prefácio de Umberto Eco, o que, de todos os pontos de vista, é uma mais-valia. Eco classifica Saramago como um bloguer enraivecido. Saramago esclarece: «Enraivecido é demasiado forte. O que procuro exprimir é a indignação perante o estado do mundo, a miséria, a angústia em que milhões de pessoas vivem. Uma grande parte da humanidade vive num permanente apocalipse desde que nasce até que morre. Isto é que é o progresso? É isto a civilização? Enraivecido, não: indignado».

Pergunta Assouline: – «O blogue é para si como que um complemento do seu trabalho de escritor ou corresponde a um prolongamento do estatuto de intelectual ?» Saramago responde: – «Não vejo onde esteja a diferença. O blogue é um trabalho de escritor tal como o foram, entre 1993 e 1997, os cinco volumes dos «Cadernos de Lanzarote» nos quais reuni textos de maior ou menor extensão: ensaios, resumos de conferências, notas de viagem e de leitura, comentários sobre a actualidade, evocações diversas, uma espécie de blogue avant la lettre… A bem dizer não sou um verdadeiro bloguer e isso vê-se». Como vemos da relação blogue/literatura extraem-se sinergias.

A troca de opiniões entre Carlos Fonseca e Leonel Moura que, obviamente, se situam em quadrantes políticos diferentes, traz à boca de cena concepções também diferentes do que deve ser um blogue. Moura tem blogues pessoais, exclusivamente voltados para a divulgação da sua obra; um pouco dentro da linha do que Saramago e Chevillard fazem relativamente aos seus livros. Contudo, há blogues com outro tipo de objectivos – defender linhas partidárias, por exemplo.

Penso que Leonel Moura ao contrário do que o nosso colega do Aventar dizia a abrir, não pensa que «a blogosfera é um espaço de crime, de ignomínias e de toda espécie de ódios e maledicência», pois ele próprio tem um blogue, ainda que, como Saramago, não seja um bloguer típico. O equívoco que julgo existir é que, a polémica deixa de ser sobre blogues, e passa a ser sobre tendências políticas. Moura parece-me particularmente agastado com o facto de haver blogues com a ousadia de atacar as ideias que defende embora tudo o que ele diz que acontece na blogosfera, aconteça, de facto. Não se pode é generalizar.

Numa crónica anterior sobre este tema, eu dizia que ou se cria um código deontológico do bloguer ou a actividade corre perigo. Não é possível manter uma plataforma comunicacional onde tudo se diz mais ou menos impunemente. Um bloguer é um cidadão com os direitos e os deveres dos demais. Tem de ser responsabilizado pelo que diz.

Porém estou muito de acordo com Carlos Fonseca quando diz: «Dentro da evolução esperada, o futuro dos blogues é, portanto, mais promissor no uso da liberdade de expressão e poderá privilegiar, creio, aqueles que se orientem por princípios de ética, responsabilidade, e tolerância. Os políticos, em particular, estão conscientes da força do fenómeno, e do crescimento potencial». Apenas ponho um senão ao seu optimismo – a par do crescimento, instalou-se uma promiscuidade inconveniente e poluidora.

Refiro-me à invasão da blogosfera por pessoas que nada de importante ou interessante têm a comunicar. A liberdade ilimitada transforma-se em falta de liberdade. O facto de muitos blogues serem como uma parede branca aberta aos grafitistas, onde se escrevem obscenidades gratuitas, se põem tags demarcando territórios de droga e se exibem, por vezes, magníficas pinturas, descredibiliza os blogues. Tal como as belas pinturas nas paredes e muros, os textos de qualidade perdem-se na floresta de irrelevâncias, quando não mesmo de banalidades, por vezes, obscenas.

Muitas vezes, o poder dizer-se tudo equivale a não dizer nada.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Isso é verdade, mas a grande pergunta, não é essa mesma? Que fazer com a liberdade?

  2. Carla Romualdo says:

    Creio que essa impunidade de que alguns se valem na blogosfera é fruto da novidade do meio e acabará por se regular, na medida em que os leitores o exijam. Mas para se ser um bom bloguer também é preciso bons leitores, isto é, leitores exigentes, que rejeitem o ataque difamatório ou a boçalidade. E esses leitores estão a descobrir os blogues.
    Já agora, outro exemplo de um escritor bloguer em Portugal é o Francisco José Viegas, de quem gosto bastante.

