10 de Junho, um outro discurso

João Paulo Correia

É evidente que o discurso do 10 de Junho poderia ter sido outro, que não aquele que foi. Poderia ter subido ao palanque um “homem de esquerda”, daqueles extremamente anti-fascistas e solidários, com o coração cheio de amor ao próximo e a justiça social transpirando de cada palavra. Como o deputado João Paulo Correia, por exemplo. Um tribuno “socialista” à moda antiga, que consegue ser vice-presidente da sua bancada parlamentar, deputado municipal em Gaia, presidente de uma junta de freguesia que fica a trezentos quilómetros de Lisboa, presidente de um clube de futebol (até Julho do ano passado) e ainda ter tempo para umas comissões de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Imagino assim o solene e patriótico panegírico do senhor deputado:

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Conservador mais conservador, não há!

Melania-Trump

Os canais de informação portugueses estão a passar incessantemente o discurso da senhora Trump, uma modelo eslovena (irónico) com idade para ser filha do lunático, que pouco mais fez que ler um plágio do discurso de Michelle Obama em 2008. Deve ser uma existência interessante, a de uma modelo emigrante casada com um fundamentalista anti-emigração, cuja existência não deverá ir muito além de centros comerciais, cocktails interessantíssimos e roupas chiques a valer, tudo isto na companhia dos amigos racistas e xenófobos do marido, entretidos a fazer piadas sobre muros e emigrantes corridos ao biqueiro. O botox até estala mas a malta agradece. Na ausência de um discurso sensato e mentalmente são, teremos sempre as curvas da única potencial próxima primeira-dama do centro do império para nos distrair. A seita do chá deve estar a adorar. Conservador mais conservador, não há!

Truman Show

the-truman-show

 

O cerco que Portugal vive é, em grande medida, não subestimando, necessariamente, os problemas concretos que afectam a Economia e as Finanças, um cerco discursivo.
Tão longo e bem urdido foi o labirinto do discurso no qual o país se viu perdido, que a clausura atingiu a própria cognição, a mera capacidade de pensar e conhecer, tal como se espera, aliás, da acção de qualquer mantra convenientemente ritualizado.

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Cavaco Silva, o rancoroso líder da oposição

Cavaco Sistino

O dispendioso monarca de Belém relembrou ontem os portugueses que mais do que um indivíduo a brincar aos presidentes da República, Cavaco Silva é uma espécie de presidente do conselho que ainda recebe visitas apesar de já não mandar nada. Aterrado pelo afastamento do delfim Coelho, Cavaco regressou aos discursos marcados pelo ressentimento e não perdeu a oportunidade de avisar António Costa de que apesar de não poder dissolver o Parlamento, ainda dispõe de alguns poderes, referindo-se obviamente à possibilidade de demitir o governo e vetar, por exemplo, o Orçamento de Estado. Cavaco fará o que estiver ao seu alcance para dificultar a vida do novo governo. O rancor, que como sempre se sobrepõe ao interesse nacional, a isso o obriga. [Read more…]

Um presidente zangado

Ainda não tinha ouvido Cavaco a dizer o que disse. Já conhecia o tom azedo da escrita, mas agora vi-lhe a zanga que lhe vai nas palavras. Cavaco ralhou. Só não espumou porque a declaração não foi longa o suficiente.

Eis, em 18 palavras, o discurso que criou a primeira crise política da presente legislatura.

discurso cavaco indigitação passos coelho

Tanta boca cheia de consensos e estabilidade, para agora ser um catalisador desta enorme divisão na sociedade.

Tudo pela nação, nada contra a nação

Cavaco

O Presidente da República tem toda a legitimidade para interpretar os resultados das eleições e tomar as decisões que lhe competem em conformidade com essa interpretação e com a lei. Não me choca, por isso, que Cavaco Silva tenha indigitado Pedro Passos Coelho. Até porque, sejamos sérios, por maior que seja a vontade de PS, BE e CDU de chegar a um entendimento, a verdade é que esse entendimento não foi ainda oficializado e na prática não existe. [Read more…]

