Dia de Sobrecarga da Terra e terrorismo

„2 de agosto é o Dia de Sobrecarga da Terra deste ano, isto é, o dia no qual se esgotam os recursos naturais que o planeta consegue renovar numa volta ao Sol. Para chegar ao final do ano, havemos de gastar os recursos equivalentes a 1,7 Terras. Todos os anos desde que a estatística é calculada pela organização Global Footprint Network, a data vai-se antecipando a um ritmo lento — em 1971, o Dia de Sobrecarga foi a 25 de dezembro.

Todos os anos abusamos mais do Planeta até ao colapso. Abusamos? Quem é que abusa? Os ricos em primeiro lugar. O 1%, os 10%, os abastados de cada país. Os pobres poderiam gastar mais alguns recursos sem abusarem do Planeta. Especialmente os países do Sul global.

É inadmissível e imoral andarem ricaços em SUVs, topos de gama, iates, resorts e toda essa espécie de supostas luxuosidades a açambarcarem recursos e a produzir CO2 acima do que lhes cabe. E um exército de neoliberais a proclamar que o direito ao luxo é um direito humano. E governos cobardes e vendidos a dar aos ricos direitos e isenções especiais à custa do bem comum e a tudo submeterem a um mercado dominado pelo sector financeiro.

Extinction Rebellion é o nível mínimo de ataque adequado aos terroristas do Planeta e da Vida.

P.S. “Um estudo da Oxfam conclui: um bilionário é tão prejudicial para o clima como um milhão de pessoas” #TaxtheRich

Tão bem explicado que até eles entendem

é só para filhos de família que podem fazer mba’s muito selectivos onde se visitam os pobrezinhos nos seus habitats, aqueles pobrezinhos que só podem aspirar à mobilidade lateral que os leva a professores

AVC na cabeça dos outros é refresco

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João Luís Pinto defende a “liberdade” de uma empresa farmacêutica portuguesa (a Logifarma, que entretanto limpou o seu Facebook de críticas) reter um medicamento anticoagulante utilizado na prevenção de AVC. A ausência deste medicamento nas farmácias pode provocar mortes, mas provavelmente a Logifarma preferia o lucro acrescido de uma exportação.

Agora ficou indignado por eu ter sugerido que a ausência desse mesmo medicamento colocasse a sua própria vida em perigo. Para a turba de idiotas neoliberais  o facto de a indústria farmacêutica ter um procedimento criminoso é legitimo e normal, mandá-los provar do seu veneno é coisa do Maduro (sim, esse mesmo que acabou de ganhar eleições municipais na Venezuela, depois de combater a típica especulação e açambarcamento com que reage o grande comércio quando as coisas lhe correm politicamente mal).

Estamos esclarecidos. É mesmo de uma ideologia de assassinos que se trata.

Para a direita, as pessoas são números de circo

Na segunda-feira, um homem morreu à porta do Centro de Saúde de Castanheira de Pêra. Pode ler-se aqui um resumo da notícia do Público. Num país governado por gente responsável, mortes como esta seriam, no mínimo, menos prováveis. Em Portugal, os contabilistóides que querem criar uma nação sem Estado limitam-se a “reduzir custos”, a “racionalizar recursos”, contribuindo para uma economia florescente e para a diminuição da qualidade de vida das pessoas, que é outro nome para números. Percentualmente, que significado terá a morte de Albertino Pires Henriques? Se se tiver em conta que não chegou a ser atendido por um médico, o país terá poupado em mão-de-obra, o que será, com certeza, a alegria de um burocrata. [Read more…]