Ortografia à bruta

Deus morreu, Marx também e o Benfica não se sente muito bem, diria Woody Allen, se fosse benfiquista e não hipocondríaco. O atropelamento sofrido pelo clube da Luz em Basileia deixou sequelas e o facto de Rui Vitória ter interrompido inopinadamente uma conferência de imprensa pode ser uma manifestação dessa dor, porque, na verdade, é difícil articular quando se está magoado.

Sendo eu benfiquista, ou por ser benfiquista, como qualquer adepto de qualquer clube, tenho sempre a secreta esperança de que amanhã tudo pode melhorar e lembro-me de derrotas copiosas que até acabaram em campeonatos. Enfim, a esperança é a última a morrer, enquanto for matematicamente possível, não podemos baixar os braços e temos de levantar a cabeça. [Read more…]

Uma ortografia defectível

indefectívelNum manual de Português de 9º ano, reencontro o poema “Uma pequenina luz”, de Jorge de Sena. O manual, evidentemente, segue (ou tenta seguir) o chamado acordo ortográfico (AO90). Reparo que os vv. 21 e 28 contêm o adjectivo “indefectível”, assim mesmo, com C. Como sempre articulei aquela consoante, pareceu-me óbvio que ali se mantivesse, porque, segundo o espírito do AO90, consoante articulada é consoante grafada.

Um estranho instinto, um não sei quê, fez-me consultar, em primeiro lugar, o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Como se pode ver, pela imagem acima, o C articula-se. Na“Introdução” do referido dicionário, ficamos a saber que todas “as entradas lexicais apresentam transcrição fonética, dada entre parênteses rectos, segundo a norma culta, aproximada, de Lisboa e Centro do país […].” Fiquei mais descansado: a minha articulação era culta. [Read more…]