O presidente de alguns portugueses

cavaco_bolo_rei
A decisão de Cavaco é aceitável. Encarregar de formar Governo o líder do Partido mais votado, mesmo que não se concorde, é uma solução normal.
O discurso, esse, é completamente inaceitável. O presidente da República de todos os portugueses faria este discurso. Mas Cavaco nunca foi o presidente de todos os portugueses e, como tal, entendeu que seria o momento mais adequado para atacar selvaticamente uma parte do eleitorado que, apesar de tudo, representa 20% dos portugueses que votaram. Não lhe bastava dizer que dava posse a Passos Coelho porque a Coligação teve mais votos, era-lhe necessário demonizar o Bloco de Esquerda e o PCP e entrar num registo de «líder de facção» que chega a apelar à rebelião de deputados eleitos. Esquecendo-se que aqueles que não votaram nele são tão portugueses como os seus portugueses.
Se eu fosse deputado socialista e estivesse tentado a deixar passar o Programa do Governo PSD, ontem tinha mudado de opinião.
Nos últimos anos, Cavaco andou a encher a boca de bolo-rei e de estabilidade. Engoliu um e outro com a mesma convicção. Vê-se agora, ao preferir dar posse a um Governo minoritário e ao humilhar uma franja importante do eleitorado, o que ele pensa da estabilidade. Pensa, obviamente, aquilo que der mais jeito aos seus portugueses.
Seja como for, os dados estão lançados e, agora, chegou a hora da Esquerda. PS, Bloco e PCP devem votar contra o Programa de Governo sem qualquer hesitação. Mais: devem apresentar uma alternativa maioritária sólida que garanta a estabilidade parlamentar e um Programa de Governo que diga, preto no branco, que Portugal não vai sair da NATO nem da Zona Euro, que reconhece o Tratado de Lisboa, o Tratado Orçamental, a União Bancária e o Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Só para ver quais os argumentos que Cavaco vai utilizar a seguir para manter Passos Coelho no poder.

Hammerfest, 1945

Ecos de um discurso vácuo e a memória de uma eleição extraordinária – a ler.

O discurso de Mujica na Onu

Completo. Ler ou ver aqui.

Está bem, abelha…

“Poiares Maduro. Governo tem feito tudo para evitar segundo resgate”

OK, assim já se começa a perceber melhor a hipótese de um segundo resgate.
Entre o discurso e pose do tipo Calimero e a verborreia do “trabalho bem feito”, está tudo dito.

Delmira Figueiredo

coragemEu posso responder por ele, Delmira?

Ele tem consciência. Não pode haver dúvidas quanto a isso. É intencional o ataque desta gente à Escola Pública. Tal como é intencional o ataque ao Sistema Nacional de Saúde e à Segurança Social.

Faz parte da estratégia desta gente estragar, até ao limite do impossível, tudo o que há de bom na escola. Eles não suportam a Escola Pública de sucesso.

São de Direita e isso, no nosso país, significa, estar do lado errado da história!

Sérgio Niza explica:

“Este ministro aparenta estar absolutamente convencido de que está a fazer o melhor, mas ele não é um homem da educação. Até presumo que tenha sido escolhido por ser um bom comunicador político – ele tinha uma receita conservadora de reforço do ensino tradicional, e conseguiu passá-la nos media – e é economista com especialização em estatística – o que é importante para fazer contas e tornar a educação mais barata. Infelizmente, o senhor ministro não tem uma cultura acrescentada sobre a escola nem um conhecimento, para além do senso comum, sobre educação” (revista A página)

O governo Monti Papademos de Aníbal Cavaco Silva

cavaco-silva-roteiros-7Cavaco Silva mandou fazer um governo Monti Papademos, ainda não sabemos quem será o infeliz contemplado.

Cada país tem o seu pot-au-feu, variam os ingredientes mas o cozinhado é o mesmo: colocam-se numa panela e fervem em água.

A receita grega transformou o anterior partido no governo em quase nada, colocou a esquerda à beira do poder e a Alemanha a interferir descaradamente em eleições internas; a italiana fez de um novo partido populista (muito pior do que pensava) um vencedor inesperado. O cozido será à portuguesa mas dificilmente ficará longe do mesmo resultado: uma razia nos partidos arqueiros, ora intimados a entenderem-se sob a tutela de uma “personalidade”, eufemismo para um cavaquista qualquer.

Teremos portanto um governo mais ou menos medino mas seguramente carreirista, e a aplicação do permanente discurso anti-políticos do mais politiqueiro dos políticos portugueses, Aníbal de seu nome.

Os idiotas que se têm proclamado contra a “classe” política, misturando todos os partidos no mesmo saco, têm agora a sua oportunidade. Tenha a esquerda juízo, e por esquerda entendo também os deputados do PS que ontem não votaram com a troika, e a coisa promete. Guardado está o bocado.