  3. Carlos Fonseca says:

    Carlos Loures, estou de acordo com a maior parte do que escreve. Uma das divergências é poder inferir-se que defendo ideias ou interesses partidários; de facto não tenho vínculos desse tipo, e neste momento sou adversário de quase todos. As desilusões têm sido muitas.
    O “desencontro” com o Leonel Moura foi apenas um mero incidente e os dois, ele e eu, compreendemos isso e muito mais: que, acima de um artigo jornalístico e de uma reacção polémica, a blogosfera e as tecnologias de comunicação e informação (TIC’s) são áreas que encaramos com certa comunhão de pontos de vista. Entendemo-nos, em contactos bilaterais, extra-blogosfera, e é isto que ficou a contar.
    Quanto ao estatuto do ‘cidadão comum bloguer’, que é o meu caso, devo confessar a irritação epidérmica causada pela arrogância de certos intelectuais quando classificam os blogueres como ‘gentalha’ de 3.ª – Clara Ferreira Alves e Miguel de Sousa Tavares constituem dois exemplos, embora, curiosamente, se tratem de pessoas com quem estou muitas vezes de acordo noutras ideias.
    Há que admitir que, do lado da massa anónima de blogueres, exista também gente com cultura e formação tecnológica. Pese a imodéstia, eu sou Economista, membro da OE, Mestre com um trabalho sobre ‘telemedicina e sistemas de informação na saúde’ pela Universidade Católica, onde já leccionei em duas faculdades. Claro que os meus trabalhos profissionais e académicos não gozam da visibilidade das actividades de um artista plástico ou de jornalistas/escritores bastante meditizados. Mas também existo e longo penso.
    Por último, e sobre o seu senão, tenho a ideia de que, com ou sem blogues, as comunidades de políticos, a nível global, jamais saberão viver sem promiscuidade, mas isto não é factor impeditivo do meu optimismo – é um constrangimento que que temos de combater.
    Um abraço

  4. Carlos Loures says:

    Caro Carlos Fonseca, falei de «tendências políticas» diferentes e não de partidos. Conheço o alinhamento político do Leonel Moura, estivemos juntos (com mais de muitas outras dezenas de pessaoas) na tentativa de lançamento de um movimento de unidade de esquerda (a «Utopia») de que ele era um dos animadores. Não quis dizer, nem penso, que o Carlos defenda interesses partidários. Até me parece que, tal como eu, combate os interesses partidários. Quanto à má reputação dos blogues é, em parte merecida – lembre-se dos comentários, absolutamente idiotas no conteúdo e obscenos na forma, que ainda há meses atrás tínhamos aqui no Aventar. Não há plataforma comunicacional que resista à vulgaridade e à estupidez, à futebolite imbecil, que grassam por aí. É isso que eu temo – o triunfo dos porcos. Quanto aos seus posts, revelam perfeitamente a grande preparação cultural de quem os escreve. Leio-os sempre e se não os comnento mais é porque dizer «estou de acordo» é quase como ficar calado. Um abraço.

  5. Carlos Loures says:

    Luís, a liberdade serve para acabar com a injustiça social e não para que a Manuela Moura Guedes possa dizer num jornal informativo da TVI que o Sócrates é homossexual. Proibir a Moura Guedes de injuriar o primeiro-ministro (como o Chávez já teria feito sem problemas) não é a mesma coisa do que proibir as pessoas de ter fome, de não cuidarem da saúde ou de serem ignorantes. A «liberdade» da Moura Guedes e do Crespo não me interessam. A dos sem-abrigo, por exemplo, preocupa-me.

    Carla, talvez tenhas razão e esta invasão da blogosfera por imbecis seja fruto da novidade. Mas para haver bons leitores, como bem dizes, é preciso encontrar mecanismos para erradicar o lixo. Do Francisco José Viegas, do que ele escreve, não gosto. É um Manuel Vázquez Montalbán em segunda mão. Cuidado com as imitações, como aconselha o Sérgio ao Casimiro.

