Noticias do dia

Ocupam hoje as capas dos jornais duas noticias.

A primeira fala-nos do casamento gay, aprovado na AR pela esquerda burguesa e decadente. É um retrocesso civilizacional e mais um pilar em que assenta a nossa civilização que é derrubado.

Sou daqueles que acreditam que a homossexualidade é uma doença, que os homossexuais não devem ser descriminados, mas que a instituição casamento serve para um homem e uma mulher e não para pessoas do mesmo sexo.

Em nome da modernidade esta esquerda fracturante, que tão longe anda da cultura operária de Marx falava, destrói muitas das estruturas que sustentam a nossa civilização, faz o jogo do capital, a quem interessa mão de obra sem valores, sem cultura e sem pátria.

“Nova Esquerda” é uma expressão informal. A par de um revolucionarismo essencialmente anedótico, que permitiu a um certo número de jovens solidarizar-se com uma “revolta da juventude” de dimensão internacional e de romper com o tédio dos anos cinquenta, um dos seus méritos foi ter feito emergir um novo tipo de reivindicações, que já não eram somente de natureza quantitativa, mas que assentavam sobre a qualidade da vida. Parece-me que o movimento de Maio de 68 viu exprimir-se simultaneamente duas tendências muito diferentes: de um lado um protesto, na minha opinião perfeitamente justificado, contra a sociedade de consumo e a sociedade do espectáculo (Guy Debord), do outro, uma aspiração de tipo mais hedonista e permissiva, muito bem resumida pelo slogan “jouir sans entraves” (gozar sem limites). Estas duas tendências eram totalmente contraditórias, como vimos nos anos que se seguiram, quando os representantes da segunda tendência começaram a perceber que era precisamente na sociedade de consumo que as suas aspirações individualistas melhor se podiam realizar.

A segunda noticia, diz-nos que os sindicatos de professores chegarem a um acordo com a Ministra da “Educação”. Espero pela reacção dos movimentos independentes de professores para me pronunciar. Não esqueço o ultimo acordo de traição protagonizado pelos mesmo sindicatos e todas as manobras divisionistas que tiveram durante esta justa luta dos professores.

3via2ie0Interlocutores oficiais do governo e representantes oficiais dos trabalhadores, os sindicatos negociam oficialmente as leis anti operárias e assinam os documentos oficiais que impõem, com a força do Estado, a lógica do capital (a lógica de rentabilidade) às condições de vida dos trabalhadores. O sindicato funciona em termos de economia nacional, subordinando-se à lógica do sistema capitalista. E se essa lógica exige mais sacrifícios, cabe aos sindicatos defendê-los perante os trabalhadores, em nome de um “realismo” que consiste apenas em considerar a crise económica como um “evento natural” – como um terramoto ou uma onda de frio – e o capitalismo como um fenómeno eterno da natureza.

Comments


  1. Em primeiro lugar: bem-vindo ao Aventar.
    Em segundo lugar: é engraçado ser um aventador de direita o primeiro a comentar uma posta do VRamalho.
    Em terceiro lugar: aqui está uma prova da imensa pluralidade do Aventar. Só num blogue democrático, defensor da liberdade de expressão, é possível encontrar, num mesmo espaço, tal pluralidade. A mesma que me permite comentar esta posta discordando de algo muito simples: se o casamento é um pilar da sociedade então estamos perante uma sociedade muito fraquita. Não é o facto de uma sociedade permitir – palavra feia neste como noutro contextos pois não cabe à sociedade definir as orientações ou padrões sexuais dos seus membros – o casamento de pessoas do mesmo sexo que os seus “pilares” são derrubados. Eu acredito noutro pilar, o único, o fundamental: a Liberdade.

    A Liberdade que nos permite discordar sem que a nossa liberdade de expressão seja beliscada.

  2. Ricardo says:

    Caro FMSá,

    Eu sou dos que também acha uma aberração chamar casamento a união de dois seres do mesmo sexo, sou dos que também considera não uma doença, mas um desvio e contra-natura. Não concordo com a perseguição, mas como muito bem diz, um dos pilares fundamentais é a Liberdade, acontece que a liberdade de uns acaba quando começa a dos outros, e sinto-me incomodado com a falta de respeito pela mesma por grande parte da comunidade homosexual. Eu como heterosexual não tenho de “aturar” pretensas manifestações de “pseudo-liberdade” com gritos histericos e faltas de respeito pelo proximo quando se vai a qualquer lado onde haja uma maior concentraçao de pessoas com esses problemas. Da mesma forma que sou totalmente contra a adopção uma vez que se passa a ideia a crianças que a homosexualidade é normal ou que é algo natural ou que não é.

    Saudações a todos e parabéns pela vossa vitória.

  3. Fernando Moreira de Sá says:

    Pois caro Ricardo, eu enquanto heterossexual tb não gosto” de pretensas manifestações de pseudo-liberdade com gritos histéricos e faltas de respeito” idênticas sejam de multidões homo, hetero, claques de futebol, manifs de partidos da extrema direita à extrema esquerda e de todas as pessoas com ou sem problemas que nelas participam com espírito que visa desrespeitar terceiros. Agora, o que raio isso tem a ver com a questão?

  4. Fernando Moreira de Sá says:

    Já agora, Ricardo, permita-me um esclarecimento (que já uma vez escrevi no Aventar mas vale a pena repetir):

    Eu quero lá saber se o meu vizinho casa com uma, um, duas ou três, dois ou três. Quero lá saber exactamente por a minha liberdade terminar no momento em que começa a dele.

    A diferença é exactamente a minha indiferença. Agora o que não aceito é que o Estado, pelo facto de eu ser hetero obrigue os restantes a terem de ser heteros. O Estado, nesta como noutras matérias que não estão em discussão aqui, deve ter uma posição simples: não interferência.

    Abraço.

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