Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte VII

7- A Transição entre modelos

Uma das questões mais delicadas neste tipo de processo (negociação de carreiras) diz respeito à transição entre modelos. Como ponto de partida, creio que todos concordarão que há um princípio da mais elementar justiça – ninguém já integrado na carreira (antiga) pode ser prejudicado no acesso à nova.
Sobre este ponto a Srª Ministra chegou a confirmar tal intenção. Sabemos, que esta foi também uma medida colocada em cima da mesa pelos sindicatos, ao que parece, com pouca convicção.

No texto do acordo podemos ler que todos o tempo de serviço prestado num determinado índice será considerado na nova carreira – até aqui, batatinhas, era o que mais faltava que assim não fosse. O que seria importante dizer e exigir era que todos os professores tivessem uma contagem integral do seu tempo de serviço de modo a que a entrada na nova carreira fosse “limpinha” – uma coisa tão simples como isto: pegar no tempo de serviço de um professor, dividir por 4 (duração dos escalões) e colocar no sítio certo. Mas, não é isso que se vai passar porque vamos “pegar” na trapalhada que foi a carreira Maria de Lurdes e que nos levou para a rua, como levou.
Ou seja, o acordo, de forma absurda, permite que a base de integração na nova carreira seja a carreira Maria de Lurdes… Eu, para colocar as coisas na primeira pessoa, estava no 6º escalão na carreira pré-lurdes a 10 anos do topo da carreira… Agora estou no 3º… a 20 do topo. Na carreira pré-Maria de Lurdes estava à entrada do último terço da carreira… Agora, feliz e contente, estou no 1º terço.
Estas questões afectam de modo quase inócuo os docentes no topo da carreira e prejudicam ENORMEMENTE todos os que estão de meio para baixo (quase 70 mil)! Não quero acreditar que isto não é considerado uma prioridade pela organização a que pertenço – a FENPROF!

Servindo o exemplo pessoal apenas para ilustrar de forma mais detalhada um processo mais amplo, termino afirmando de forma bem vincada, que este modelo de transicção era um bom argumento para não ter assinado o acordo. De outra forma, eu teria assinado o acordo se houvesse contagem integral do tempo de serviço, incluindo os 28 meses que nos estão a roubar.
Será que em sede de regulamentação ainda vamos a tempo de emendar este ENORME erro?

Medo

É a palavra que justifica tanta preocupação!

São 25 anos sobre a morte de Pedroto, de que fala sua eminência?
É o aniversário de não sei o quê em Espinho, de que fala sua eminência?

Obviamente, a gente agradece tanta atenção!
São óptimos sinais!

Centenário da República: os posters comemorativos (1)

1. A DOCE MÃEZINHA

Mário Soares anda todo ancho, já perspectivando o ciclo de forró comemorativo que se avizinha. Assim, vai avisando que apenas serão comemoradas as duas repúblicas do imaginativo esquema vigente, deixando a mais longa e duradoura, como coisa esquecida no limbo da conveniência. Olvida assim, aquela que foi precisamente a 2ª República, – a actual, queira ou não queira, é mesmo a terceira – quem solidificou a instituição, tornando-a corriqueiramente respeitável e alçando os Venerandos à semi-divina condição de entes intocáveis, de que aliás, Mário Soares muito beneficiaria.

A sua questionável coerência, deixa-nos por vezes pérolas de inestimável valor republicano e nos meandros do texto que hoje o Diário de Notícias publica, encontra-se esta saborosa justificação para o dinástico alçar do sr. Artur Santos Silva à presidência da Comissão Oficial do Centenário:

“O Governo decidiu – e bem – constituir uma Comissão Nacional para as Comemorações, presidida pelo Dr. Artur Santos Silva, bisneto de um dos heróis do 31 de Janeiro de 1891 (…), neto de um ilustre médico, várias vezes ministro da 1ª República (…) e filho do ilustre advogado e resistente antifascista (…) de quem tive a honra de ser amigo.”

A plutocracia tem destas coisas. Os amigos são para as ocasiões, mesmo sendo santos entre silvados.

