Estabilidade, responsabilidade e sentido de Estado: a lição de Paulo Portas, cinco anos depois

Na passada Segunda-feira, dia 2 de Julho, assinalaram-se cinco anos desde que Paulo Portas anunciou a sua famosa e irrevogável demissão, que como sabemos durou até que Passos Coelho aceitou ceder mais poder a Portas e ao CDS-PP, entregando-lhe um novo ministério e fazendo dele vice-primeiro-ministro.

Poderia alongar-me sobre o oportunismo desta decisão, que, bem vistas as coisas, nos foi apresentada como uma divergência insanável, gerada pela substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque, na sequência da demissão do primeiro, mas que na verdade não passou de um assalto ao poder. [Read more…]

«OE2019 será negociado ao mais alto nível»

Before the nasal consonants, the vowel /ɔ/ is closer and more centralized than in other positions, i.e. it is pronounced as [ʊ] in that position.

Geert Booij

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Apesar do “mais alto nível” (em inglês, ‘geringonça’ até mantém o pê), teremos muito provavelmente mais do mesmo.

Porquê? Porque basta consultar o Diário da República.

Está tudo igual. Sem tirar nem pôr.

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Parece que foi ontem

Mas já lá vão uns tempos.

A revolução saiu à rua no bolso do banqueiro

Cartoon via The English Blog

O CDS-PP juntou-se ontem à perigosa Geringonça para aprovar, com a abstenção do PSD, a obrigatoriedade da banca reflectir a queda da Euribor e o efeito dos juros negativos nos créditos à habitação. Não que os titulares destes créditos se preparem para receber uma pequena fortuna, mas sempre é melhor que um pontapé nas costas.

E agora, a parte interessante da coisa: foi preciso esperar até Maio de 2018 para que o Parlamento fizesse o seu trabalho, colocando um ponto final numa das muitas práticas extorsionárias de sector bancário, que não hesita uma milésima de segundo em reflectir todo e qualquer aumento da Euribor nos créditos à habitação, à mais ínfima parcela do cêntimo, mas que, até ontem, podia simplesmente fazer de conta que, quando a Euribor descia para valores negativos, a taxa de juro batia no zero e não descia mais. Porque sim. Uma das consequências de existirem tantos decisores públicos a viver nos bolsos de banqueiros e quejandos: tudo lhes corre de feição. Se não correr, o contribuinte está cá para lhes deitar a mão.

Geringonça à moda antiga

Os primeiros “geringonços”.

Imagem: Arquivo RTP

O pior pesadelo da direita portuguesa

Autoria: Luís Vargas@Geringonça

Será Miguel Esteves Cardoso um emissário de Belzebu, disfarçado de monárquico convicto? Ele sempre foi adepto

Conselho de Finanças Públicas ao serviço da Geringonça

TC

Imagem via Geringonça

No PSD, Rui Rio tenta dar conta de uma oposição interna em fúria, disposta a quase tudo para fazer a folha à recém-eleita direcção, enquanto lida com os escândalos diários nos quais vê os seus mais próximos oficiais envolvidos, do caciquismo de Salvador Malheiro ao currículo de Feliciano Barreiras Duarte.

No CDS, Assunção Cristas sonha, do alto dos seus 5% de intenção de voto atribuídos pelas mais recentes sondagens, ultrapassar o PSD e ser um dia primeira-ministra. E o sonho, já dizia o poeta, é uma constante na vida. Eu também sonho com a bomba do Gajo de Alfama, numa versão em que limpa o sarampo ao lixo político deste país, indo lá pelo cheio a corrupção. Mais rápido teremos Assunção Cristas a bailar com um touro na arena, enquanto um desses tipos que se diverte a torturar animais lhe espeta umas bandarilhas no lombo. [Read more…]

“O Regulador está no terreno”.

Foi notícia por estes dias que uma pessoa de idade perdeu a vida em sua casa, no interior do país, sem poder pedir auxílio através do seu telefone fixo, última ligação que mantinha com o mundo, mas que não funcionava desde que os incêndios de Outubro destruíram as linhas e estruturas de telecomunicações que estão sob a responsabilidade de uma empresa estrangeira e privada chamada Altice.

