é por isso que os tascos têm as janelas tapadas

O tasco ainda tem uma dessas portas de vai-e-vem que nos recordam os saloons, essas portas que dão vontade de empurrá-las, imaginamo-nos a aproximar-nos delas com passos sonoros, pausados, projectando sobre a sala uma sombra que fará com que todos voltem a cabeça na nossa direcção, para apenas descortinarem umas pernas, talvez um chapéu de abas largas, se o tivéssemos. E então poderemos empurrar as portas com firmeza mas sem demasiada força (porque nos lembramos de que as portas que vão também acabarão por vir)  e avançar para o balcão, ou ficar por uma das mesas e pedir um pratinho de moelas ou de tripas enfarinhadas.

Mas não foi isso que aconteceu, eu não cheguei a entrar, passei à porta do tasco e só me detive brevemente à janela. Não sei se já repararam que as janelas dos tascos costumam estar tapadas? Não permitem que olhos indiscretos espreitem esse momento silencioso e solene em que um homem leva o copo à boca, acercando os lábios para que os dedos trémulos não derrubem o vinho, bebe-o com a máxima seriedade, todo concentrado nesse acto, e pousa-o finalmente sobre a mesa, com o gesto já preciso e firme, um movimento rápido, e o olhar de súbito brilhante e mais entristecido. Na janela dos tascos encontramos tantas vezes um cortinado com rendas escurecidas, um estore de lâminas imundas, um simples trapo estendido, mas, para suavizar essa recusa aos olhos de quem passa, a dona do tasco deixa à janela um vaso de begónias ou um lírio-da-paz.

A janela deste tasco, porém, estava desimpedida e deixava ver o único cliente àquela hora, um homem de idade difícil de determinar (cinquenta e muitos, quarentas, recém-entrado nos sessenta?), sentado à mesa mais próxima da janela, absorto nos seus afazeres. [Read more…]

IPF, Encontros do Olhar, e gente que mais valia ter estado calada

Terminou ontem o “Encontros do Olhar” do IPF. Fui ver e ouvir.

Fiquei chocado com a indelicadeza do sr (?) Morais e com a notória má educação do sr(?) Morais Sarmento, a ponto de momentaneamente ter intervindo nesse final de debate, aquando do desilegantíssimo comentário do sr(?) Morais Sarmento, sobre as semelhanças que ele encontrou com o nome “Portografia”.

Nas intervenções ouvidas nesta última fase dos Encontros do Olhar do IPF, destaco a palestra de José Marafona, um senhor da Fotografia Nacional, que muito e bem nos falou da sua visão da fotografia.

Estive presente e subscrevo inteiramente o texto que se segue, da autoria de Luís Raposo.

Devo dizer que faço parte do Grupo F4 e sou sócio da Portografia.

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