A reforma dourada de Maria de Lurdes Rodrigues

Concordo totalmente com o Fernando Martins e não me importava nada de me sentar à mesa com ele. Nomear Maria de Lurdes Rodrigues para a presidência da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, dirigida até agora por Rui Machete, é premiar a incompetência, a inépcia e a mediocridade de uma ministra cujas medidas mais emblemáticas já foram parar, via Isabel Alçada, ao caixote do lixo da história.
Dir-me-ão os inocentes que foi uma excelente ministra e que esta nomeação é um prémio. Mas se o foi, por que razão não continua no Governo se todos os principais Ministros continuaram?
Quem devia ocupar o cargo na FLAD? Medeiros Ferreira di-lo melhor do que eu.
No meio disto tudo, sortudos mesmo foram os alunos do ISCTE, que se livraram de boa. E a própria, claro, que garantiu desde já uma reforma dourada.
Coitada da FLAD…

O sábio aponta a Lua, o idiota olha o dedo!

A dívida do Estado de que Sócrates nunca fala, é um dos factores que mais entorpece o desenvolvimento da economia. Desde logo porque uma parte significativa da riqueza criada vai para fora à conta dos juros; depois porque as taxas praticadas são cada vez maiores e os empréstimos são obtidos em condições muito desvantajosas; e os investimentos em que esses empréstimos são aplicados, muito raramente têm o retorno que possibilite o pagamento atempado.

Claro que nada disto interessa se o objectivo for fazer betão para alimentar a máquina das construtoras e dos bancos. As parcerias Público/Privadas são contratos onde o Estado reserva para si todos os riscos, com compromissos leoninos que admitem toda a sorte de negociações, rearranjos e golpes com vista a favorecer as empresas do regime.

Quando todos os economistas que não precisam do Estado para viver, indicam o precípicio para onde o país caminha, Sócrates vem-nos dizer que as gerações futuras não nos perdoariam se não fizéssemos hoje, as obras. Não diz que as gerações futuras nem sequer cá estão para saberem que vão pagar com o que não têm. Uma economia que gere riqueza! E sem riqueza vão pagar com o desemprego, com o nível de vida, com o atraso do país, como está aí à vista de todos, após décadas de investimentos públicos!

Porque pedir emprestado dinheiro lá fora e depois dar à manivela das betoneiras, todos fazem, é simples e fácil, dificil, seria pôr o tecido empresarial a produzir bens e serviços transaccionáveis que se exportam, que substituem importações. Isso é que teria mérito!

Constâncio, o mágico

Já nem me lembro quantas vezes Constâncio nos retirou da recessão. Hoje foi mais uma. Também tenho as minhas previsões: a credibilidade do Banco de Portugal vai descendo, e descer ainda mais, atingindo em meados deste ano o grau de boneco animado: este mesmo que aqui vos deixo.

Quantos 25 de Abril houve? (Vasco Lourenço responde a Manuel Bernardo)

continuação daqui

Carta aberta do coronel Vasco Lourenço ao coronel Manuel Bernardo, que se referiu àquele na carta aberta que enviou a Marcelo Rebelo de Sousa a propósito vdo lançamento do livro do coronel Sousa e Castro

Pergunto-me se vale a pena gastar tempo e energias com o Manuel Bernardo (MB). As suas acções no passado criaram-lhe um tão grande perfil de descredibilidade que me parece ser tempo perdido… De facto, só quem gosta de ser enganado é que ainda lhe dá crédito…

O ter presente o velho ditado de “água mole em pedra dura…” leva-me a, perante as investidas que me vem fazendo – ainda não consegui atingir o porquê de me ter eleito como alvo preferido das suas ofensas – esta tomada de posição, que conto possa trazer algum esclarecimento e alguma luz a quem esteja mal informado, mas de boa fé.

1. Em primeiro lugar, recuso liminarmente o título que MB colocou em mais uma das suas diatribes: como afirmei já mais que uma vez, não sei mentir, não invento estórias, os factos que conto são verdadeiros. Por muito que alguns MB os tentem contrariar. Neste caso, para além de não apontar nenhum facto concreto, a sua falta de credibilidade é a minha melhor defesa.

Importa aqui recordar a sua reacção, quando alguém lhe chamou a atenção para o facto de ele saber que as afirmações que faz no seu último livro sobre mim e a minha actuação na Guiné não corresponderem ao que se passou, não estarem correctas, estarem deturpadas: ” está bem, mas eu tinha umas contas a ajustar…” afirmou, com o maior à vontade dos mentirosos e dos cínicos! Continuar a ler “Quantos 25 de Abril houve? (Vasco Lourenço responde a Manuel Bernardo)”

E eu que pensava que podia agir sempre igual!

