Lhasa de Sela


That leaving feeling
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Stuart A. Staples | Vídeos de Música do MySpace

Não é fácil falar de Lhasa de Sela, muito menos no dia em que a vemos partir com apenas 37 anos de vida. Uma injustiça.

Sinceramente, faltam-me as palavras, as palavras certas para descrever tudo o que senti quando ouvi, pela primeira vez, as suas músicas, o seu canto profundo, vindo das profundezas da alma. Uma voz assombrosa de uma mulher do Mundo mas cuja estética musical é, claramente, mexicana e só os Deuses sabem como tão bem tratam a música no México.

A primeira vez que ouvi Lhasa foi em 1998 por mero acaso. Fiquei completamente apaixonado pela sua voz e pela intensidade das suas letras. A ela devo a descoberta da música mexicana aprofundada com Lila Downs e mais tarde com Chavela Vargas. Quando encontrei, em França, a sua obra-prima, “La Llorona”, devorei-a intensamente sendo, ainda hoje, uma das minhas principais referências musicais. Quem nunca ouviu “El Desierto” não faz a mais pequena ideia do que estou a falar. Quem nunca ouviu “De Cara a la Pared” não percebe o sentimento de perda que me assolou quando hoje, manhã cedo, ouvi na TSF que Lhasa tinha partido por culpa da doença maldita (AQUI). Quem nunca permitiu ao seu aparelho auditivo o prazer supremo de escutar “El Pajaro” pensará que sou doido. Nem “com toda palabra” existente no nosso vocabulário se encontrará a certa para descrever a alma musical de Lhasa.

Como foi possível, tão nova, ver a sua vida interrompida por um maldito cancro de mama. E eu, parvo ignorante, que julgava quase impossível uma mulher tão nova, tão jovem, morrer assim.

A melhor homenagem é ouvir as suas músicas e nelas descobrir a verdadeira Lhasa, a nossa Lhasa, a minha Lhasa de Sela. Até sempre, rapariga…

Ouvir as suas músicas: AQUI.

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Crónica de Paris: A Donzela de Orleans e os Castelos do Loire

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Orleans fica a cerca de 130 quilómetros de Paris. Estamos na capital do Vale do Loire, a histórica cidade libertada por Joana d’Arc durante a Guerra dos 100 Anos. Toda a cidade evoca a jovem Jeanne, queimada viva em 1431 na sequência de um pacto estabelecido entre os Borguinhões e os ingleses que ocupavam parte da França. É uma cidade agradável e que merece uma visita.
A 50 quilómetros, para sul, fica o primeiro dos famosos castelos do Loire, o Castelo de Chambord. É uma das mais magníficas construções do séc. XVI. Apesar das suas dimensões, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para o rei Francisco I. Na época de Natal, quando escurece, inicia-se um espectáculo de luzes sobre a fachada do castelo que vale a pena observar. Aliás, quem puder, deve reservar uma série de dias para o Loire, uma das mais belas regiões de França.
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Fotos: Castelo de Chambord de dia e iluminado; Catedral de Orleans e seu interior; Alto-relevo de Joana d’Arc com inscrição.

O (Des)acordo Ortográfico

Encarado nas estritas perspectivas histórica e cultural, não haverá muita argumentação em favor do Acordo Ortográfico.

Recordo o modo como há dezenas de anos que Jorge Amado é apreciado em Portugal e como este autor brasileiro afirmou que como escritor devia muito a Ferreira de Castro. Portanto, ao longo dos tempos a apreciação da literatura de ambos os países é mútua, sem necessidade de codificação comum, e isso parece-me inegável.

Eu não preciso do Acordo Ortográfico para ler autores de língua portuguesa, seja qual for a nacionalidade. Nem vejo qual o ganho com a uniformização. Aliás, em matéria cultural, a uniformização não é sinónimo de maior riqueza, bem pelo contrário.

Acredito, sim, que se trata de um acordo que facilita o mercado editorial/livreiro, que expande mercados, e que congrega e dá maior sentido à CPLP – porque a matéria anda a ser sempre debatida como se fosse uma questão Portugal/Brasil, mas há que lembrar que também há países africanos envolvidos, bem como Timor-Leste.

O Acordo Ortográfico, será, pois, apenas uma questão económica. Tanto mais face ao crescimento exponencial do Brasil que, sendo o único país de toda a América Latina a falar português, consegue, por exemplo, ser líder do Mercosul e a referência de crescimento económico daquele continente.

