O Homem que Plantava Árvores

“O homem que plantava árvores” é um magnífico filme de animação baseado no livro com o mesmo título  de Jean Giono.
Conta a história de um homem que plantou uma floresta inteira num local árido e inóspito. É um filme que fala de Esperança.

Physis

 

imagem©Bruno Santos

imagem©Bruno Santos

 

 

O conceito que temos de Natureza não foi sempre o mesmo. Ele tem variado ao longo dos tempos e dos lugares, espelhando essa variação não só a diversidade de culturas e de civilizações que foram progredindo sobre o nosso planeta, mas também as transformações que se foram operando sobre o próprio Pensamento humano, no processo evolutivo da sua experiência no mundo.

Há vários momentos da História da humanidade que marcam linhas de charneira na passagem entre diferentes conceitos de Natureza, a começar pela descoberta e posterior domínio do Fogo, que veio a transformar radicalmente a nossa relação com a matéria, prosseguindo no aparecimento da agricultura, no consequente declínio dos povos nómadas e na afirmação do sedentarismo enquanto manifestação primeira do impulso civilizador do Homem e do exercício de um poder, ou, pelo menos, da ilusão dele, sobre os restantes reinos da Natureza.

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pensa num desejo…

dandelion puffball

e para o jantar, salada de dente-de-leão

dandelion flower with bugs

Antes que a voz me doa

Se a intenção era, apenas, marcar uma posição pessoal e subir um ou dois degraus na hierarquia da coligação governamental que nos põe a cabeça em água e a bolsa em fanicos (para já não falar da dignidade atraiçoada), não havia mesmo necessidade de o Dr. Paulo Portas, na consumação da sua birra, por muitos e por mim também considerada infantil, quiçá irresponsável, nos ter feito pagar mais uns milhões de juros àqueles que teimam em espremer-nos até só sair sangue, que o suor e as lágrimas já se foram, de tão gastos.

É por isso que me concedi o prazer da fuga, não por cobardia, mas porque sentia que estava a perder a serenidade, a lucidez e outras coisas a que comummente chamamos valores (sociais, pessoais, morais, epistemológicos…). [Read more…]

As palavras

(Adão Cruz)

 Tenho muito respeito pelas palavras e pela verdade nuclear que as constitui.

Tenho muito medo de poder esvaziá-las ou atraiçoá-las.

As palavras, elas mesmas, têm necessidade de serem ditas, senão não passam de palavras, e eu tenho necessidade de as saber dizer, senão não passo de mero dizente.

Por outro lado, se as palavras têm um sentido para aquele que as diz ou escreve, podem não o ter para aquele que as ouve ou as lê.

O conceito de sentido é fundamental na comunicação. [Read more…]

Dia do Planeta Terra

Algumas ideias avulsas que me ocorre dizer neste dia…

A população mundial chegou aos 7 mil milhões, mas está muito envelhecida e não sabe lidar bem com isso. 

Os idosos morrem sós…

O Homem ainda não aprendeu a aceitar as rugas no rosto e no resto do corpo por mais voltas que a Terra dê. Muito menos a natural morte por mais que assista à das plantas e dos animais e de tantos seres humanos ao seu redor.

A esperança média de vida aumentou, mas morremos por doenças diferentes às que matavam no passado. Doenças deste tempo: ansiedade, stress, depressão e outras bem nossas conhecidas. [Read more…]

Dinheiro zero? – nem 8 nem 80.

Li a reportagem sobre Mark Boyle na revista do Expresso (18 Fevereiro). Boyle é um homem de 30 anos que viveu os últimos três sem um tostão.

“Um dia largou tudo para provar que a maioria das nossas necessidades são apenas vontades” e que era possível viver sem dinheiro. Foi feliz. Aprendeu que é possível viver com menos, com muito pouco.

Antes de Boyle, a alemã Heidemarie Schwermer (1942) viveu 15 anos “without money” e o americano Suelo (1961) fez o mesmo. Este ainda vive “quase como homem das cavernas dos tempos modernos”.

Não me vejo a lavar os dentes com osso de choco e sementes de funcho, ou deixar de usar desodorizante e sabonete… ou a tomar banho de àgua fria no inverno… [Read more…]

Terra e poesia

adão cruz

Tenho falado com alguns poetas sobre o que entendem por poesia poetas de muito nome.

Cada um deles diz-me o que sente mas ninguém me diz que a poesia nasce como nasce a água da fonte.

O homem veio consultar-me sentia sobretudo ao levantar da cama e com os esforços uma dor em barra sobre a tábua do peito que o imobilizava por completo. [Read more…]

hippies e natureza

Tchaikovsky Rococo Variations

O que as pequenas comunidade hippies têm para ensinar aos citadinos que concerne ao respeito pela mãe natureza.

Com todo respeito pelos hippies que amam a natureza e moram conforme ao que a natureza dá, gostava comentar que o ser humano tem evoluído através da História e diversas maneiras, até chegara ser o que agora somos. Ainda mais, dentro da nossa era como ser humano, desde os tempos antes de Cristo, que é a palavra-chave para dividir a evolução actual, muito tem mudado o ser humano em crenças, hábitos, costumes e sabedoria. Calcula-se em Há cerca de 70.000 anos atrás, surgiu o Home sapiens, do qual existem numerosas amostras. Ele teria se apresentado em duas superfícies: [Read more…]

O melhor cabrito do mundo

O melhor cabrito do mundo

Não foi só o cabrito. Outros factores houve que nos fizeram deslocar do Porto, de Amarante, de Marco de Canaveses, de Setúbal, de Sever do Vouga, de Vale de Cambra, embora todos sejamos naturais de Vale de Cambra, com raras excepções. E o mais forte de todos foi a amizade que vem dos tempos da juventude. O outro foi a Serra. A magnífica e deslumbrante Serra da Gralheira, estendida pelos seus três contra-fortes, Freita, Arestal e S. Macário. Quem não conhece estes caminhos da Freita, Merujal, Castanheira, Mijarela, Albergaria da Serra, Salgueiro, Manhouce, Cabreiros, e tantos outros tem obrigação de cá vir pois não sabe o que perde. [Read more…]

A mulher que amanha o peixe

A mulher que amanha o peixe

Sempre que a vejo no supermercado onde vou, reconheço que não é por acaso. Muito bonita a mulher que amanha o peixe – não sei se amanha se amanhece! -.

