Efectivamente, ninguém a pára

Not all these concepts are attested in every Oceanic language, but enough traces exist to enable linguists to follow the trail.
— Christina Thompson, Sea People

She can’t be stopped.
— David Letterman

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Até o Expresso, esse paladino do Acordo Ortográfico de 1990, sabe que o dito cujo é ridículo.

Perante esta recaída, percebe-se que, com um bocadinho de coragem, decência e competência, o Expresso e a Lusa acabam com esta farsa num instante.

Exactamente.

Ninguém a pára.

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Música: a rainha de Inglaterra faleceu e o Expresso esqueceu-se da Madonna

Eis a lista com a Madonna. A Madonna é excelente, como sabemos. Na lista do Expresso, infelizmente, falta a Madonna. Não fui só eu a dar por ela.

A 1.ª Lei da Termodinâmica e o Paradoxo de Fação

Physical attraction 
It’s a chemical reaction 
It’s a physical attraction 
Sweet satisfaction
— Madonna

Tezeo. Vem a meus braços, fiel amigo, e releva-me o errado conceito, que de ti formei.
— António José da Silva (O Judeu), “O Labirinto de Creta”

So when it was time to register for the [Spanish] class, we were standing outside, ready to go into the classroom, when this pneumatic blonde came along. You know how once in a  while you get this feeling, WOW? She looked terrific. I said to myself, “Maybe she’s going to be in the Spanish class —that’ll be great!” But no, she walked into the Portuguese class. So I figured, What the hell­­—I might as well learn Portuguese.
— Richard Feynman

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Há uns tempos, estive para escrever algumas linhas sobre estas intervenções de políticos (do PSD). Naquela altura, uma delas deixara no ar a probabilidade quer de o secretário de Estado da Energia (do PS) desconhecer, por exemplo, a 1.ª Lei da Termodinâmica, quer de essa lacuna o desqualificar para o cargo. Acabei por não escrever as linhas, mas ri-me. Contudo, o meu riso não foi motivado pelos comentários. Antes pelo contrário. Ri-me, isso sim, do ensurdecedor silêncio. O ensurdecedor silêncio dos políticos do PSD, dos políticos portugueses em geral e da população portuguesa activa nos meios de comunicação social e nas redes sociais, aquando do “agora facto é igual a fato (de roupa)“. O “agora facto é igual a fato (de roupa)” foi escrito por quem assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em nome da República Portuguesa. Exactamente. O silêncio cúmplice mantém-se até hoje.

No que diz respeito ao [Read more…]

Padrões & grafias: o desejo de entrar em *contato

We ordinarily obey a rule according to which anyone who finds an empty seat first is entitled to that seat.
— Jesse Prinz

In the literature on the phonological complexity of listening input, contracted forms (e.g., can’t) have been proposed to have a potentially negative impact on decoding auditory information, because the recognition of lexical items and syntactic constructions might pose a greater challenge due to decreased phonological information (e.g., Rubin, 1994).
— Brunfaut & Révész (2014)

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Há muitos anos, ao volante da minha excelente Volkswagen Passat azul — mas azul à Benfica, note-se — , algures na B 419 alemã, ali pertinho do Mosela, ouvia frequentemente o ‘adagio sostenuto’ do concerto para piano n.º 2, em dó menor, do Rachmaninov, sempre na expectativa (e na esperança) desse all by myself avant la lettre e muito mais interessante do que o próprio. Aliás, já algo de semelhante me acontecera, muitos anos antes, no 35, a caminho da Rua do Heroísmo. De facto, quando saiu o não posso mais do Pedro Abrunhosa, houve ali um breve momento who pays the price dos INXS. Depois, a sensação passou. Anteontem, enquanto estudava, ouvi o início deste excerto do danúbio azul e lá veio a gran partita. Recentemente, estive envolvido numa violenta discussão sobre um caso quase tão bem conhecido como o de Rachmaninov & Eric Carmen, o do pour some sugar on me dos Def Leppard e do we will rock you do Axl Rose (sim, pois, OK, dos Queen).

Resta acrescentar que não estamos a falar nem, por um lado, de homenagens implícitas (tvmural para tvc15), explícitas (submissão para sub-mission), cómicas (sol da caparica para california sun), hilariantes (bué de baldas para baggy trousers), esforçadas (judgement day para while my guitar gently weeps), esforçadíssimas (universal para o navio fantasma), trágicas (jorge morreu para damaged goods), auto-referenciais (hangar 18 para the call of ktulu, [1] a 4.ª sinfonia para o evgeni onegin ou the hands para i don’t believe in love), confessadas ([2] the phoenix para i wanna be your dog [a prever o Iggy Pop no new york city?] e californication para carnage visors), [3] deliciosas por abrandamento (Quebra-Gelo para London Calling), nem, por outro, de carreiradas (l’idiot, city of new orleans…). Também anteontem, antes de dedicar uns minutos da hora de almoço à defesa Cunningham, pus-me a ouvir o i want you (she’s so heavy) dos Beatles e, logo no início, lá estava um dos meus momentos predilectos dos Mötley Crüe. Entretanto, voltei a preocupar-me com as diferenças entre a Lisboa de Madonna e a Lisboa de Letterman.

Adiante.

O fim-de-semana está à porta. Isto significa que acaba hoje mais uma série de dias úteis de vergonha para o Governo de Portugal e para os seus cúmplices. Efectivamente, desta vez, além dos exemplos habituais no sítio do costume

e alhures,

tivemos a bonita homenagem [Read more…]

Resumindo: “atividades que provoquem vibrações” e “a actriz deitada na cama”

Quando? Onde? Hoje, no Expresso. Efectivamente, no Expresso. Exactamente.

