Não me dês um título

Dorindo Carvalho

Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos.

Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto entre o que
sou e o que não sou.

Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados entre o ser
e não ser  não me importa que me vejam
o rosto.

Deixa-me o traço fino do ser entre as mãos livres e o
pensamento cósmico da mente liberta.

Não desfaças as sombras por imposição da luz nem me dês um
título entre o corpo rígido e o cosmos.

Deixa-me o traço fino do gesto e a música do silêncio

                                                                                     adão cruz

Comments


  1. Estimado Adão, fiquei simplesmente… extasiada!


  2. Li novamente, uma e outra e outra vez ainda… Para mim, de tudo o que li de si, caro Adão, esta prosa poética é “la crème de la crème”!

  3. Adão Cruz says:

    Obrigado Isabel. Que bom ouvir isto!

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.