As mentiras da propaganda contra a retenção

Voltámos Às Contas De Merceeiro Do Antigamente

A hipocrisia e os “chumbos”

O problema mais importante em Educação é o de se saber se os alunos aprendem. É fundamental que o próprio aluno, antes de todos, saiba se aprendeu. Essa percepção alcança-se através da avaliação, que não é exactamente o mesmo que classificação. Um dos meios que está ao alcance da compreensão é a possibilidade de obrigar o aluno a repetir o ano, aquilo a que a tradição chamou “chumbo”.

Não é obrigatório que seja assim e é verdade que o dito “chumbo” não é garantia de que, no futuro, haja melhoria, embora, verdade seja dita, a diabolização absoluta e pública da reprovação por parte de gente com responsabilidades tem levado, em boa parte, a que muitos estudantes e encarregados de educação só consigam ver a retenção como um castigo inútil, quando poderia ser uma oportunidade de redenção, por assim dizer.

É possível, no entanto, abolir o “chumbo”, desde que sejam criadas condições para um verdadeiro acompanhamento dos alunos com mais dificuldades. [Read more…]

O fim do 2.º ciclo

Não é para consolidação de aprendizagens, não é para algo que efectivamente melhore a escola e aumente o gosto pela escola. Não, é para reduzir as reprovações.
O artigo está mal redigido, mas é interessante ler.
Volta-se a falar na falta de professores. Não se fala é que esta situação faz parte de uma política concertada para destruir o ensino público em Portugal. Com a escolaridade obrigatória até ao 12o ano e com a destruição da escola pública, está-se a fazer as vontades ao clientelismo dono das escolas privadas. Destrói-se o que é de todos, aquilo a que todos têm direito (ensino de qualidade gratuito), para encaminhar clientes para os privados. Tal como na saúde. Não se estão é a lembrar que a falta de professores também se vai sentir nas empresas dos amigos empresários da educação…
Mas os pais ficam caladinhos que nem ratos, importa é que as meninas e os meninos passem, de preferência com boas notas, nem que estas sejam uma falácia.
É Portugal no século XXI.

Cavaco nacional da educação

PORTUGAL FEIRAS NOVAS PONTE DE LIMA

Que a um outro Conselho Nacional da Educação, com uma maioria mais para os lados do PS/BE e parte do PC, representando a esquerda eduquesa, que acredita nas ditas ciências da educação como se aquilo fosse uma ciência, troca o aprender com o saber fazer umas cenas giras e confunde ensino com arbitragens à benfica, lhe desse para propor o fim da avaliação, não estranhava.

Já este CNE, com tanta direita tradicionalista, à antiga, e a mesma ignorância académica quanto ao ensino, mesmo invocando o pilim que se pouparia com a medida, se tenha virado para esse lado, não entranhei e muito me admirei.

Demorei um bocado até entender a tolice, mas a lógica é simples: David Justino, que preside à CNE, é muito próximo da Cavaco Silva. Cavaco Silva, como é sabido, reprovou no que hoje seria ensino básico. Cavaco tem um trauma, e antes de perder o que lhe resta de influência, deve ter metido uma cunha ao amigo para que não mais uma criancinha portuguesa passe pelo horror do chumbo, a vergonha da raposa, a humilhação de uma nega. Está tudo explicado.

Claro que podia fazer umas contas e demonstrar como acabar com as retenções sendo possível e ideal ficava muito mais caro (turmas reduzidas, professores de apoio, psicólogos, CPCJotas a funcionar, etc. etc.), mas as dificuldades com os números também são um traço do cavaquismo.

De boas intenções está o CNE cheio

De acordo com a notícia do Público, o Conselho Nacional de Educação defende o fim das retenções, argumentando que os alunos sujeitos a essa medida têm mais dificuldades em recuperar e que, para cúmulo, é uma medida dispendiosa para o Estado. Para além disso, o CNE faz referência a uma alegada “cultura de retenção”, reduzindo, no fundo e de modo simplista, as causas do problema, como é costume, aos maus hábitos dos professores.

Já começa a ser cansativo repetir que as causas do insucesso escolar são várias e que muitas delas têm origem no exterior das escolas. É igualmente cansativo relembrar que as escolas, apesar do folclore da autonomia, têm falta de recursos humanos, docentes e não docentes, o que dificulta a detecção e resolução de muitos problemas. Relembre-se, ainda, e muito a propósito, que a municipalização da educação em curso corresponde a uma diminuição da autonomia das escolas.

Tirando isso, há recomendações que me parecem razoáveis, mesmo que estejam muito longe de ser originais, nomeadamente as que se referem à necessidade de detectar o mais cedo possível os problemas que poderão dificultar aprendizagens e à realização de exames apenas no final do ano lectivo (ao contrário do que acontece para os 4º e 6º anos). De qualquer modo, e voltando a meter o rabo na boca da pescada, a primeira recomendação implica autonomia das escolas e, muito provavelmente, contratação de recursos humanos.