A Madonna quer um parque de estacionamento? Arranjem-lhe antes um visto Gold!

Fotografia: Paulo Spranger/Global Notícias@Diário de Notícias

Parece que todos os partidos políticos, com excepção do PS, claro, estão muito indignados com a atribuição de uma espécie de parque de estacionamento no centro de Lisboa, a preço de saldo, à investidora estrangeira Madonna. Algo que, tanto quanto pude apurar, não é propriamente um exclusivo desenvolvido a pensar na Material Girl.

Não conheço os contornos do caso, pelo que me absterei de tomar uma posição, não obstante ser contra qualquer tipo de borla injustificada para elites e quejandos. Passei por aqui apenas para confirmar se o CDS e o PSD que se indignaram com este caso são os mesmos que criaram os vistos Gold para que uma série de mafiosos chineses, russos e afins pudessem adquirir nacionalidade portuguesa em regime de liquidação total. Não são, pois não?

Porque hoje é sábado

E, porque hoje é sábado, eu vou dizer para vocês o poema [do] Dia da Criação: um dia terrível, não é?— Vinicius de Moraes

… and it feels like home.
— Madonna

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

via Instagram

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Madonna ama o pai

 

Andávamos na primária e a canção da moda começava com um bucolismo ingénuo – “Adoro o campo as árvores e as flores / jarros e perpétuos amores” – e depois adensava-se em enigmáticas referências à fauna do bas fond. A Sónia Maria perguntava-me:

–  Tu sabes o que são “pedrastas”?

E eu encolhia os ombros e respondia que devia ser uma espécie de pedregulho, qualquer coisa que se chuta e rola pela encosta.

Íamos completando as letras das canções de que gostávamos na sebenta, e cantarolávamos todo o dia, ainda longe dos walkmen e dos mp3 que me trouxeram tantas horas de felicidade, tão providencial consolo, e uma irremediável redução da capacidade auditiva. Fazíamos a coreografia do “Walk like an egyptian”. Cantávamos numa língua que soava a inglês mas não o era. Aliás, se alguma vez aprendemos inglês foi para entender as letras das canções, o resto foi ruído.

Bem, mas foi por então que apareceu o enigmático “Papa don’t preach”. Não sabíamos o que era “don’t”, muito menos “preach”. A “Papa” chegávamos e não levávamos a coisa para o Vaticano porque tínhamos visto o videoclip e percebíamos que não era por aí. Inglês só teríamos a partir do 5º ano, e se era certo que poderíamos perguntar a um adulto que entendesse alguma coisa, muito melhor era tentar adivinhar. O “preach” era particularmente intrigante. Não chegámos a nenhuma conclusão. Passaram os dias, já ouvíamos outras canções, quando a Sónia Maria aparece triunfante, com uma foto da Madonna recortada da Bravo, e com os olhinhos brilhantes sob a franjinha que sempre lhe conheci. [Read more…]

Like a virgin

Original, sem dúvida, a abertura das festas da cidade de Coimbra, sob a invocação da sua padroeira Rainha Santa Isabel, com um concerto de Madona Madonna.

imagem do Fliscorno

Mr Holmes e doutor Watson

É um filme que se vê bem, com as deduções do Mr Holmes que só ele consegue fazer a partir de pormenores que só ele vê.

A “visão americana” do filme é que está a mais, há cenas de pancadaria de ferver, efeitos visuais e coisas que tais que os americanos fazem, muito menos interessantes que o ambiente de ” jogo de xadrez” para inglês ver .

Há tambem umas paixões dependuradas, mal resolvidas, em que o Mr. Holmes deixa que as emoções travem o passo ao “raciocinio” , o que quase lhe foi fatal, e o doutor Watson anda às voltas com uma noiva que o Mr. Holmes tenta afastar por todos os meios.

Tudo realizado pelo senhor Ritchie, ex da Madonna. Esta é que  anda agora a namorar com um jovem de 21 anos brasileiro, chamado Jesus, e não teve  disponibilidade para fazer uma das “almas danadas” que apimentam o filme.

Divirtam-se que isto é bom mas dura pouco!

Como um pássaro no arame

Quando todos os cantores se transformaram em bombas sexuais, e as vozes se fizeram secundárias em face dos olhares sedutores, das poses de divas ou semi-deuses, e nos perguntamos que espaço teria Ella Fitzgerald, por exemplo, se nascesse agora, eis que irrompem os primeiros acordes da valsa e entra o veterano Leonard Cohen, que, de fato riscado e borsalino a velar-lhe os olhos, enche o palco com sua esplêndida velhice.

Já não se vêem velhos em palco, repararam? A velhice, tão inestética, é escondida ou travestida com grotescas máscaras de falsa juventude. Madonna esconde uns impossíveis 50 anos com coreografias acrobáticas, e apenas os Stones exibem o mapa rugoso das suas faces mas não assumem a condição de velhos. São, antes, eternos jovens gastos pelas muitas infracções.

Mas Cohen é um velho. Os dedos ossudos dedilham a guitarra, o olhar fixa-se num ponto distante que não conseguimos alcançar, e as canções já tantas vezes tocadas saem de novo à luz e revivem uma outra vez, antes do regresso à sombra. A voz envelheceu, perdeu brilho e amplitude, fragilizou-se e Cohen não tenta iludi-lo.

Mas as canções ganharam densidade, a melancolia enriqueceu-se com um travo de ironia, e a alegria não perdeu luminosidade mas tornou-se sábia. Assombradas pela figura agora frágil do seu trovador, as palavras ardem, consomem-se, amanhã renascerão das cinzas. Como aquela que começa assim… “Well my friends are gone and my hair is gray / I ache in the places where I used to play”…