Al Jarreau (1940-2017)

A vida vai-me matando a adolescência ou, como teria dito o Manuel Dias, está a morrer uma data de gente que nunca tinha morrido. O cantor que era também músico: uma voz que falava, cantava e tocava, tudo ao mesmo tempo, em muitos géneros.

 

Madonna ama o pai

 

Andávamos na primária e a canção da moda começava com um bucolismo ingénuo – “Adoro o campo as árvores e as flores / jarros e perpétuos amores” – e depois adensava-se em enigmáticas referências à fauna do bas fond. A Sónia Maria perguntava-me:

–  Tu sabes o que são “pedrastas”?

E eu encolhia os ombros e respondia que devia ser uma espécie de pedregulho, qualquer coisa que se chuta e rola pela encosta.

Íamos completando as letras das canções de que gostávamos na sebenta, e cantarolávamos todo o dia, ainda longe dos walkmen e dos mp3 que me trouxeram tantas horas de felicidade, tão providencial consolo, e uma irremediável redução da capacidade auditiva. Fazíamos a coreografia do “Walk like an egyptian”. Cantávamos numa língua que soava a inglês mas não o era. Aliás, se alguma vez aprendemos inglês foi para entender as letras das canções, o resto foi ruído.

Bem, mas foi por então que apareceu o enigmático “Papa don’t preach”. Não sabíamos o que era “don’t”, muito menos “preach”. A “Papa” chegávamos e não levávamos a coisa para o Vaticano porque tínhamos visto o videoclip e percebíamos que não era por aí. Inglês só teríamos a partir do 5º ano, e se era certo que poderíamos perguntar a um adulto que entendesse alguma coisa, muito melhor era tentar adivinhar. O “preach” era particularmente intrigante. Não chegámos a nenhuma conclusão. Passaram os dias, já ouvíamos outras canções, quando a Sónia Maria aparece triunfante, com uma foto da Madonna recortada da Bravo, e com os olhinhos brilhantes sob a franjinha que sempre lhe conheci. [Read more…]

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO 2010 Fev #12:

Desta vez trago mais três novos lançamentos, sendo um deles um caso muito especial.

Assim, temos os Midland (The Courage of The Others) e Hot Chip (One Life Stand). Não posso deixar de sublinhar o regresso dos grandiosos Tindersticks (Falling Down a Mountain) com direito a concertos em Portugal. Há uns anos assisti a um concerto de Stuart Stample e sua banda no Coliseu, uma coisa de outro mundo. Memorável.

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Adequada ao momento: Is There Nothing We Can Do?