Os representantes do Estado Português, primeiros responsáveis pela segurança dos cidadãos que a esse Estado tributam, declaram, com ar extremamente sério e ministerial, que “o Regulador está no terreno a fiscalizar”, querendo com isso significar que a sua responsabilidade, atributo maior e indeclinável de qualquer governante, foi transferida para uma entidade abstracta e incognoscível criada para proteger o lucro da tal empresa privada.

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Alexandre Soares dos Santos, um comunista envergonhado?

ASSAC

Fotografia: Ricardo Castelo@Jornal de Negócios

Segundo o Expresso, o patrão do Pingo Doce “considera que a atual solução governativa “não é má” para Portugal“. Analisadas à lupa da nova direita radical portuguesa, tais declarações indiciam a possibilidade de Soares dos Santos ser um perigoso comunista. E a julgar pela foto em cima, deve andar a soldo do Costa. Quem diria que o camarada dos supermercados era adepto do estalinismo?

Coisas do diabo

PPC

Fotografia: Rafael Marchante/Reuters@Dinheiro Vivo

Como explicar a instalação de um centro tecnológico da Google em Portugal, bem como o anúncio do Bispo Cosgrave de que outros gigantes do sector se seguirão, à luz da filosofia política passista que versa sobre os investidores que não investem em países governados por bloquistas e comunistas? Só pode ser coisa do diabo.

A Geringonça é cruel e detesta o Natal

Longe vão os tempos em que o regime venezuelano cultivava boas relações diplomáticas com Portugal. Dos Magalhães vendidos por Sócrates a Chávez aos abraços fraternos entre Portas e Maduro, a relação entre os dois países era cordial e fecunda. Quando o golpe de Estado de Novembro de 2015 levou o totalitarismo soviético ao poder no nosso país, as perspectivas de um aprofundar desta relação eram legítimas e fundadas. Tinha tudo para dar certo e havia até quem por cá quem defendesse que estávamos perante regimes idênticos. [Read more…]

Caracas invade o FMI

ou algo assim do género, com totalitarismos e cenas comunistas à mistura.

Assis, perdão, Manuel Alegre dixit

“Sou defensor da geringonça. Mas não é aceitável ter uma situação em que há dois partidos [BE+PCP] que passam a vida a dar lições de moral a um outro [o PS], que as recebe, calado”

O Irrevogável e a Geringonça

Imagem via Geringonça

A 21 de Junho de 2011, Paulo Portas assumia oficialmente as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo liderado por Pedro Passos Coelho, fechadas que estavam as negociações entre os dois partidos, que resultaram na atribuição de três ministérios aos centristas: para além do já referido Ministério dos Negócios Estrangeiros, Assunção Cristas assumia a tutela da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do território, e Pedro Mota Soares ficava com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.

Tudo corria de feição, com privatizações a rodos, aumentos gorduchinhos de impostos, listas VIP e vistos dourados para qualquer mafioso que quisesse “investir” no país. Havia tachos para todos os boys e ia-se alegremente além do exigido pela Troika, que aquilo era uma data de bons alunos, com excepção do Relvas e do Passos, o primeiro pelos motivos que todos sabemos, o segundo porque andava muito ocupado a colar cartazes na década de 80 e só lhe deu para estudar no final da década seguinte. Prioridades. [Read more…]

Pós-Geringonça

A partir da nomeação de Centeno para a presidência do Eurogrupo, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista passam, na verdade, a negociar com a Alemanha.

Previsões da OCDE que não interessam

antecipam um crescimento da economia portuguesa superior à média da zona euro em 2017, 2018 e 2019. Belzebu não facilita.

A “opinião que conta” para quem gosta de comer gelados com a testa

Video: Luís Vargas@Geringonça

Obrigado, Marques Mendes. Nunca mudes!