Diácono C. Silva

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Ó meuszzz amigoszzz. Eu já vos dixezzz para terem juíxinho ou levam tau-tau. Depoiszzz não venham dizer que não os avixeizzz.

Alguém, por caridade, pode avisar o inquilino do Palácio de Belém do quanto patético está ser? E que semi-presidencialismo não equivale a meio presidente?

Já agora, que se está numa onda de recados, que digam a Esse Que Não É Nada Panhonha (atenção à regra n° 1 da política: dizer o contrário do que se pensa), dizia, digam-lhe que o Sr. C. Silva só tem um partido, ele mesmo, como de resto se percebe de um discurso onde dá uma no cravo e outra na ferradura, isto nos intervalos em que deixa umas larachas para mais tarde se justificar com o habitual “já vos tinha avisado”.

Tristes.

A miséria da política

O acontecimento – Passos Coelho fez hoje o mais repelente e imaturo discurso de que me lembro por parte de um primeiro-ministro do Portugal democrático. Depois de afirmar, com ar beato e bem comportado, a sua obediência às deliberações do Tribunal Constitucional, gastou o resto do discurso a ameaçar precisamente o contrário.

Num patético espectáculo de vitimização, procurando, como um garoto, culpados para os resultados da sua desgraçada governação, atribuiu todos os males que nos afligem e virão a afligir ao dito Tribunal, o qual se limitou, fundado em princípios perfeitamente básicos de qualquer estado democrático – nenhuma democracia deixa de ter nos seus fundamentos os princípios da igualdade e da proporcionalidade -, a confirmar a inconstitucionalidade de normas que consensualmente se sabia que o eram – até Cavaco Silva que, por isso, pediu a sua apreciação (como tal, implicitamente, o PR não se livra de estar incluído no sujo e injusto ataque ao TC).  [Read more…]

Resumindo o discurso de Passos Coelho

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Estou no pote, agarrado ao pote e não largo o pote.

O discurso de António Marinho Pinto na abertura do Ano Judicial

Exmo. Senhor Presidente da República
Exmo. Senhor Vice-Presidente da Assembleia da República em representação da Senhora Presidente da Assembleia da República
Exma. Senhora Ministra da Justiça em representação do Senhor Primeiro-Ministro
Exmo. Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal Constitucional
Exmo. Senhor Presidente do Supremo Tribunal Administrativo
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Contas
Exma. Senhora Ministra da Justiça
Exmos. Senhores Vice-Presidentes da Assembleia da República
Exmos. Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares
Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Exmo. Sr. Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Exmo. Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa
Demais Convidados
Senhores Magistrados
Caros Colegas
Minhas Senhoras e meus Senhores
Este é o último ano em que, em representação dos advogados portugueses, discurso nesta cerimónia.Uma cerimónia que, formalmente, é organizada em conjunto por este tribunal, pela Procuradoria-Geral da República e pela Ordem dos Advogados a que presido.

Este é, pois, um local comum às três principais profissões forenses.

Este Supremo Tribunal de Justiça é, pelo menos neste dia, a verdadeira Casa da Justiça portuguesa. [Read more…]

De pernas para o ar

Os dias que desembocaram no 5 de Outubro de 2012 foram um verdadeiro fim de festa, com acontecimentos e pormenores que por muito tempo ficarão na memória do povo.

Começou com António Borges, um homem de mão do Goldman Sachs, a passar rodas de “ignorantes” aos empresários, com a desfaçatez  de quem considera Miguel de Vasconcelos um menino de coro se comparado com a sua pessoa. Logo depois Victor Gaspar  anunciou medidas de austeridade tais que pulverizam a classe média e empurram Portugal para o abismo. E fê-lo raivosamente, como quem atira pedras aos governados, a dar-se ares de pimpão, respaldado pelo Moedas do Goldman Sachs. Logo depois, no debate parlamentar, quando um deputado do PC lia a carta do líder do CDS aos seus militantes condenando a austeridade excessiva, Passos Coelho e Relvas, ao lado de um Paulo Portas calado e cabisbaixo, e de um Álvaro amarrotado como um papel sem préstimo, riam-se sem pudor nem maneiras. Foi uma cena de inacreditável baixeza. [Read more…]

Magnífico Reitor

Discutível mas imperdível, o discurso na Abertura Solene das Aulas de João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra.

Os problemas de comunicação do governo

Por muito que queiramos (ou quiséssemos) olhar para os políticos como casos individuais, o seu comportamento é demasiado estereotipado para que o mereçam, tornando, por exemplo, as Farpas queirozianas textos infelizmente intemporais, tal é a triste semelhança entre os politicotes da Regeneração e os espécimes ministeriais nossos contemporâneos.

