Sem rosto

Já há muito que queria ter Elogio da Loucura nas minhas mãos, sopesá-lo. Um livro com 500 anos é «pesado», embora esta edição que tenho seja uma «coisinha» de 141 páginas num formato A5.

Esta obra de Erasmo de Roterdão faz doer as costas!!

Logo na página 16, eu me fico:

” (…) já que o rosto não mente porque é o espelho da alma. Não dissimulo no rosto o que sinto dentro do peito. Sou sempre idêntica a mim própria (…)

José Mestre foi, durante muito tempo, um homem sem rosto. Nunca o vi. Deambulava pelo Rossio e pelos Restauradores em Lisboa… Conquistou um rosto depois da operação ao tumor que lhe pesava mais de 5 quilos no corpo e na alma. Como espelhava ele a sua alma antes de ter este rosto?

Claro, sr. Erasmo, há outras maneiras, outros veículos para reflectir o que vai na alma.

O rosto é apenas um dos muitos espelhos que ela tem!

Se não, o que seria de nós aventadores e de vós, leitores do Aventar, gente sem rosto?!!

Não me dês um título

Dorindo Carvalho

Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos.

Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto entre o que
sou e o que não sou.

Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados entre o ser
e não ser  não me importa que me vejam
o rosto. [Read more…]

A mulher que amanha o peixe

A mulher que amanha o peixe

Sempre que a vejo no supermercado onde vou, reconheço que não é por acaso. Muito bonita a mulher que amanha o peixe – não sei se amanha se amanhece! -.

Rosto combatido, dorido, olhar sofrido e manso, não sei o que faz desta mulher um poema, se os olhos negros e fundos, se o desenho rasgado da face, se um gesto brusco da natureza revoltada de cansaço. [Read more…]