O Ricardo Campelo de Magalhães (RCM) publicou um texto simplório acerca dos protestos que a FENPROF iniciou esta semana. O João José já teve oportunidade de tecer alguns comentários pertinentes.
RCM limita-se a repetir preconceitos anti-docentes e/ou anti-sindicais: os professores não devem protestar porque ganham mais do que a média; a quebra de qualidade na Educação deve-se “à pedagogia laxista vigente”; as pessoas não têm filhos porque gastam muito dinheiro nos impostos que servem para sustentar inúteis como os professores ou os banqueiros (uma mistura que é um truque, claro).
É bom não esquecer que RCM é um economista de direita com ligações ao arco do poder, ou seja, integra um conjunto de profissionais que, sistematicamente, falham previsões, usando como bodes expiatórios a classe média e algumas classes profissionais alegadamente privilegiadas.
Façamos um pouco de História: em primeiro lugar, o Estado, controlado por dois partidos e meio, tem desperdiçado em inutilidades e favores os dinheiros entregues à sua guarda. Depois, os vários ministros da Educação, com destaque para os dos últimos três governos, têm afogado as escolas em burocracia, em legislação mal concebida, em alterações constantes, criando um clima de agressão e de instabilidade permanente. Pelo meio, jotinhas, politiquinhos e economistas espalham mentiras como as de que os professores trabalham vinte horas por semana e têm turmas de oito alunos (é para isso que serve a divulgação dos chamados “rácios”).
Para além disso, os professores têm sido sujeitos a vários congelamentos de carreira, a cortes salariais, a aumentos de impostos, ao desperdício dos seus impostos em apoios a bancos, enquanto financiam o próprio patrão. Se somarmos a tudo isto vários elementos intangíveis que servem para aquilatar do valor de um professor, a dívida do país à classe docente é monstruosa (nesta última ligação, aconselho a leitura de um comentário longo do José Luiz Sarmento). Conclusão: os protestos dos professores pecam por defeito.








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