Sobre a normalização da brutalidade nos EUA

Nos EUA, uma criança de 11 anos foi apanhada a roubar comida num supermercado. Perante tão hediondo crime, qual foi a solução encontrada pelo segurança do estabelecimento, que por acaso também é polícia? Parar a perigosa delinquente com o seu taser. Sim, é mesmo verdade: um agente da autoridade norte-americano achou que a solução para aquele grande assalto era uma violenta descarga eléctrica numa criança de 11 anos, uma descarga eléctrica que poderia ter sido fatal.

Podia voltar a lógica de uma publicação que fiz ontem, e perguntar como reagiria o mundo dito civilizado se um incidente destes tivesse acontecido, por exemplo, na Rússia. Estaríamos, muito provavelmente, a generalizar e a discutir práticas totalitárias dos perigosos comunistas que há décadas deixaram de o ser. Mas estou mais preocupado com o que se está a passar nos EUA, onde a brutalidade se está a normalizar a um ritmo alucinante. Onde, entre outras maravilhas da era Trump, é hoje legalmente possível fazer armas de fogo com uma impressora 3D, fora do controle das autoridades. E verdadeiramente assustado com a possibilidade de ver estas monstruosidades serem exportadas para a Europa, para gáudio dos Orbáns e Salvinis desta vida.

Ortografia à bruta

Deus morreu, Marx também e o Benfica não se sente muito bem, diria Woody Allen, se fosse benfiquista e não hipocondríaco. O atropelamento sofrido pelo clube da Luz em Basileia deixou sequelas e o facto de Rui Vitória ter interrompido inopinadamente uma conferência de imprensa pode ser uma manifestação dessa dor, porque, na verdade, é difícil articular quando se está magoado.

Sendo eu benfiquista, ou por ser benfiquista, como qualquer adepto de qualquer clube, tenho sempre a secreta esperança de que amanhã tudo pode melhorar e lembro-me de derrotas copiosas que até acabaram em campeonatos. Enfim, a esperança é a última a morrer, enquanto for matematicamente possível, não podemos baixar os braços e temos de levantar a cabeça. [Read more…]