As refeições escolares e a autonomia

Há alguns anos, escrevi sobre o processo de desumanização das escolas que prossegue o seu curso. Entre outros aspectos, fazia referência à importância de que as refeições escolares fossem cozinhadas nos estabelecimentos de ensino.

Através de um texto do Paulo Guinote, cheguei a esta notícia: Escola transforma cantina no “melhor restaurante da região”. Todos os que tiveram a sorte de comer em cantinas escolares antes de serem entregues a empresas têm memórias da qualidade da comida, sendo que essa qualidade era indissociável da proximidade que criava uma impressão de algo caseiro.

Entretanto, a maioria PS/PSD/CDS vai fazendo o seu trabalho de entregar paulatinamente as escolas às autarquias, o que constitui uma negociata política para deixar o Ensino nas mãos dos muitos caciques que estão à frente das câmaras. O processo só ainda não está mais avançado, porque as câmaras querem mais dinheirinho.

O argumento usado para vender as escolas aos presidentes das câmaras assenta na ideia de que isso trará mais autonomia às escolas, o que é mentira. A palavra “autonomia” está, aliás, sempre na boca dos responsáveis políticos, mas a verdade é que nunca existiu. A municipalização será mais uma maneira de não dar autonomia às escolas, trazendo para o seu interior o compadrio e a politiquice.

Mesmo que o retrato das autarquias portuguesas pudesse ser mais simpático e mesmo que o Ministério da Educação funcionasse, a autonomia das escolas não deveria ser uma expressão vã. A qualidade da comida é mais um sinal.

A vida das escolas poderá melhorar a partir do momento em que isso seja uma causa importante para os cidadãos e não apenas uma preocupação dos funcionários docentes e não docentes.

Como nota final e desencantada, os textos da minha autoria para que remeto mais acima têm sete anos e a minha opinião é a mesma.

Lagarta na comida é um problema menor

Nos últimos dias, tem circulado um vídeo de uma lagarta a movimentar-se no interior de um prato de comida numa cantina escolar. Não quero, de maneira nenhuma, desvalorizar  a falta de cuidado ou de higiene dos responsáveis pela confecção de uma refeição, mas devo dizer que o mesmo já me aconteceu – e a muitos outros – há muitos anos nas cantinas por onde passei. Não é uma situação agradável, mas, apesar de tudo, é fácil de resolver, entre protestos e a remoção do bichinho.

Nos dias que correm, diria que é muito mais fácil descobrir lagartas numa refeição escolar, tendo em conta que os pratos estão desérticos. No meu tempo, a abundância exigia um olho clínico ou a experiência de um David Attenborough e não me admiraria que muita lagarta tivesse passado pelo meu aparelho digestivo. Mais: tendo em conta a qualidade de comida imposta aos alunos, a existência de lagartas no prato acaba por ser uma alternativa nutritiva, perdoe-se-me a rima. Já não deve faltar muito para haver um protesto de jovens esfomeados que não tiveram direito a lagarta, levantamento de rancho, bandejas pelo ar, o caos na escola. [Read more…]

Ainda as refeições escolares

Reiterando a concordância com a posição assumida publicamente pela deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sobre a necessidade de regresso das cantinas escolares à esfera de responsabilidade do Estado, designadamente através da contratação directa de profissionais de cozinha que confeccionem as refeições nas próprias escolas e sejam responsáveis pela aquisição dos bens alimentares, não deve, porém, deixar-se de relevar o seguinte:

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Refeições Escolares

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, esteve hoje numa escola de Vila Nova de Gaia, defendendo o regresso da cozinha escolar ao poder das cozinheiras e dos cozinheiros, afastando para tal as empresas que prestam esse (péssimo) serviço por valores absolutamente milionários.

Totalmente de acordo.
Mais. Investigue-se.