Sem rosto

Já há muito que queria ter Elogio da Loucura nas minhas mãos, sopesá-lo. Um livro com 500 anos é «pesado», embora esta edição que tenho seja uma «coisinha» de 141 páginas num formato A5.

Esta obra de Erasmo de Roterdão faz doer as costas!!

Logo na página 16, eu me fico:

” (…) já que o rosto não mente porque é o espelho da alma. Não dissimulo no rosto o que sinto dentro do peito. Sou sempre idêntica a mim própria (…)

José Mestre foi, durante muito tempo, um homem sem rosto. Nunca o vi. Deambulava pelo Rossio e pelos Restauradores em Lisboa… Conquistou um rosto depois da operação ao tumor que lhe pesava mais de 5 quilos no corpo e na alma. Como espelhava ele a sua alma antes de ter este rosto?

Claro, sr. Erasmo, há outras maneiras, outros veículos para reflectir o que vai na alma.

O rosto é apenas um dos muitos espelhos que ela tem!

Se não, o que seria de nós aventadores e de vós, leitores do Aventar, gente sem rosto?!!

A esquerda e a Direita dos Aventadores

O Fernando aventador acredita numa direita moderna, justa e progressista e o Carlos e o Adão aventadores acreditam numa esquerda moderna, justa e progressista. Com grande surpresa, o Carlos e o Adão, perante a caracterização da direita do Fernando , diz que aquilo é a esquerda!

Mas a direita não pode ser moderna no sentido que aceita os grandes ganhos sociais dos últimos cinquenta anos? Não pode ser justa quando sabe há muito que um país justo é muito mais conforme às suas necessidades de gente motivada e produtiva? E não pode ser progressista no sentido que defende uma sociedade assente na democracia, numa economia social de mercado e no estado de Direito?

Ou para se ser moderno, justo e progressista é necessário ter um Estado onde se albergam os sorvedores, as corporações e os interesses instalados? Ou onde a economia é regulada por um Estado com “mão “invisível”  sempre à procura dos amigos,  dos negócios finos das obras públicas e das grandes empresas do Estado ? E defender a família faz a direita menos progressista que a esquerda dos casamentos gays? [Read more…]

Aventador de peso o c…

Há tempos, fui convidado pelo ilustríssimo fundador deste blogue para integrar a sua não menos ilustre equipa de autores.

Invadido por um enorme sentimento de orgulho por me ter sido dada a oportunidade de participar neste fantástico projecto, a minha resposta imediata não podia ser outra que não: hhhmmm, não sei…

As dúvidas por trás da minha hesitação foram variadas, desde as existenciais (“o que posso eu trazer de novo a um blogue já tão rico em conteúdos?”), passando pelas temáticas (“se for para falar de política, definitivamente não sou o homem”), até às pessoais (“mas que raios é que este gajo quer de mim???”).

Dissipadas todas as dúvidas (quer dizer, quase todas, pois continuo a não saber o que o gajo quer de mim!) e aceite finalmente o convite, eis o meu primeiro post, cujo tema escolhido, após profunda reflexão, acabou por ser… eu próprio.

Não sei, foi algo que me pareceu apropriado. É o meu primeiro post. Há sempre aquele “nervoso miudinho” característico das primeiras vezes. Que tema conheço bem para poder falar com algum à vontade? Eu.

Peço o favor de não confundirem a escolha do tema com uma miserável demonstração de vaidade ou arrogância. Pelo contrário, trata-se de um gesto de humildade, de quem pretende apenas fazer uma apresentação formal e educada aos seus colegas de blogue e à blogosfera em geral.

Ora alguns dos colegas de blogue já me conhecem há uns anos (coitados), a começar pelo referido fundador que, para além de me ter feito o convite, foi também o autor desta indecorosa tentativa de apresentação da minha pessoa.

Para todos os outros, aqui vão alguns dados: chamo-me, de facto, Artur Moreira. Sou mesmo do Benfica. Não sou de Gaia (embora aí habite), mas sim de Massarelos, Porto, carago! Sou programador informático. Tenho duas gatas e um iPhone. E pronto, assim dou por concluída a lista de informações pessoais que estou disposto a divulgar na Internet.

Tentarei contribuir activamente para este magnífico e singular blogue, dentro do limite das minhas capacidades (horárias e anímicas), escrevendo sobre tudo um pouco. Porém, será inevitável que algumas das minhas paixões e áreas de conhecimento se reflictam no que escrevo: informática, tecnologia, gadgets, Internet e afins.

Não me considero geek, mas ando lá perto, e para falar de política já há aqui no Aventar muita gente competente a escrever. Além disso, informática e política não são necessariamente temas incompatíveis: veja-se o sucesso do Magalhães, a insegurança do e-mail do nosso Presidente, a polémica sobre o CITIUS, a ineficácia do antigo software para colocação de professores, etc., etc., etc.

Por tudo isto, acredito que estou perante um desafio tão ambicioso quanto estimulante: por um lado, tentar escrever sobre informática e tecnologia sem fazer com que as pessoas fujam como o Diabo da cruz; por outro, provar que se pode ser geek e saber comunicar e ter vida social ao mesmo tempo.

Um aventador de peso

Tenho hoje um grande prazer em apresentar um novo aventador: Artur Moreira. Vai começar dentro de dias e, por todos os motivos, penso que pode ser considerado um aventador de peso.

Nas últimas eleições, Artur Moreira votou no PS, o que, convenhamos, não é um grande cartão de visita. Para além disso, é lampião, mais um a sair da toca nestes dias de justificada euforia vermelha. Cúmulo dos cúmulos, é de Gaia.

Diga-se em abono da verdade que eu não gosto muito dele. Um sentimento que já me invade há alguns anos, mais concretamente desde o dia em que o conheci num célebre jantar em S. Pedro de Raimonda, freguesia do concelho de Paços de Ferreira, essa terra onde vicejam @s veigas e ainda mais os caloteiros.

Mais recentemente, convidei-o para jantar em minha casa e, de forma diabólica, sabotei a cadeira em que ele ia comer (na foto). A ideia era que fosse pôr uma cruz no PS com uma palhinha na boca, mas devia ter serrado as quatro pernas da cadeira e não apenas uma.

Mas trabalho é trabalho e Artur Moreira vem enriquecer o Aventar. É isso que interessa nesta fase em que voltamos às audiências a sério, esquecidos que estão os malditos «hackers» que nos deixaram de olhos em bico.

Tratem-no bem, por favor, senão ele começa a disparatar e nunca mais se cala – acreditem que é verdade.