A vergonha habitual, no sítio do costume

Beat. he that hath a beard, is more then a youth: and he that hath no beard, is lesse then a man.

— Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (Folio 1, 1623)

George: Good, better, best, bested. [Back to Nick] How do you like that for a declension, young man? Eh?

— Edward Albee, ‘Who’s Afraid of Virginia Woolf?’

Uma autêntica vergonha.

— Rodolfo Reis, 10/6/2015

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Por razões habituais, óptimas, espectaculares, excelentes, formidáveis e estupendas (a lista de atributos algo aleatórios encontra-se activa),

não consegui ver em directo o Glorioso e não actualizei o ponto da situação no sítio do costume.

Efectivamente, [Read more…]

À espera de Marcelo Rebelo de Sousa

O candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa durante um encontro com atletas paralímpicos, esta manhã no Estádio Universitário de Lisboa, 21 de dezembro de 2015. INÁCIO ROSA/LUSA

© INÁCIO ROSA/LUSA (http://bit.ly/2dDfE4R)

Waiting, waiting, waiting, waiting
Waiting, waiting, waiting, waiting

— The Doors, “Waiting for the Sun

ESTRAGON: Do you see anything coming?

VLADIMIR: (turning his head). What?

ESTRAGON: (louder). Do you see anything coming?

VLADIMIR: No.

ESTRAGON: Nor I.

— Samuel Beckett, “Waiting for Godot” (“À espera de Godot“/”Esperando Godot“)

Reina o silencio que falla,

Bafeja a doce frescura.

— A. Gonçalves Dias,  “Gulnare e Mustapha'” (“Sextilhas de Frei Antão“) (*)

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Há alguns meses, soubemos que Marcelo Rebelo de Sousa decidira reabrir o debate sobre o AO90. Desde então, o silêncio tem presidido. Felizmente, no caso de Miró, o poder político foi exemplar (embora, como portuense, continue a achar que o Batalha teria sido a melhor solução: adiante). Todavia, no caso do AO90, isto parece que não vai lá nem com eleitos, nem com nomeados por eleitos: só mesmo com eleitores, ou seja, com Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e com Iniciativa de Referendo.

Se ainda não assinou, assine. Sim, as duas: a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e a Iniciativa de Referendo. Porque as coisas continuam a correr mal e, para chegar a esta conclusão, basta prestar um mínimo de atenção à realidade. Efectivamente. Um mínimo de atenção. É sabido, desde Schelling, segundo Gadamer (p. 82): «Die Angst vor dem Nichts treibt die Kreaturen heraus aus ihrem Zentrum». De facto: “Die Angst des Lebens selbst treibt den Menschen aus dem Centrum [, in das er erschaffen worden]”. De facto, sim. Exactamente. Enfim, hoje, no sítio do costume.

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(*) Recomendo a leitura do excelente texto de Sant’anna Martins “O experimentalismo linguístico de Gonçalves Dias“.

História dos Fatos Sociais e fator issues

En sa robe, couleur de fiel et de poison,
Le cadavre de ma raison
Traîne sur la Tamise.

Émile Verhaeren

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A propósito do “Doutor em Estratégia ou História dos Fatos Sociais” e dos “fator issues”, mencionados em artigo recentemente publicado no portal das comunidades portuguesas na Bélgica www.luso.eu (apresentado com versão ligeiramente modificada no Público de ontem), eis as imagens do caos.

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E hoje? Teremos História dos Fatos Sociais? Haverá fator issues? Não! Hoje, [Read more…]

Savile Row

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© Yu Fujiwara (http://bit.ly/1Hv1jQy)

She’s hangin’ on his arms

like a cheap suit

— David Bowie

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Hoje, o director do Correio da Manhã escreveu o seguinte:

Vai uma enorme polémica e uma ainda maior onda de indignação nas redes sociais por o CM ter dito que uma cega é cega e que um cigano é cigano.

Lembro-me bem da polémica e da indignação que não houve, quando o director do Correio da Manhã garantiu que

A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, caro Leitor, quando já ninguém estranhar a palavra “facto” escrita sem cê.

Efectivamente, quer há cerca de um mês, quando voltei a passar por Savile Row – desta vez, a caminho da rua do Ziggy–, quer hoje, ao ler uma entrevista relativamente recente,

fato

lembrei-me dessa indignação e dessa polémica que não houve. Não houve polémica? Não houve indignação? Claro que não. Não houve nem polémica, nem indignação. Contudo, há fatos.