Sempre que algum aspecto da governação suscita crítica ou revolta, lá surge um sequaz do governo a choramingar que os ataques resultam da dificuldade em explicar as medidas. Na realidade, o governante limita-se a agredir o cidadão, esperando que este compreenda que o soco que lhe acerta na queixada é, afinal, beijo apaixonado, manifestação evidente de um amor mal compreendido. No fundo, o governo pouco difere do perpetrador de violência doméstica que explica à vítima que a quantidade de porrada é directamente proporcional à paixão. [Read more…]

O discurso de António Sampaio Nóvoa no 10 de junho

Um claro erro de casting. É certo que ninguém ouve os discursos no dia 10 de junho, mas este já é um vírus a massacrar os que o convidaram.

Diferenças de discurso

Já aqui declarei a minha convicção de que “o cargo de presidente dos EUA depende pouco da pessoa que o exerce“.

No entanto, e no plano simbólico do discurso político, registo as palavras de Barack Obama ontem à noite perante o Congresso americano

“nenhum desafio é mais urgente” e “nenhum debate mais importante” do que a desigualdade económica, “num país onde um número cada vez menor de pessoas vive muito bem, enquanto um número crescente de americanos mal consegue subsistir”.

lançando um novo apelo ao aumento dos impostos pagos por milionários.

Em Portugal, onde que os defensores mais acérrimos do neo-ultra-liberalismo estão sempre dispostos a apontar os EUA como grande exemplo matricial, estou seguro de que estas palavras do presidente americano passarão completamente ao lado e serão levadas pelo vento.

Além disso, Obama fez o que por cá o PR também pretendeu e deu o seu próprio exemplo, mas não nos mesmos termos. Se Cavaco Silva acha que também ele é penalizado ao ponto de se queixar disso e de tentar tapar o sol com uma peneira, Obama afirmou

Precisamos de reformar o nosso código fiscal para que pessoas como eu e muitos membros do Congresso paguem a sua justa fatia de impostos

e acrescentou que [Read more…]

Apologia de Sócrates: o discurso

Feita pelo próprio, como é costume. Pode ouvir-se aqui.

Retenho uma afirmação: “O país não ficou sem governo.” Finalmente, Sócrates revela clarividência: não se pode ficar sem aquilo que não se tem.

O discurso na íntegra de Marinho e Pinto

Entre outros documentos, o discurso de Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, na sessão de abertura do ano judicial, na sua versão integral, poder ser lido e escutado na sua página do facebook.

O Discurso do Presidente, com Anos de Atraso

DÉCADA PERDIDA
O senhor Presidente de Portugal tomou ontem posse.
Por essa razão fez um discurso, e a maioria dos comentadores entendeu que foi arrasador para o governo que nos governa, tendo acabado com a cooperação institucional.
Ora se foi assim, e ouvido o discurso, foi assim mesmo, pergunto-me o que terá mudado para que tal tenha acontecido. Ainda não há muitas semanas, a cooperação existia e ninguém queria arrasar qualquer outro ninguém, e os pressupostos agora apresentados já são de todos conhecidos há muitos meses, tendo vindo muitos dos alertas do Banco de Portugal e muitos outros de todos nós, as variadíssimas gerações de rascas e à rasca.
O que mudou foi o mandato do Presidente. Estamos no segundo e último, e durante o primeiro não convinha fazer muitas ondas para assegurar o segundo. Tem sido assim desde há muitos anos. Todos os Presidentes pós revolução assim procederam. Um primeiro mandato frouxo e amorfo e um segundo interventivo.
Falou o de novo Presidente numa década perdida. Não me posso esquecer que dessa década, metade do tempo tivemo-lo como Chefe. É co-responsável com este (des)governo por omissão, e agora, segundo mandato assegurado, quer remediar o erro propositadamente cometido.
Mas não me parece que tenha coragem para, assumindo o que disse deste governo, o despedir. Vai esperar que sejam os deputados da Nação a tomar essa medida.
E por este andar a década vai ter mais anos do que deveria ou poderia ter.
Para que serve então o primeiro mandato presidencial? Para que serve então ter um Presidente em Portugal? Para que nos serve esta República?

A caneta é mais forte do que a espada e o discurso é uma arma

Os discursos portugueses são catalisadores. Depois do episódio do ministro e secretário de estado lerem o mesmo discurso, é agora a vez de um ministro indiano sucumbir ao poder da palavra portuguesa.

