A Seção Consular de Portugal na Bélgica não existe

Texto publicado anteontem no Luso.eu, portal da comunidade portuguesa na Bélgica.

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La linguistique est une science, humaine certes, non pas molle.
— Marc Wilmet

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Comecemos pelos fatos. Para quem não estiver a par destes assuntos, segundo o dicionário brasileiro Houaiss, «algo cuja existência pode ser constatada de modo indiscutível» é a definição de fato. O fato, nesta acepção, ou seja, na acepção de facto, abunda, como se espera, no brasileiro Diário Oficial da União. Contudo, como é lamentável e culpa única e exclusiva das autoridades portuguesas, os fatos na acepção de factos abundam no homólogo português, no Diário da República. Efectivamente, no sítio do costume, com ‘fatos’ e ‘contatos’ e ‘seções’ se tem vindo a adoptar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).

Recentemente, o texto A Seção Consular de Portugal na Bélgica não é caso único, de Ana Garrido, fez furor em determinados sectores da população portuguesa: nomeadamente junto de quem se exprime por escrito em português europeu. Esse texto, composto por grafias como ‘setores’ ou ‘afeta’, dir-se-ia redigido à luz do AO90. Todavia, a ‘seção’ (no título e no corpo do texto) é norma ortográfica do português do Brasil, onde a grafia <seção> (por <secção>) é adoptada.

Efectivamente, a ‘secção’ encontra-se, tal como os ‘factos’ e os ‘contactos’, entre os danos colaterais do AO90 na norma europeia do português. Este trio [Read more…]

História dos Fatos Sociais e fator issues

En sa robe, couleur de fiel et de poison,
Le cadavre de ma raison
Traîne sur la Tamise.

Émile Verhaeren

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A propósito do “Doutor em Estratégia ou História dos Fatos Sociais” e dos “fator issues”, mencionados em artigo recentemente publicado no portal das comunidades portuguesas na Bélgica www.luso.eu (apresentado com versão ligeiramente modificada no Público de ontem), eis as imagens do caos.

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E hoje? Teremos História dos Fatos Sociais? Haverá fator issues? Não! Hoje, [Read more…]

Um amplo debate entre os países lusófonos?

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© FRANCISCO LEONG/AFP (http://bit.ly/1ZyvyKi) | http://bit.ly/1TAFD4R

Exactamente porque está transformado numa questão política e não naquilo que deveria ser: uma questão linguística. E educativa, já agora.

António Fernando Nabais

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Hoje, no Diário de Notícias, durante uma entrevista ao excelente António Fernando Nabais, o jornalista Pedro Sousa Tavares fez o seguinte comentário:

Afinal, houve um amplo debate entre os países lusófonos…

Na página Acordo Ortográfico Não!, Francisco Belard reagiu:

Faltou corrigir o jornalista quando, no final, disse que “houve um amplo debate entre os países lusófonos”».

Efectivamente, ainda ontem, recordei que, «neste contexto, “reabrir o debate” não será a opção mais feliz, pois existe um prefixo a mais. Salvo iniciativas pontuais (uns colóquios aqui, umas audições ali, umas audiências acolá), o debate sobre o AO90 nunca foi aberto, por isso, é um erro mencionar-se uma reabertura».

Para terminar este pequeno texto, gostaria de saudar o Diário de Notícias pela escolha do entrevistado. Excelente!

Pro memoria, eis a entrevista, numa versão em português europeu:

“Está instalado o caos ortográfico”
Entrevista
Diário de Notícias, 09 DE MAIO DE 2016
Pedro Sousa Tavares

Um dos grandes críticos do Acordo, António Fernando Nabais, diz que as declarações do Presidente são um sinal de esperança [Read more…]