O Acordo Ortográfico parece-me ser um instrumento económico, ajustado à tendência da emergência de novas potências económicas (China, Índia, Brasil, etc.), e, eventualmente, dará maior congregação e significado á existência da CPLP . Se não for nesta perspectiva, não vislumbro qualquer interesse em tal Acordo, bem pelo contrário: na cultura a uniformização é redutora, logo incompatível com os pressupostos de pluralidade e de riqueza em que deve assentar a evolução cultural.

Referendo

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SIM OU NÃO
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Quase noventa e uma mil pessoas querem que haja um referendo. São esses, pelo menos, os números avançados dos que assinaram uma petição que amanhã vai ser entregue na Assembleia da República.
Querem que os Portugueses digam se querem, ou se aceitam, ou se desejam que, se duas pessoas do mesmo sexo se juntarem, a essa união se possa chamar casamento.
Acho bem, essa coisa do referendo. Sempre ficamos a saber o que, na realidade, os Portugueses pensam, e não, exclusivamente, o que alguns dizem que todos pensamos.
Por mim, pode chamar-se o que muito bem entenderem, desde que não seja casamento. É um termo que gostaria de ver relacionado exclusivamente a uniões entre seres de sexo diferente.
De resto, estes senhores e senhoras, podem e devem ter todas as benesses e direitos e garantias que desejam.
E, mainada!

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Fiquei a saber que…

… existe a última página da Internet. Pensei que esta fosse uma espécie de universo inesgotável, mas afinal existe, e está aqui.

Quatro netos

               (adao cruz)

(adao cruz)

Aos quatro netos

Assim nascidos de uma virada

Do alto da minha escada os contemplo.

No fundo de mim mesmo

Lá no fundo da cratera

Onde ergui a minha escada

Ouço apenas a voz do medo

Entre o sonho e a quimera.

No cimo da cratera

Onde ainda chega o sol

E a noite amanhece

Nascem flores pequeninas

No seio da erva rasteira

e os degraus de nova escada

Para continuar a primeira.

Não ao novo acordo ortográfico


Não concordo com o acordo ortográfico. Os erros científicos são imensos e de tradução pouco objectiva, então em Biologia é flagrante. Além disso, no dicionário Brasileiro não vejo esforço nenhum de introdução de vocabulário Português.
Mais um aspecto: a preguiça intelectual em Portugal em traduzir textos ou o individualismo ou não sei bem qual o problema Nacional, mas os Brasileiros estão atentos a muitos peritos e autores de Ecologia e Ambientalismo internacionais e passam-nos a perna porque há sempre alguma entrevista, há sempre um texto, bastante actual, sobre esses autores, mas escritos em Português (Bras).
E isso, em termos de interrede (internet ) via Brasil já é cultural e saltam logo para o Google. Mea culpa portanto. Salvem-se os blogueiros e alguns jornalistas Portugueses que fazem um esforço extra-humano, de tradução, como é o meu caso, mas é incomparável ao elevado volume de traduções Brasileiras.

Texto integral do Acordo Ortográfico

OUTRAS OBJECÇÕES

Da indicação da hiperligação anterior do AO, descobri o blogue da Priberam e eles próprios apresentam um série de objecções deste acordo, tais como eu tenho, sobretudo quanto à escrita de palavras hifenizadas. Porque o texto é longo deixo aqui a crítica publicada por Cláudia Pinto

João Soares – Bioterra

Tony Blair a contas com a Justiça

Um juiz Inglês aceitou a acusação formulada por um magistrado contra Tony Blair por, enquanto Primeiro Ministro, ter mentido ao povo inglês acerca das razões que o levaram a envolver o país no ataque ao Iraque!

Os que acham que a Democracia e o Estado de Direito não é o melhor dos sistemas para governar um país deveriam reflectir sobre esta notícia.

Enquanto cá, em Portugal e na UE, um dos homens que mentiu a tudo e a todos, Durão Barroso, recebeu como prémio ser promovido a “grande irmão” como paga por estar ao lado dos “Bush” deste mundo. Na velha e democrática Inglaterra, que se vê atacada por terroristas que se acolhem nas sua generosidade democrática, um ex-primeiro- ministro é chamado à Justiça. Por ter mentido ao seu povo!

É capaz de não ser necessário mais argumentos. Quem não quer entender a diferença jamais entenderá…

E já se tinha percebido, para quem quer ver, porque perdeu Tony Blair a corrida à Presidência da UE. Foi o seu próprio país que não o apoiou. É fácil, muito fácil, ignorar o que faz a diferença, mas é mais dificil perceber que o Estado de Direito dá muitas garantias de exercício dos Direitos cívicos. Nós, cá em Portugal, não temos uma sociedade civil forte, que se faça ouvir. Temos esse direito mas não o exercemos. É mais fácil colocar postes como este.

