Programas Eleitorais respondem à Crise Nacional?

Paulo Pereira

Debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?”, organizado pela Candidatura Presidencial Henrique Neto 2016. Decorreu no dia 2 de Julho e teve a participação de Luis Campos e Cunha, João Salgueiro e Eurico Brilhande Dias, além do próprio Henrique Neto.

Os partidos políticos têm muito poder: concentrou-se todo o poder político nos partidos

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O programa eleitoral da troika

anónimoEnquanto traduzia parte do memorando da troika, houve alguns aspectos que me foram deixando de boca aberta. Um deles foi a abundante existência de datas concretas para se atingirem objectivos específicos, os quais eram precedidos de algumas indicações sobre como a eles chegar. Sendo este um programa para 3+1 anos, estamos perante um verdadeiro programa de governo, onde os nossos ministros serão menos do que secretários executivos e os deputados, esses então, ainda terão um papel menor do que o presente coro de aplausos e de muito-bens.

Surpreendeu-me este estabelecimento de milestones no memorando da troika não pela sua existência, que considero fundamental em qualquer planeamento sério, mas pela habitual ausência de algo semelhante (já nem digo tão exacto) nos programas eleitorais dos nossos partidos, que não passam de meras balelas logo ignoradas depois da eleição.  Num país onde as promessas eleitorais contassem, o programa eleitoral seria claro quanto às metas apresentadas e quanto à forma de as atingir. No presente contexto de promessas vãs, perco a cabeça e voto num programa concreto, no da troika. A carteira há muito que se foi, que se vá o resto.

Portugal é um grande caso BPN

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“Portugal é um grande caso BPN”, Medina Carreira no Negócios da Semana, da SIC Notícias, 13.08.2009. Um programa emitido antes das legislativas de 2009. A ouvir de novo, especialmente agora que se preparam os programas eleitorais. Apenas três destaques:

  1. Ao minuto 25:00 – Em 2007 endividamos-nos 22 mil milhões, mais do que em quaisquer dos anteriores 12 anos, milhões esses que  insuflaram a procura interna. Este brutal endividamento trouxe um crescimento de 1.9% mas não nos podemos endividar nesta ordem de grandeza todos os anos.
  2. Ao minuto 42:00 – Em 15 anos, a dívida de português ao exterior subiu 10 vezes, de mil e tal para quarenta e tal mil euros. Temos um português a trabalhar para outro português, que o Estado mantém.
  3. Ao minuto 46:15 – O keynesianismo não é possível em Portugal. O keynesianismo surgiu em economias fechadas e protegidas. Dantes, o dinheiro que o Estado gastava na economia servia para comprar um produto português. Agora, com o mercado aberto e como estamos a comprar sobretudo produtos estrangeiros, quando o Estado injecta dinheiro na economia, está a financiar a economia estrangeira.