Ensaio de Antropologia da Educação

Era o que os meninos comentavam. Numa das muitas sessões que fizemos ao longo do tempo. Com toda essa equipa em Portugal, Espanha, França, Chile, Angola, Brasil e noutros países. Equipa que me tem permitido viver a Antropologia da Educação. Essa Antropologia que nos faz viver de forma diferente, quando pesquisamos. E depois. E durante. E nos sonhos. E na interacção. Que nos confronta com o poder público que gere o nosso Estado. Essa, que Meyer Fortes, tantas vezes referido nos meus trabalhos, empurrou entre os Tallensi do Trans-Volta, no antigo Ghana. E no nosso imaginário. Eu nunca tinha pensado que havia esses agir propositados, incumbidos na mente. Na mente desse ser que está a entender, a pouco e pouco, o que no mundo anda a acontecer. E que o surpreende às tantas, e às tantas o deixa igual. O pai não quer, é uma frase reiterada nas culturas; a mãe não deixa, seria outra; se o tio souber? E a vizinha? E o Senhor Padre? E o professor? E o que aconteceu ao Capuchinho Vermelho por não aceitar? O lobo a comeu, Sr. Doutor. A Catequese já diz que é preciso obedecer. A quem de entre todos, é que a catequese não diz. Mas, nestes países latinos, como nos outros que tenho estudado de crendices não universais, o ensino do que e como fazer, está definido. Da forma heterogénea que eu gosto de bisbilhotar. Da forma heterogénea que o grupo onde calha andar, me ensina. No seu dizer, no seu fazer. Continuar a ler “E eu que pensava que podia agir sempre igual!”

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Mário Soares e o 25 de Novembro.

continuação daqui

O antigo chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e secretário-geral do PS, Vítor Cunha Rego, tivera contacto anteriores ao 25 de Abril com o chefe da CIA em Lisboa, John Morgan. Após o assalto ao «República» e quando Carlucci adquirira a certeza de que Soares entrara no «bom caminho», seriam designados Cunha Rego e Bernardino Gomes para veicular os futuros contactos e o apoio da CIA ao PS.

Com o caso «República» ainda fresco e tendo em conta que aquela organização considerava prioritárias as acções na imprensa e em editoras, como o senador Edward Boland de Massachusset apuraria no final dos anos 70, foi decidido combater a predominância do PC nestes sectores. Assim nasceria a editora «Perspectivas Realidades», ao mesmo tempo que era adquirido o edifício onde iria funcionar a CEIG, Cooperativa de Edições e Impressão Gráfica, com a finalidade de imprimir o diário «A luta» em substituição do «República». O contacto americano era um «operacional» das chamadas «covert operations», ou operações clandestinas, da CIA, a que chamarei apenas KC. (…)

Em entrevista à TVI e a Miguel Sousa Tavares na SIC [1994], o Presidente da República [Mário Soares], para além de se colocar no papel de principal líder da resistência à tentativa comunista de 25 de Novembro, adiuantaria que, de facto, «conspirara» com Callaghan e os serviços secretos ingleses, embora negasse qualquer apoio dos norte-americanos. (…) Mas o general Ramalho Eanes, um pouco esquecido pelos media, viria a contestar o paperl de Mário Soasres no 25 de Novembro, afirmando poder «garantir que a versão dos mesmos apresentada pelo Dr. Mário Soares contém algumas inverdades». Chegaria mesmo a acusar o seu sucessor de pretender adulterar a história, de não ter lido os documentos oficiais sobre o 25 de Novembro e de ter tendência para valorizar os seus contactos internacionais. Mas, segundo refere, «a verdade é que os militares trabalharam essencialmente com matéria-prima nacional». Continuar a ler “Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Mário Soares e o 25 de Novembro.”

Os maus professores têm calos no cu

Num momento em que tanto se fala do acordo entre Ministério e Sindicatos, penso que é necessário trazer à colação um critério que podia e devia ser utilizado em qualquer avaliação do desempenho de professores: o toque rectal.
Perguntarão os leitores mais maliciosos se eu ando a frequentar sítios menos adequados para um pai de família. Nada disso, seus maroteiros. A minha afirmação decorre da experiência, própria de quem lecciona há mais de 16 anos.
Com efeito, um mau professor é aquele que se senta na sua cadeira no início da aula e não mais se levanta até ao fim da mesma. Dá a aula dali, da cadeira. Fala para os alunos esticando o pescoço para poder vê-los. E repete a façanha, aula após aula, dia após dia, semana após semana. Ao fim de alguns anos de carreira, o seu rabo está quadrado e cheio de calos. Mas a progressão, essa, está sempre garantida.
Aproveitemos o que se está a fazer nos Aeroportos, com o «scanner» total dos passageiros, e apliquemo-lo ao processo de avaliação de professores. Mas neste caso, basta fazer um «scanner» muito específico que logo se obterão as respostas pretendidas.