E dizer mal dos países democráticos!

Entretanto, vamos dando toda a simpatia a sistemas que mantêm os seus povos na idade média, as mulheres humilhadas, que apoiam ataques terroristas, que dominam as manifestações populares com assassínios e prisões em massa, sem qualquer garantia de verem os seus direitos defendidos por um advogado ou por uma imprensa livre (ou perto disso).

Os US nem sequer têm um sistema de saúde para proteger os seus cidadãos, usam a força (o mais poderoso usa a força, sempre!) é quase um pais desumano pela competitividade desenfreada, é tudo isso, mas lá os direitos são exercidos.

E os senhores do Iraque um dia destes vão responder em Tribunal.

You are coming away

My darling granddaughter,

You are coming away. At this very minute, you are being born. Mum and Pa are pushing away together,  ever since Saturday, the 2nd of January, of this year 2010.

I understand. It is too cold over here for you to leave your Mother Shelter, her womb.

Unhappily, as it is, that is the law of life.

being born

being born

You shall cry claiming for food. You want Mother’s breast.

Meantime, what dos Father do? Is he pushing along with Mum, holding her hands, with your Grannies alongside him?

in few more hours....

in few more hours....

Or is he all alone or dreaming to be with you like this?

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Um referendo para mim, um referendo para ti

Um grupo de pessoas vai entregar amanhã, na Assembleia da República, as 90.785 assinaturas que recolheram a favor de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Acho muito bem que se façam referendos deste género. Aliás, sugiro que, por uma questão de custos e facilidade de agendamento, se marque, para o mesmo dia, um referendo sobre o casamento entre pessoas de sexo diferente. E outro sobre se os homens portugueses ainda podem usar bigode farfalhudo. Já agora, aproveitando o boletim, outro sobre se as mulheres podem ou não usar calças.

Poderia ser uma bela festa da democracia representativa. Colocávamos em cima da mesa dos analistas, comentadores, políticos e politiqueiros que temos por cá, a maioria uns inúteis, um rol de matérias relacionadas com liberdades individuais, colectivas, sociais.

Seriam, com toda a certeza, as mais animadas e engraçadas eleições que teríamos.

Acordo ortográfico? preparem-se para uma reforma ortográfica

Esta estória do acordo ortográfico devia servir para se pensar na história da nossa língua escrita. Quando os documentos se copiavam à mão as abreviaturas e a ausência de pontuação levavam fermento e saiam a granel das mãos inchadas dos escribas. A imprensa veio pôr alguma ordem bem pouco natural nas coisas, mas a nossa primeira norma ortográfica  é de 1911, sim a normalização ortográfica foi uma conquista de Outubro e viva a República, a que tirou o ph às pharmácias e levou com a objecção de consciência dos que tinham aprendido a escrever antes como vai suceder agora.

Acontece que pela primeira vez na História temos uma massificação do acto de escrever, e através de teclas, que não são nem esferográficas nem as caixas das tipografias. Começámos por ensinar o povo a ler, os países mais vanguardistas vai para 100 anos, e ainda lhes metemos instrumentos de comunicação também escrita nas mãos. Estão à espera que se mantenha a lentidão das normas, de que este acordo é um exemplo de arrastamento? Claro que a norma da língua escrita vai ter de aprender a mexer-se asinha, ai se vai. É aqui que me preocupa a gente que se juntou contra o acordo, que pouco ou nada simplifica das aberrações etimológicas sem sentido herdadas da mania do greco-latim.

A língua portuguesa nem existe: existiu a língua portuguesa do séc. XIV, levou com a do XVII, e a do XIX que ainda cá anda não vai durar sempre.

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Apontamentos de Inverno (10)

Ponte da Barca

(Rio Lima, Ponte da Barca (2))

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (1)

Todos sabemos até que ponto as lutas partidárias, a degradação da economia, as frequentes revoltas e revoluções, a intervenção militar na I Guerra, tinham desgastado a República desde 1910 até 1926. As classes possidentes, os grandes industriais, a Igreja Católica, alguns meios intelectuais, mostravam sinais de impaciência. Porque o novo regime, em que tantos tinham depositado esperança, não resolveu nenhum dos problemas fulcrais que flagelavam a Monarquia dos últimos anos – o subdesenvolvimento e o analfabetismo, entre outros.