  6. Carla Romualdo says:

    Eu acho que o FJV é um bom bloguer. Nos romances, gosto da figura do detective J.Ramos e admito que nas primeiras obras ele estava muito colado ao MVM, mas tem tentado construir um imaginário português, com uma melancolia muito portuense, para o género policial. O romance mais recente pareceu-me bom nos primeiros dois terços, mas acho que na parte final perde força e unidade. Admito que tenho um fraquinho por um detective que vive na Rua de Nova Sintra. Que se recriem os cenários da nossa cidade não é razão para se admirar um escritor mas predispõe-nos a ter simpatia por ele. Felizmente, no que respeita aos contemporâneos, o Porto tem o seu grande escritor (não estou com isto a dizer que ele seja um escritor “do Porto”, no que isso tem de redutor), que é o Mário Cláudio.

  7. Carlos Loures says:

    Não conheço o FJV como bloguer (de blogues, só leio o Aventar – às vezes o do Saramago – não tenho tempo nem pachorra para visitar os outros). Acredito que seja bom, porque é um bom jornalista cultural. Quanto às aventuras do J. Ramos, só li a primeira e custou-me a chegar ao fim, tal era a boleia que ele usava do Manolo. Não gosto dos livros do Mário Cláudio (acredita que hoje não acordei disposto a discordar). Temos um amigo comum, o Mário Cláudio e eu, que sabe bem que nunca consegui gostar do que ele escreve. Não é um escritor do Porto (e se fosse? O «portuense» José Gomes Ferreira era um poeta de Lisboa e isso não reduziu em nada a dimensão da sua obra. O que se contesta em Júlio Diniz não é o ser «um escritor do Porto». E, embora contestado, não deixa de ser um marco na nossa literatura. Porém, Carla, aqui aplico a receita que, pelos vistos, ambos usamos na apreciação de pintura – gostar ou não gostar, estejamos ou não de acordo com os críticos e com «as pessoas que sabem», é muito importante. A última coisa que quereria mesmo que pudesse (e não posso) era roubar uma leitora ao Viegas e ao Cláudio, pessoas estimáveis e escritores que passam bem sem a minha aprovação. E os seus livros devem ser bons, eu que não os sei apreciar. O mesmo que se passa com o Manoel de Oliveira e com o seu cinema mais premiado e louvado – não gosto, mas só posso estar errado. Por agora ficamos assim.

  8. Carlos Fonseca says:

    Caro Carlos Loures, parece-me que no essencial estamos de acordo.
    Quanto a eventual e futura regulação de blogues, serei sempre um oposicionista. Quando se começa por aí, nunca se sabe qual se o resultado final é a amputação da liberdade de expressão. O caminho ideal é haver o esforço colectivo no sentido de elevar a educação e cultura dos cidadãos. Talvez seja uma ‘utopia’, mas, melhor do que, saberá que a utopia é a pré-figuração de um desejo, e desistir é a síndrome da fraqueza.

  9. Carlos Fonseca says:

    Carlos Loures, o meu comentário saíu com algumas gralhas, mas acho que o sentido da mensagem não fica prejudicado.

  10. Carlos Loures says:

    Nunca encorajaria ninguém a desistir das suas utopias. Tenho as minhas e não tenciono abdicar delas. Mas acreditar que os energúmenos se vão transfomar em gentlemen em tempo útil, isto é, antes de os blogues serem substituídos por qualquer outra TIC mais avançada, é pedir milagres. Também não gosto de regulações, mas às vezes fazem jeito. Quanto ao que a Clara Ferreira Alves terá dito sobre os blogueres, tratava-se de um texto apócrifo – ela já negou a autoria e provou-se que tinha razão.

  11. Carlos Loures says:

    Percebi completamente, apesar da falta de uma ou outra palavra. A mim acontece-me muito.


  12. O problema a que te referes não é da dita “blogosesfera”, expressão errada para designar um poliedro de muitas faces.
    Os blogues são uma mera plataforma que permite a qualquer um publicar na net, num formato um bocado patusco.
    Antes disso já havia usenet, páginas web, salas de chat, correio electrónico, etc.
    E havia o mesmo problema: o pseudo-anonimato. Sou contra qualquer regulamentação dos blogues, ou de qualquer outro conteúdo na net, mas tendo a defender a identificação obrigatória de quem escreva seja lá onde for. É verdade que os idiotas pensam que escrevem anonimamente, e por isso escrevem o que lhes vem à cabeça, mas não é viável andar a identificá-los um a um para lhes puxar as orelhas.