Meu Querido e Adorado Gay

NOVOS CASAMENTOS, NEGÓCIOS DE MILHÕES

Não havendo um censo, estima-se que haja em Portugal cerca de um milhão de homossexuais. Dez por cento da população. Tantos quantos os apoiantes que reclama o poeta.
Mas não misturemos as coisas, o poeta nada tem a ver com este assunto. Só serve como comparação estatística.
Ora este milhão de pessoas, é muita gente.
Segundo as notícias com que todos os dias nos vão inundando, esta comunidade exultou com a possibilidade de se poderem casar. Festas, festinhas e festarolas, aconteceram por esse País fora. Dá para pensar e supor que nos próximos tempos, poderemos vir a ter um incremento do número de casamentos.
Aqui chegados, ponho-me a pensar nos verdadeiros motivos que nortearam o nosso querido e adorado líder, Sócrates II O Dialogador, quando propôs e fez aprovar, com uma maioria de esquerda apressada e medrosa, a Lei que consagra a possibilidade de os homossexuais casarem.
Não acredito que o nosso Primeiro queira casar com alguém do mesmo género, ou que tenha amigos ou familiares que o queiram fazer, e que por essa razão tenha decidido propor tal Lei.
Não acredito que o nosso Primeiro tenha por esta comunidade um tal apreço, que tenha decidido ajudá-los nas suas pretensões, só porque sim.
Por fim, também não acredito que o tenham norteado as ideais de um Portugal melhor, mais solidário e mais progressista.

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Externato de Braga: Olha se fosse na escola pública!

Ao que parece, um aluno de 16 anos do Externato Carvalho Araújo, em Braga, disparou sobre um colega à entrada do estabelecimento de ensino. Diz a PJ que o disparo foi acidental.
Olha se fosse na escola pública! A violência no ensino público, as escolas que não formam, a falta de segurança, a culpa é dos professores, no ensino privado não há destas coisas e por aí fora.
Como estamos a falar de ensino privado, ah e tal, foi acidental. Alunos a fumarem e a drogarem-se dentro dos colégios? É acidental. Alunos a fazerem sexo e a ficarem grávidos dentro dos colégios? É acidental. É sempre acidental.
Ah, e os «rankings», claro, também são sempre acidentais.

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui

O que se diz por aí

A política externos dos EUA é cheia de coincidências. O facto de estarem em vias de duplicar o armamento em Israel é mais um desses casos. Claro que nada tem a ver com o Irão. A minha dúvida é se, por acaso no tempo de George W. Bush se faria de modo diferente?
Espero que as forças de segurança portuguesas, nos preparativos da recepção ao Papa, se lembrem de estarem atentas ao pessoal que adora atirar-se ao Santo Padre. Este deve ser o Pontífice mais assediado de todos os tempos. Mas, entretanto, a Protecção Civil que cuide de tratar das estradas do Distrito de Lisboa.
Até lá, o povo que se preocupe com o mau tempo que veio para ficar. Isto até parece que estamos no Inverno…
Bem pior está quem vive em Ciudade de Juárez que foi considerada a cidade mais perigosa do mundo. Conseguir bater Bagdade é obra!
Já em Portugal, parece que Catarina Furtado vai andar aos tiros, numa nova série televisiva que se chamará “Cidade despida”, que, por mero acaso, é a tradução do título da série policial norte-americana “Naked City”. A originalidade da nossa produção televisiva é um espanto. Mas os tiros não ficam por aqui, pois pelos vistos um aluno foi baleado num externato em Braga.
Por fim, parece que os alegados etarras queriam instalar um fábrica de bombas em Portugal. Aqui está um tipo de investimento estrangeiro que não tem interesse nenhum para Portugal.