Rosto combatido, dorido, olhar sofrido e manso, não sei o que faz desta mulher um poema, se os olhos negros e fundos, se o desenho rasgado da face, se um gesto brusco da natureza revoltada de cansaço. [Read more…]

As catástrofes da natureza

Adão e Eva expulsos do Paraiso

Falamos de catástrofe quando acontece uma grande desgraça que atinge muitas pessoas. Normalmente e da forma que tenho escrito nestes dias, adjudico o conceito às desgraças que têm acontecido no arquipélago da Madeira, na República do Chile e em toda a Europa do Norte, ao longo deste interminável, inacabável e fustigante, inverno das nossas vidas. Estes anos de 2009 e 2010. Tenho, por engano meu, pensado a natureza como elemento geográfico esquecendo, pelo facto das desgraças que nos acontecem, que o ser humano faz parte da natureza. Ao escrever sobre o ser humano como uma entidade que procura lucro e mais-valia, esqueci-me que estes dois conceitos fazem parte do pensamento das pessoas. O lucro e a mais valia não existem como elementos da natureza. Formam parte do pensamento, do cálculo, da procura da riqueza e do bem-estar, conceitos que fazem parte do pensamento económico do ser humano. Pensamento económico que tenho definido noutros textos como o trabalho que cria um conjunto de leis que presidem à produção e distribuição das riquezas. Donde, riqueza é o resultado da acumulação de bens poupados e investidos para render moeda. [Read more…]

Uma calamidade por semana, no mínimo

Primeiro foi o Haiti, a semana passada a nossa Madeira e hoje, mal desperto do sono, acedo à Internet e deparo com a calamidade do Chile – um terramoto que, no momento em que escrevo e segundo notícias actualizadas, já conta com 122 vítimas mortais. Certa e infelizmente, este número tende a crescer e bastante; serão muitos mais. Basta atentar no grau de devastação que atingiu a pátria chilena, terra onde tenho amigos, na capital Santiago, de quem nada sei. Já tentei colher informações deles através do facebook, mas as mensagens do chat passam a tal velocidade que torna impossível a leitura, mesmo ao mais célere dos leitores. Através das mensagens, consigo apenas aperceber-me de que há apelos dramáticos de chilenos, localizados em vários pontos do globo, procurando desesperadamente familiares e amigos com quem não conseguem contactar.

O povo chileno não merece isto, ou mais correctamente, a estrondosa maioria dos seres terrenos, seja onde for, não merece tão severos e desvatadores castigos das forças naturais. Porém, a Natureza reage com eloquência e discricionário poder de revolta aos desmandos dos humanos. Para infortúnio dos mais humildes e indiferença dos mais poderosos, entre os quais os principais líderes políticos que, em Copenhaga e como agora usa dizer-se, continuaram a assobiar para o lado e a proporcionar substanciais reforços de contas em bancos de ‘offshore’. Até quando? Não sei e duvido que alguém tenha resposta convincente.

Para os interessados em acompanhar em directo o que está a suceder no Chile, sugiro que acedam ao sítio tv-de-chile.

Economia, Liberdade e outros tremores

Hoje a TVI vai lançar uma grande reportagem do que pode acontecer se, em Portugal, tivermos uma tragédia natural como aquela que assolou o Haiti. Ora, numa altura como esta, em que estamos a ser assolados por outras tragédias, de índole económico, convinha qualquer coisa mais alegre.

Continuando neste tom negro da espuma dos dias, temos os dados económicos a piorar de dia para dia e o Rangel a vociferar em Estrasburgo pela Liberdade de Imprensa. Para melhorar, nada como os perigos da internet.

O Mundo está mesmo a ficar perigoso.

Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar

O CO2 sempre é o mau da fita?

Já sabem: “(…) Por isso o nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável. O que resta é um aspecto parcial – aquilo que já conhecemos.  Porém, como este aspecto parcial se encontra entrelaçado

com o todo que não queremos ver, cometemos muitos erros – o fracasso é logicamente programado… todos os pequenos, cómodos e tão humanos erros de pensamento pelos quais, no melhor dos casos, só paga um e, no pior, todo o globo (..)”.

No presente caso, o dinamarquês Björn Lomborg têm razão, pois evita cair no paralogismo da maioria que “querendo o bom, cria o caos” of. Dörner – “The Logic Of Failure: Recognizing And Avoiding Error In Complex Situations”).

Quanto ao especialista português Filipe Duarte Santos, pode ser que ele tenha razão que a culpa é do CO2, para mim uma hipótese dúbia. Todavia, quando à hipótese defendida por ele – “é essencial a reflexão sobre a possibilidade de prosperidade sem continuar com o crescimento económico, crescimento esse que tem uma elevada responsabilidade no aumento das emissões de CO2” –, isto segundo as leis sistémicas da evolução não faz sentido. É um daqueles paralogismos pelos quais no pior dos casos paga todo o globo. [Read more…]

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