Quanto a esses sectores de opinião conservadora era preciso disciplinar o País. A Ditadura Militar a que se seguiu o Estado Novo impuseram a ordem que tantos desejavam. No entanto, durante os 48 anos que mediaram entre o pronunciamento de 28 de Maio de 1926 e a Revolução de 25 de Abril de 1974, e em que reinou uma ordem imposta pela força, houve acções armadas contra o regime ditatorial, desencadeadas por militares (o chamado «reviralhismo»), por civis ou por organizações clandestinas. É algumas dessas reacções violentas contra um regime imposto e mantido pela violência que a nossa memória irá visitar.

Nos anos que se seguiram ao golpe militar de 28 de Maio de 1926, verificaram-se algumas revoltas. Como besta desabituada de usar sela ou albardas, o povo português escoiceava e tentava sacudir os aprestos que, dia a dia, lhe iam pondo no dorso sob a forma de novas medidas repressivas e da supressão dos direitos fundamentais outorgados ainda durante a monarquia, desde a proclamação da Carta Constitucional, e na I República, entre 1910 e 1926 (com o breve interregno do consulado sidonista).

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Le sómê de Cópe-nhágue

Mário Soares, a propósito do aquecimento global que provoca terramotos.

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1. “Vô lá péne rêflêchir (…) le Sômê de Cópenhague. Prémiéremã, le monde á changê bócu (…) Se prevuá mãtenã que a continiuê cóme sá, l’êchôfemã mondial jusc’ô final diu siécle monterrá 3 dêgrês au plius. On ôrá iune monté reguliére des õs de lá mér, pas dê centimétres, mé dê métres. Ça férá disparétre quélques iles et requiulê dê zóne cotiéres de certãs pêís maritimes cóme le nótre. Lêz’ excésses climátiques, les pliuis torrãciéles, dê vãs ciclópiques, tsunamis, uragãs, trãmblemãs de terre ê par ôtre cótê, des séches, chalâr excéssif, desertificáciõ, rêquiul des fôréts, sensible diminuiciõ de la biodivérsitê, serõ plius fréquãs. Cé pá iune pérspective agrêáble pur pérsóne, surtu pár dê jânes gênêráciõs”.

2. Liulá dá Silvá.

“Ã êfê, Luiz Inácio Lula da Silva, ótódidáte, ãnciã uvriê e sãdicáliste, óme diu pâple, de prãcipe ê valâres, diune éxcépcionél ãtuiciõ pólitique, de grande ãtélijance et avéc iune ãcomparáble ábilitê pur óbtenir dê consãnses, á rêussi se plácê avéc le pliu grandes figuiures ãntérnacionáles cóme Barráque Ôbamá u Nelson Mandêlá”…

Note finále: malgrê tu, cêt’óme ne se compáre pá ávéc lê bons á riã convuá pártu!

Crónica visual de Paris

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Nas fotos: Rio Sena com Torre Eiffel ao fundo; Louvre; Notre Dame e pormenores; Quartier Latin; Fauborug Saint-Antoine com Bastilha ao fundo.

Lhasa de Sela (1972-2010)

Logo à tarde, a TSF repete a entrevista realizada a Lhasa no programa “Pessoal e Transmíssivel”.

Veja-o: é um golaço, é sim senhor

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O golo de Miguel Veloso ao Sporting de Braga.

Explicações presidenciais

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Todos concordamos na imperiosa necessidade de Portugal regressar a um espaço económico que durante largas décadas proporcionou a viabilidade de indústrias, garantiu o comércio, dinamizou a marinha mercante. O antigo Ultramar, onde o Brasil se torna cada vez mais numa garantia de crescimento para os investidores, é a única alternativa à completa absorção portuguesa pela Espanha. A insignificância dos nossos números e possibilidades no quadro europeu, implica encarar as realidades, não como uma fatalidade, mas como a oportunidade para prolongar a manutenção da autonomia política.

O caso angolano inclui-se neste necessário regresso ao Sul. Ninguém contesta os benefícios mútuos que são possíveis pela cooperação entre empresas, servindo os Estados para o necessário apoio legal e por vezes, financeiro. No entanto, surgem situações que são obscuras e de difícil compreensão por parte da maioria dos contribuintes portugueses. O recente “investimento de milhões” na Zon, carece do pleno esclarecimento da situação. Isabel dos Santos não é uma instituição bancária ou o nome de um país situado nos trópicos. É tão só, a filha do presidente de Angola. Nem sequer sendo necessário averiguar a proveniência de fundos aparentemente disponibilizados para uma operação daquela envergadura – conhecendo-se a politicamente normal permeabilidade entre bens pessoais dos chefes africanos e aqueles que pertencem ao Estado -, surgem algumas interrogações.

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