É um governo de esquerda, claro

O agravamento de impostos sobre as mais-valias de acções não avançará este ano. Segundo o Diário Económico apurou, o Governo não deverá incluir no Orçamento do Estado para 2010 qualquer medida no sentido de aumentar a carga fiscal sobre os lucros conseguidos com a venda de acções.
Desta forma fica pelo caminho a medida prevista no programa de Governo do PS de “aproximar o regime de tributação das mais-valias mobiliárias ao praticado na generalidade dos países da OCDE” e contraria a recomendação do grupo de especialistas que apresentou um relatório de política fiscal em Outubro passado, a pedido do Ministério das Finanças, onde defendia a tributação das mais-valias.

Via Pedro Magalhães, que escreveu Um  post populista a não perder.

Bolsa para Totós

Se fosse editado hoje, A Bolsa de Max Weber seria certamente publicado nesta famosa colecção dos totós.
Publicado em 1894 como um conjunto de 2 textos destinado ao grande público que talvez considere a bolsa como “uma associação de conspiradores vivendo da burla e da gatunice, à custa do honesto povo trabalhador” e com o objectivo de explicar o funcionamento dos mercados bolsistas, esta obra, que li na versão portuguesa da Relógio D’Agua Editores traduzida por Rafael Gomes Filipe é obrigatória para quem quiser perceber como chegamos à complexidade do actual mundo financeiro.

É curioso como a especialização que tinha como objectivo partir um problema em pequenas partes de forma a que através dessa simplificação esse problema se tornasse resolúvel, acabou no fim por tornar um qualquer problema numa amálgama de pequenos pormenores que dificultam ter aquilo que na moda actual se chama de visão holística.

Assim, para mim pelo menos, ter uma visão histórica ajuda a perceber a realidade de hoje na medida em que apresenta de uma forma condensada e coesa aquilo que no mundo actual podem ser várias áreas de conhecimento que eventualmente já nem têm grandes pontes entre si.

A propósito dos tempos que correm, de bancos “too big to fail” mas que passado um ano já estão a dar aos lucros habituais, e pegando só numa das (muitas) partes que este pedagógico A Bolsa de Max Weber refere não posso deixar de transcrever estas 2 frases:

“(…) não existem na bolsa transacções que, em razão da sua forma, seja em si mesmas «sérias» ou «pouco sérias», mas apenas homens de negócios sérios ou pouco sérios que se servem destas formas. A bolsa é uma questão de pessoas.”

“A transição de uma transacção com fins comerciais para uma pura operação especulativa de agiotagem é muito fluida, é progressiva e imperceptível(…)”

Bolinhos de bacalhau na Salon

Francis Lam, o cozinheiro de serviço na revista Salon, dedicou algum do tempo dele a preparar e sugerir os bolinhos de bacalhau, uma receita portuguesa dos sete costados.

Se não souberem como se faz, aprendam com ele.

Memória descritiva: neste dia…

Neste dia, 12 de Janeiro, passaram-se muitas coisas. Entre muitas dezenas de acontecimentos, escolhi quatro dias e cinco factos, tantos quantos os dedos de uma mão. Vamos então a esses dias e factos, todos eles dramáticos.

Em 12 de Janeiro de 1431, teve início em Ruão o processo contra Joana d’Arc, acusada da prática de bruxaria. Como se sabe foi condenada e executada em 30 de Maio seguinte. Heroína francesa da guerra dos Cem Anos, não teria ainda completado os 20 anos quando foi queimada. Mística e ignorante (uma mistura explosiva), dizia, desde os treze anos, ouvir vozes de santos – São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida – que lhe confiavam a missão de salvar a França invadida e ocupada pelos Anglo – Borguinhões.

Levada à presença do rei Carlos VII, que se refugiara em Chinon, conseguiu que lhe fosse confiado o comando de algumas tropas e venceu uma série de batalhas, levando a que Carlos VII fosse sagrado rei em Reims. Falhando na tentativa de recuperar Paris foi, na Primavera de 1930 aprisionada pelos ingleses. Julgada por membros da Igreja, gente do alto clero francês vendido ao invasor (a Igreja não gosta de perdedores), Pierre Cauchon, bispo da diocese de Beauvais onde Joana fora aprisionada, condenou-a. Acusações: vestia roupas masculinas, fazia profecias e afirmara que as suas visões eram de origem divina.

Acabou por ser queimada viva na Praça do Vieux-Marché. Note-se que Carlos VII, que lhe devia a coroa, não mexeu um dedo para a salvar. Moral da história – Vae victis!. Continuar a ler “Memória descritiva: neste dia…”

Megaprojectos – Alqueva serve para quê?