  13. Carlos Loures says:

    João José e Carlos, dou-vos razão até certo ponto. Mas leio cada coisa, sobretudo comentários que me fazem hesitar. Muita gente que poderia vir para os blogues, não vem por não se querer sujeitar a essa confrontação . Claro que se pode fazer como o Saramago – Comments Off – mas perdem-se opiniões, concordantes ou divergentes, mas sempre enriquecedoras. Afinal, n a relação dialéctica entre post e comentário é que reside o encanto e a novidade do blogue – são as ideias em movimento. Seria o último a querer amputar essa riqueza a este meio. Mas e os energúmenos? Não se pode exterminá-los, pois não?


  14. Pode Carlos. Basta obrigar os comentadores a fazerem um registo prévio. Embora na realidade isso não os identifique muito mais do que o sistema de comentários abertos, apenas obriga a confirmar um endereço de mail, é um sossego. O energúmeno por definição foge de dar a cara, o nome, o mail, o que seja. É tão fácil ser cobarde…

  15. Carlos Loures says:

    Se esse sistema do registo prévio é aplicável, por que razão não o aplicamos aqui? Aqueles idiotas que entraram em diálogo (?) contigo e com o Fernando, eram anónimos também e teriam sido barrados, É como dizes, o anonimato é uma cobardia – nunca respondo a comentários em que o comentador não esteja identificado.


  16. Nem imaginas como estou de acordo com tudo o que dizes! Não por seres tu, com quem as pessoas já repararam que estou quase sempre de acordo, mas porque dizes aquilo que eu gostaria de dizer se tivesse a tua capacidade de o fazer. No fundo, identificámo-nos bastante, em termos ideológicos, políticos e culturais. Não gostas de JMV nem de MC nem de MO e eu também não. Já gostas muito da Carla (salvo seja) e eu também. Do que ela escreve, claro, e do que ela parece ser como pessoa, claríssimo! Há mitos, falsos mitos, pseudo-mitos, meta-mitos, enfim santos do altar de cada um que não sobem ao meu altar, não porque eu tenha um conceito de santidade própria, inacessível, mas porque me chateiam santidades fabricadas, com virtudes especiais que ninguém vê, a não ser uma franja de seguidores crónicos, alimentados por todo o paínço que lhe enfiam na estreita gaiola do pensamento. Nada há, penso eu, como a dimensão da relatividade da ciência, para dar aos espíritos a suprema capacidade da sabedoria e da humildade. Quais filosofias, quais teologias, quais tentativas de ficar por cima da racionalidade e do verdadeiro conhecimento para debitar merdas que ninguém entende e não passam de masturbações de alcofa, tidas como eruditas, inacessíveis a espíritos medíocres, nascidas de cérebros que em poucos neurónios diferem dos dos primatas superiores. Amigo Carlos Loures, se alguma coisa me encanta nos teus discursos é essencialmente a tua capacidade de ser autêntico. O que não é fácil nem habitual.

  17. Carlos Loures says:

    Obrigado, Adão, pelas tuas palavras. Quando, durante a crise do fim-de-semana, falava dos amigos que aqui conheci, pensava em ti, na Carla e noutros, evidentemente (incluindo a simpática Maria). Já há muito tempo que vimos que temos ideias muito próximas. E não é por acaso que não gostamos desses três (do que eles fazem, porque pelo MO tenho uma grande admiração de papalvo, porque não gostando do que ele faz, consigo admirá-lo pela sua enorme coerência); não é por acaso, resulta de uma formação cultural semelhante, de constrangimentos semelhantes na juventude, de ideias políticas que não andariam muito distantes… Nós e a nossa circunstância, como diria o Ortega. E, no meu caso, não se trata de autenticidade (eu pelo menos não lhe chamo assim) – quando era mais novo era mais polido, embora fosse também mais impetuoso e discursivo – agora não tenho paciência para fazer de conta nem para grandes discursos: dá um trabalho do caraças. Um grande abraço, amigo Adão. Ah, já me esquecia – não gosto da Carla «(salvo seja)» – gosto da Carla. Mas percebi o que querias dizer.

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