Já era conhecido o caso da anedota mortal, tão bem documentada pelos Monty Python, que era tão mortífera que morreria de rir quem a lesse na totalidade. Foi arma de guerra contra os alemães, com exércitos inteiros a lerem apenas palavra a palavra e em alemão. Devastador.

Eis que agora, depois de darem mundos ao mundo, oferecem os portugueses mais este notável artefacto, saído direitinho das Novas Oportunidades: o discurso pega-monstro. Tal como esse brinquedo que se atirava às paredes e por elas escorria viscosamente, este género de discurso cola-se ao orador, levando as cordas vocais da vítima a proferir as palavras escritas.

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Prof. Dr. Engº José Sócrates

Com o curso tirado numa escola de grande reputação – A Independente – (nome apropriado tendo em vista a sua particular independência em relação ao conhecimento e ao mérito), o nosso primeiro e os seus ministros chamam empresários e economistas para lhes darem aulas de política e de empreendorismo!

Com um curriculum particularmente activo e com obra feita (vejam-se as famosas casas ) e com passagem na JSD, meteórica, é certo, mas de grande relevo, e na JS com êxito absoluto (chegou a secretário de Estado, a ministro e agora a primeiro-ministro), José Sócrates tem mais do que capacidade para dar lições a quem arrancou com empresas, vende para a exportação, paga a trabalhadores e ainda paga impostos!

Ontem, no CCB, chegou atrasado 45 minutos, sem um desculpem, avançou com um discurso que ninguém percebeu se se tratava do “seu sonho de menino” e, antes que alguém dissesse alguma coisa, arrancou como chegou e deixou toda a gente a falar sozinha.

O Dr. João Salgueiro ( um tipo que tirou o curso numa coisa que está instalada numa rua que se chama “Quelhas” o que diz tudo sobre a sua reputação), ainda foi dizendo que o sr primeiro-ministro tinha dado uma prova de grande orador, mas que  tinha falado de coisas que ninguem entendia, tal era a complexidade do tema e a originalidade!

À noite, no que já foi o “Prós e Prós e agora é o “Contra e Contra”, na RTP1, todos os que lá foram debitar assuntos sem interesse, disseram que não conheciam as matérias em que o governo é perito o que mostra bem o avanço civilizacional que, Portugal pobre e mal agradecido, não reconhece.

Entretanto, o ingrato e pouco reconhecido Constâncio já veio para aí dizer que “está muito pessimista”, eu percebi logo que se referia ao lugarzinho na Europa, era o que faltava quando o país vai de vento em popa, que a questão fosse os desempregados, a dívida e o déficite.

E é preciso que se perceba de uma vez por todas. O nosso défice é igual ao dos outros países, o endividamento também, por isso nada de chatear, porque a capacidade para  aumentar a riqueza para pagar isso não é igual, mas também não há pressa nenhuma em pagar.

Afinal, o que querem? Não andamos sempre com uma mão à frente e outra atrás?

O Discurso de Natal

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AINDA E SEMPRE O CALIMERO
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Não tenho tido vontade de escrever sobre política. A coisa é sempre a mesma e os nossos dirigentes todos a mesma trampa.
No entanto, pequei, e resolvi ouvir a mensagem de Natal do nosso maravilhoso líder, Sócrates II, O Dialogador.
As palavras estavam por lá, no discurso, mas a quererem dizer exactamente o oposto do que aprendemos na escola e no dicionário. Solidariedade e esperança, palavras sempre encontradas em qualquer discurso que se prese, em especial na época natalícia, pareceriam ao menos atento, palavras sérias e a mensagem de um Primeiro interessado e atento aos problemas do País. Mas não esqueçamos que estamos perante o mestre do disfarce, o perito do embuste, o cínico que pensa que é o maior, que é o mais inteligente e que é o detentor da verdade. O ar sofredor que adoptou, qual Calimero, e a face sem um sorriso para amenizar as palavras, ajudaram a criar um clima que lhe será cada vez mais adverso.
Já ninguém acredita que o investimento público possa trazer riqueza ao País, embora vá enriquecer alguns.
O discurso de ocasião, feita de promessas ocas, já não colhe, nem nos seus apoiantes. O seu partido anda perdido e sem saber já o que fazer com este personagem.
Um dia, Deus queira que muito próximo, para nosso bem, vai deixa-nos, e nessa altura poderá ser já tarde para uma recuperação, que outros encetaram já, enquanto nós nos continuamos a afundar.

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