Reina enorme desilusão nos agricultores alentejanos. A água que é a base da transformação da agricultura de sequeiro em regadio, não chega aos campos, só meia dúzia de agricultores arriscaram avançar com os seus projectos, mas às escuras, sem saberem quando vão ter àgua, quanto custa, em que condições vão ter acesso à água.

O Estado afastou os interessados das negociações, dos projectos, as associações de agricultores lamentam nada saber para poderem informar os seus associados, para quem, aliás, a barragem foi construída. Mas é claro, que o verdadeiro poder é deixar as pessoas penduradas, sem informação, agora é a hora de negociar os campos de golf, as milhares de camas ali à volta da albufeira, escolher os melhores sítios.

Qual lavoura?

Ali está o provinciano “maior lago artificial da Europa”, sim, cá nunca se faz uma coisa ao nível do que precisamos, é sempre a ponte maior, com o arco maior de betão, e assim por diante, que a máquina do betão é preciso ser alimentada!

E agora querem implodir os estádios, os tais que tambem eram imprescindiveis…que será coisa que se calhar não têm coragem para fazer quanto a Alqueva, mas avançar com a rega, isso é que não, os agricultores podem ficar informados e terem planos, valorizar as suas terras, decidirem-se pela agricultura, produzirem azeite e tomate, frutas e flores, e porra, isto seria um desastre, lá se iam as importações…

Marcelo Rebelo de Sousa e as ironias

Não se sabe se, no PSD, Cristo voltará a descer à Terra. Agora é pouco provável. O tempo de preparação dessa visita já terá passado e há outros apóstolos que começam a posicionar-se para o lugar de messias “laranja”.

Marcelo Rebelo de Sousa

O que se sabe é que Marcelo Rebelo de Sousa deixa em breve de fazer as suas escolhas na RTP. Saí, mas contrariado. Não tardará a encontrar outro espaço para apresentar as suas opiniões, que, como se sabe, são escutadas com mais atenção do que um qualquer pecador num confessionário.

Sonho de noites de Inverno

O Venerando fala ao país

Confirmando aquilo que todos secretamente previam, os grandes interesses vão mesmo insistir num governo – mesmo que informal – do Bloco Central e assim, esta solução parece irreversível. Há uns meses e ainda antes do último escrutínio, Sampaio saiu a terreiro para defender em “nome da estabilidade” – da qual pouco caso fez quando ainda belenzava -, a necessidade de uma coligação PS-PSD. Uma ideia tão luminosamente inédita, decerto terá faiscado durante uma partida de golfe, onde por “mero acaso”, – claro – talvez tivesse visto de longe, nada de confusões… – os habituais convivas de todos os “Chefes de Estado”: gente dos media, da finança, off-shoreiros, bolseiros,  comensais do princípio da mobilidade e outros benfeitores da pátria.  Está tudo bem apertado e armadilhado. Mais recentemente, o sr. Cavaco Silva manifestou também a sua vontade, apelando ao “entendimento entre os partidos”. Miraculosamente, voltámos ao curto período que se sucedeu às últimas eleições, onde surgiram meigos cordeirinhos dispostos a todo o tipo de entendimentos, “Por Bem”. Se a isto acrescentarmos a guerra que se avizinha por Belém, teremos o quadro completo.

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O cardeal

Cañizares

Volto uma vez mais a esta repugnante foto de António Cañizares, patente num dos posts anteriores, cardeal do jet set espanhol, vivendo em Roma, e que passa a vida em forrobodós, casamentos, baptizados, aniversários, bodas de ouro e prata, de gente rica e famosa. Convidado para abençoar tudo o que seja festas multimilionárias, reaccionário até ao tutano, mostra, com efeito, não ter o mais pequeno sentido do ridículo, mas mantendo o portentoso sentido de orientação nas águas em que ele e a igreja se movem.

Quer a igreja quer o capital sempre coordenaram interesses e estabeleceram estratégias comuns para consolidarem as suas complementares posições. Sempre se engalanaram pomposamente, sempre se calaram perante os graves problemas nacionais e internacionais, e em tudo dão e sempre deram as mãos, em pactos mais ou menos secretos, para atingirem os seus idênticos fins, isto é, a Fé no Capitalismo, a Esperança na exploração e no super-lucro e a apaziguadora caridade de prometer aos pobres a vida eterna.