Resumindo: “atividades que provoquem vibrações” e “a actriz deitada na cama”

Quando? Onde? Hoje, no Expresso. Efectivamente, no Expresso. Exactamente.

A Madonna quer um parque de estacionamento? Arranjem-lhe antes um visto Gold!

Fotografia: Paulo Spranger/Global Notícias@Diário de Notícias

Parece que todos os partidos políticos, com excepção do PS, claro, estão muito indignados com a atribuição de uma espécie de parque de estacionamento no centro de Lisboa, a preço de saldo, à investidora estrangeira Madonna. Algo que, tanto quanto pude apurar, não é propriamente um exclusivo desenvolvido a pensar na Material Girl.

Não conheço os contornos do caso, pelo que me absterei de tomar uma posição, não obstante ser contra qualquer tipo de borla injustificada para elites e quejandos. Passei por aqui apenas para confirmar se o CDS e o PSD que se indignaram com este caso são os mesmos que criaram os vistos Gold para que uma série de mafiosos chineses, russos e afins pudessem adquirir nacionalidade portuguesa em regime de liquidação total. Não são, pois não?

Porque hoje é sábado

E, porque hoje é sábado, eu vou dizer para vocês o poema [do] Dia da Criação: um dia terrível, não é?

— Vinicius de Moraes

… and it feels like home.

— Madonna

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

via Instagram

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Madonna ama o pai

 

Andávamos na primária e a canção da moda começava com um bucolismo ingénuo – “Adoro o campo as árvores e as flores / jarros e perpétuos amores” – e depois adensava-se em enigmáticas referências à fauna do bas fond. A Sónia Maria perguntava-me:

–  Tu sabes o que são “pedrastas”?

E eu encolhia os ombros e respondia que devia ser uma espécie de pedregulho, qualquer coisa que se chuta e rola pela encosta.

Íamos completando as letras das canções de que gostávamos na sebenta, e cantarolávamos todo o dia, ainda longe dos walkmen e dos mp3 que me trouxeram tantas horas de felicidade, tão providencial consolo, e uma irremediável redução da capacidade auditiva. Fazíamos a coreografia do “Walk like an egyptian”. Cantávamos numa língua que soava a inglês mas não o era. Aliás, se alguma vez aprendemos inglês foi para entender as letras das canções, o resto foi ruído.

Bem, mas foi por então que apareceu o enigmático “Papa don’t preach”. Não sabíamos o que era “don’t”, muito menos “preach”. A “Papa” chegávamos e não levávamos a coisa para o Vaticano porque tínhamos visto o videoclip e percebíamos que não era por aí. Inglês só teríamos a partir do 5º ano, e se era certo que poderíamos perguntar a um adulto que entendesse alguma coisa, muito melhor era tentar adivinhar. O “preach” era particularmente intrigante. Não chegámos a nenhuma conclusão. Passaram os dias, já ouvíamos outras canções, quando a Sónia Maria aparece triunfante, com uma foto da Madonna recortada da Bravo, e com os olhinhos brilhantes sob a franjinha que sempre lhe conheci. [Read more…]

Like a virgin

Original, sem dúvida, a abertura das festas da cidade de Coimbra, sob a invocação da sua padroeira Rainha Santa Isabel, com um concerto de Madona Madonna.

imagem do Fliscorno

Mr Holmes e doutor Watson

É um filme que se vê bem, com as deduções do Mr Holmes que só ele consegue fazer a partir de pormenores que só ele vê.

A “visão americana” do filme é que está a mais, há cenas de pancadaria de ferver, efeitos visuais e coisas que tais que os americanos fazem, muito menos interessantes que o ambiente de ” jogo de xadrez” para inglês ver .

Há tambem umas paixões dependuradas, mal resolvidas, em que o Mr. Holmes deixa que as emoções travem o passo ao “raciocinio” , o que quase lhe foi fatal, e o doutor Watson anda às voltas com uma noiva que o Mr. Holmes tenta afastar por todos os meios.

Tudo realizado pelo senhor Ritchie, ex da Madonna. Esta é que  anda agora a namorar com um jovem de 21 anos brasileiro, chamado Jesus, e não teve  disponibilidade para fazer uma das “almas danadas” que apimentam o filme.

Divirtam-se que isto é bom mas dura pouco!

Como um pássaro no arame

Quando todos os cantores se transformaram em bombas sexuais, e as vozes se fizeram secundárias em face dos olhares sedutores, das poses de divas ou semi-deuses, e nos perguntamos que espaço teria Ella Fitzgerald, por exemplo, se nascesse agora, eis que irrompem os primeiros acordes da valsa e entra o veterano Leonard Cohen, que, de fato riscado e borsalino a velar-lhe os olhos, enche o palco com sua esplêndida velhice.

Já não se vêem velhos em palco, repararam? A velhice, tão inestética, é escondida ou travestida com grotescas máscaras de falsa juventude. Madonna esconde uns impossíveis 50 anos com coreografias acrobáticas, e apenas os Stones exibem o mapa rugoso das suas faces mas não assumem a condição de velhos. São, antes, eternos jovens gastos pelas muitas infracções.

Mas Cohen é um velho. Os dedos ossudos dedilham a guitarra, o olhar fixa-se num ponto distante que não conseguimos alcançar, e as canções já tantas vezes tocadas saem de novo à luz e revivem uma outra vez, antes do regresso à sombra. A voz envelheceu, perdeu brilho e amplitude, fragilizou-se e Cohen não tenta iludi-lo.

Mas as canções ganharam densidade, a melancolia enriqueceu-se com um travo de ironia, e a alegria não perdeu luminosidade mas tornou-se sábia. Assombradas pela figura agora frágil do seu trovador, as palavras ardem, consomem-se, amanhã renascerão das cinzas. Como aquela que começa assim… “Well my friends are gone and my hair is gray / I ache in the places where I used to play”…