O governo da Geringonça

O Governo da Geringonça revelou ser o governo da Troika. A “devolução de rendimentos” é a reversão do “além da Troika”. O que temos, no final de contas, é uma abstenção violenta e uma gigantesca acção de propaganda que se destinou a inscrever na ordem do quotidiano e do senso comum aquilo que há poucos anos era, para a chamada “esquerda”, uma agressão externa intolerável.

Exéquias da Geringonça

A Geringonça está em câmara ardente e aguarda-se o seu enterro para o dia em que for eleito o novo líder do PSD.

Os acordos à esquerda estão esgotados, tendo sido atingido o limite que o PS estava disposto a tolerar para garantir a maioria parlamentar que sustenta o governo.

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Mutus Liber

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The Geringonça – Coreia do Norte connection

Fotografia: KCNA/Reuters

Podia ser o título de uma daquelas páginas alucinadas de Facebook, inspiradas pelo trabalho não menos alucinado dos spin doctors espirituais da alt-right tuga, controladas por personagens sinistras, afectas à ala mais radical que se instalou na cúpula do PSD, mas não é. Sou apenas eu, que sou um simples parvo, a criar uma conspiração baseada na conspiração do momento, alimentada e promovida pelos mesmos marmanjos que deram ao país grandes êxitos como a lista alternativa de vítimas mortais dos incêndios de Pedrógão. Vocês sabem quem eles são. [Read more…]

Da série “O aumento do SMN que nos há-de lançar no abismo”

Taxa de desemprego cai para 8,9% da população activa, o valor mais baixo desde Novembro de 2008. Entre outras coisas.

A censura e outros totalitarismos da Geringonça inquisitória

Vivem-se dias de terror nesta pátria totalitária à beira-mar plantada. O advento da Geringonça trouxe consigo muitas maleitas, que fariam a Santa Inquisição corar de vergonha, e já ninguém está seguro. A censura é apenas uma das muitas faces do terror da impune revolução socialista. Ou estás com os estalinistas, ou serás perseguido e ferozmente punido.

Enquanto escrevo estas linhas, a imprensa livre no exílio reporta a prisão de inúmeros jornalistas e cronistas portugueses, havendo relatos que nos chegam desde a reactivada prisão de Caxias, onde grandes heróis da democracia contemporânea como José Manuel Fernandes, Camilo Lourenço, Rui Ramos, José António Saraiva ou David Dinis são sujeitos às mais bárbaras práticas de tortura. [Read more…]

Sai da frente, Passos!

via Geringonça

A Geringonça acabou

Entrevista de Mariana Mortágua ao DN:

(DN)Concorda com a recomendação da CIG para a retirada dos materiais, que a Porto Editora acatou?

  • Lá está: lamento que isto tenha de ser uma polémica. Se a CIG existe tem de ter um papel activo. E acho que cumpriu o seu papel: identificou material educativo com elementos sexistas e recomendou que fosse retirado. Para que crianças de quatro anos não fossem expostas a um material que achamos que não cumpre os critérios.

(DN)Bom, sexista pode-se ser.

  • Não vou prender ninguém por ser sexista, tem-se a liberdade de o ser. Mas há uma diferença entre a liberdade de ser e a de exercer.

Foi bom enquanto durou, mas a Geringonça acaba aqui. Na fronteira da Liberdade.

8,8%

Foto: Lusa@Dinheiro Vivo

é o valor em que se fixou a taxa de desemprego no 2º trimestre de 2017. Falamos de um recuo na casa dos 19% face a período homólogo (10,8%), 13% quando comparado com o primeiro trimestre do ano (10,1%). A catástrofe é tal que, para atenuar a carga negativa desta posta, citarei esse jornal esquerdalho que é o Expresso:

Estes números significam que o crescimento do emprego líquido ultrapassou a redução do desemprego, indicando que se está a ir buscar pessoas à emigração (regresso de emigrantes portugueses ao país) ou à inatividade.

E pronto, agora é esperar pela chegada do Diabo, que segundo informações avançadas pelos papagaios do líder da oposição deve estar mesmo mesmo para chegar. E ter medo, que isto não vai lá com gente de tomates.

