O discurso das Caldas de Aguiar Branco

Aguiar Branco decidiu contestar os destaques da imprensa ao seu discurso no dia do Exército, nas Caldas da Rainha, o dos comentadores das gravatas azuis e casacos cinzentos. Está no seu direito. Até acredito quer o faça por só o ter lido uma vez e em público.

O problema é que está lá literalmente escrito (ler pdf):

O nosso maior adversário é o sentimento, inegavelmente crescente, de que as Forças Armadas, num contexto de carência geral, não são necessárias
Uma visão que, infelizmente deixou de estar limitada a uns quantos idealistas mas que passou a ser defendida, também, por comentadores de fato cinzento e gravata azul. [Read more…]

Os problemas de comunicação do governo

Por muito que queiramos (ou quiséssemos) olhar para os políticos como casos individuais, o seu comportamento é demasiado estereotipado para que o mereçam, tornando, por exemplo, as Farpas queirozianas textos infelizmente intemporais, tal é a triste semelhança entre os politicotes da Regeneração e os espécimes ministeriais nossos contemporâneos.

Sempre que algum aspecto da governação suscita crítica ou revolta, lá surge um sequaz do governo a choramingar que os ataques resultam da dificuldade em explicar as medidas. Na realidade, o governante limita-se a agredir o cidadão, esperando que este compreenda que o soco que lhe acerta na queixada é, afinal, beijo apaixonado, manifestação evidente de um amor mal compreendido. No fundo, o governo pouco difere do perpetrador de violência doméstica que explica à vítima que a quantidade de porrada é directamente proporcional à paixão. [Read more…]

Com os militares, o Branco fica mais branco

omoSeparemos as águas, da complicada barrela. A nível macroeconómico, uma crise financeira é indissocialvelmente política. Para combater o depauperamento financeiro, os governos poderão ser mais ou menos socialmente justos nas medidas políticas e, sobretudo, na equidade dos sacrifícios.

Colidir com interesses de grupos socioprofissionais organizados e sólidos, é mais difícil do que atacar o povo anónimo, disperso e aglutinado de forma inorgânica. Que manifesta indignação nas ruas, mas não é piegas. Vocifera e não entoa lamechas, nem é medricas.

Separemos, então, as águas de tal barrela, através de um processo de decantação. Da mistura heterogénea, retiremos a instituição militar que, pelo poder tradicional de que usufrui, se torna num corpo cujo manuseamento cuidadoso é recomendável aos governos.

O Ministro da Defesa, Aguiar-Branco, acusa os oficiais das Forças Armadas de instrumentalização, em reacção à carta aberta da AOFA – Associação dos Oficiais das Forças Armadas. Na defesa da tese da instrumentalização, o ministro, embora negando comentar, lá foi dizendo:

Eu não argumento quando se pretende fazer política com as Forças Armadas. Até do BPN se fala nessa carta.

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