Com a Geringonça, até os milionários ficam mais milionários

Cartoon via Definitely Maybe

Milionários, não desespereis! Com a Geringonça não é só devolver rendimentos, reduzir o desemprego ou controlar o défice. Com a Geringonça, os milionários também podem ficar ainda mais milionários. Sim, mais milionários! Foi exactamente isso que aconteceu com o top 25 dos mais abastados portugueses, que ao longo do último ano viram as suas fortunas combinadas crescer 3,8 mil milhões de euros, a uma média de 10,2 milhões de euros por dia. [Read more…]

António Costa

Do ponto de vista político, não há muito de que António Costa se possa queixar. Houve um conjunto muito significativo de pessoas que fizeram tudo o que estava ao seu alcance  para que ele pudesse chegar a Primeiro Ministro de Portugal.

O que se exigia a Antonio Costa é que revertesse o caminho percorrido durante os quatro penosos anos de governo PSD/CDS, ao longo dos quais o povo português experimentou um modelo político de tortura social, fundado na mentira, na manipulação e no mais perfeito desprezo pelo sofrimento humano. Não se pedia a António Costa que fizesse diferente. Exigia-se que o fizesse.

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António Costa ou a cobardia na luta contra os poderosos

Não me custa admitir que António Costa nasceu para governar. Ali é que ele se sente bem. Todos nos lembramos quão desastrosa foi a sua prestação como líder da Oposição, ao ponto de conseguir perder as eleições para um Governo miserável que vinha de 4 anos de Troika.
A constatação deste facto não me leva a sentir maior simpatia por ele. Pelo contrário. Não gosto de António Costa e gosto ainda menos do PS, um Partido que desde o início traiu a sua matriz ideológica. O facto de estar neste momento aliado à Esquerda é puramente circunstancial. Era a única forma que o primeiro-ministro tinha de chegar ao poder e salvar a sua carreira política. Da próxima vez, se necessário for, aliar-se-á ao CDS com o mesmo à-vontade e com o mesmo sorriso cínico de sempre.
Apesar de tudo, ao votar no Bloco, contribuí para a actual solução governativa. Não me arrependo porque, no fim de contas, a alternativa passista seria bem pior. Mas não escondo que esperava muito mais de um Governo que se ancora nos Partidos de Esquerda e que precisa deles para desenvolver as suas políticas.
A política energética e as rendas excessivas da EDP são um bom exemplo. Como é que não se consegue cortar um cêntimo que seja nestas rendas escandalosas? Foi o PS que as criou, é o PS que tem rectificar o erro e acabar com elas. Ou a coragem de lutar contra os poderosos e os grandes grupos económicos esgotou-se toda com a questão dos colégios privados? [Read more…]

A “descentralização” como estratégia de privatização do Ensino Público

A proposta do governo que visa “descentralizar” recursos e competências do Sistema de Ensino público, entregando às autarquias “tudo menos professores e escolas da Parque Escolar” (DN), é algo extremamente preocupante e muito mais grave do que a polémica e aparentemente extinta questão dos contratos de associação.

Desde logo porque falta às autarquias a habilitação técnica, operacional, estrutural e democrática para assumir este nível de responsabilidade, e está colocada em causa a qualidade da Escola Pública, a sua gestão democrática, transparente e plural e, por essa via, o futuro do próprio país. O escrutínio da actividade autárquica, lugar privilegiado para o alastramento da corrupção, da opacidade e das redes de tráfico de influências, é extremamente difícil e limitado, sendo frequentes os casos de total impunidade ante comportamentos contrários à democracia, à “ética republicana” e, por vezes, à própria lei .

Finalmente, porque o verdadeiro objectivo desta proposta do governo é que os recursos e as competências “descentralizadas” vão parar às mãos das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) que gravitam em torno de algumas Câmaras Municipais e dependem, em grande medida, não só dos orçamentos municipais, mas do poder de influência que detêm junto dos aparelhos partidários locais e dos próprios executivos camarários.

Ou seja, sob o disfarce de uma pretensa “descentralização” de recursos e competências, assiste-se, na verdade, à privatização do Sistema Público de Ensino.