As Redes Sociais nas Autarquias:

Hoje estive num seminário internacional sobre “Estratégias de Comunicação nas Autarquias e nas Organizações Públicas”, organizado pela Omnisinal.

O principal motivo da minha presença: ouvir Sergio Fernández López (SFL) e as suas opiniões sobre as novas ferramentas de comunicação digital, em especial as Redes Sociais, matéria na qual Sergio López é especialista.

Devo confessar que sou um pouco céptico nestas coisas (Seminários). Claro que os considero fundamentais e um importante instrumento de aprendizagem. Porém, abordagens “académicas” relacionados com as novas ferramentas comunicacionais digitais, mais especificamente as Redes Sociais e a sua importância na comunicação institucional, não podem ser explicadas por qualquer um.

Outra coisa que me irrita solenemente nestas sessões é a velha mania portuguesa de fazer perguntas opinativas. Ou seja, em vez de se tirar dúvidas, emitem-se opiniões, as mais das vezes perfeitamente deslocadas quando não estúpidas. Como diz um amigo, são os “achadores” – eu acho que isto, eu acho aquilo…

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Maior eclipse do milénio foi provocado pelos EUA

Faz hoje uma semana, ocorreu o maior eclipse do milénio, o qual, como todos sabem, foi provocado pelos E.U.A., tendo  lançado na obscuridade e frio o Centro e o Leste de África. Poucos dias antes, o mesmo país tinha provocado o sismo no Haiti. Prevê-se agora que um meteoro de grandes proporções, controlado pela aviação americana, aniquile completamente a Venezuela nos próximos dias.

O governo de Chavez, contra o que é habitual, denunciou apenas um destes crimes. Receará, porventura, que o mundo não acredite na veracidade dos outros dois?

Em Wall Street o dinheiro não dorme

Já foi há 20 anos. Mas parece que ainda foi há dois meses. Bom, na realidade foi. Foi há um par de meses que vi, pela segunda vez, Wall Street, o libelo de Oliver Stone sobre o período áureo dos yupis nova iorquinos dos anos 80. Era o tempo do capitalismo desenfreado, do dinheiro no topo de qualquer pedestal, o tempo do dinheiro em que as notas não tinham rosto.

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Não deixa de ser significativo que vinte anos depois, numa fase em que o mundo vive a pior crise dos últimos 80 anos, se calhar de sempre, esteja em preparação a sequela. Com Oliver Stone a realizar e com Michael Douglas a regressar a uma das suas grandes personagens: Gordon Gekko. De resto, uma das mais fascinantes personagens do cinema ambientadas no mundo das finanças.

A história chega-nos 20 anos depois. O especulador bolsista saiu da cadeia e parece diferente, em busca de uma reabilitação. Falta saber se é coisa para levar a sério.

A Vanity Fair resolveu desvendar um pouco de Wall Street 2: Money never sleeps. E convidou Annie Leibovitz para fazer as fotografias.

O filme há-de chegar mais lá para a frente. Em Abril.

Tintarella di luna

Frequento uma tertúlia interessantíssima, com gente ligada ao teatro, médicos psiqiatras (não quer dizer que haja conexão..), onde se fala de assuntos pouco habituais.

Ontem, tivemos uma autêntica lição de um Psiquiatra sobre “misticismo e o seu correspondente  nas doenças de hoje” Curiosamente , começou com esta canção da Rita Pavone, uma voz muito fraquinha e que se ficou por esta canção. O que eu não sabia é que esta canção corresponde a um costume ancestral, das regiões de sul de Itália, em que nas noites de verão de lua cheia, as pessoas se banham à luz do luar. O resultado é uma pele com uma tonalidade rosa/azulada, linda, e que segundo os entendidos exarceba os sentimentos e as emoções levando à troca de casais (quem não tiver parceiro…é melhor evitar a lua…) e que perdura por dois dias.

É esta cor rosa/azulada que levou a dicotomia “lunático” / “aluado”. “Lunático” é a pessoa que se impressiona com a acção que as várias fases da Lua exercem sobre todos os seres vivos, enquanto “aluado” tem a ver com esta acção no comportamento sexual dos indivíduos. De um lado a “materialidade” do outro o “misticismo”.

Já no norte e nas regiões mais frias, em que o “centeio” é o alimento base, há a chamada “cravagem do centeio” em que os indivíduos são obsequiados com uma intensa penugem em todo o corpo, e que levou directamente ao “lobisomem”, cheio de pêlo e a andar “sobre quatro ” procurando, afanosamente no chão, os grãos de centeio de que tanto necessita.

A ciência moderna tem hoje explicação para comportamentos que, nuns casos, levaram à fogueira da Santa Inquisição (fase última de purgação) bruxas e duendes e para  “misticismos” observados como sobrenaturais, como é o caso de Joana D’Arc, Tereza D’Avila, Catarina de Siena e João Deus da Cruz. Todos nos deixaram textos impressionantes de “êxtase” e “catarse” (purificação; purgação) e que se desenvolveram depois, no seio da Igreja Católica, para as Companhias Dominicanas e de Jesus, correspondentes ao actual “Directório de Todos os Santos”, a chave da pureza e os seus guardiões, que acabam quase sempre em Papas, como o actual Ratzinguer.

Estas manifestações têm hoje correspondência em doenças psiquiátricas bem conhecidas, como a “obcessão compulsiva”, “bipolar” e “porfíria” esta, uma estranha doença, em que os pacientes urinam “azul” o que por sua vez vai ligar aos banhos de luar e à pele azulada do sul de Itália…

O tanque

O Tanque

(Mais um conto – verdadeiro –da Guiné)

O alferes Almeida foi meu companheiro de quarto em Bigene, no norte da Guiné, se é que podemos chamar quarto ao alpendre onde dormíamos. Cerca de oito anos mais novo do que eu, o Almeidinha fez-se meu amigo de verdade. Amigo desde o acampamento da Fonte da Telha, do quartel de Porto Brandão e da Amadora.

Embarcámos para a Guiné no velho Uíge, empurrados pelo magnífico patriotismo de Salazar, entalados entre o belo gesto das senhoras do movimento nacional feminino e o malabarístico safanço dos filhos dos ricos e patriotas da situação. Embalados pelas ondas do mar da Mauritânia, e sossegados pelas ricas ementas flamejantes do cozinheiro de bordo, demos à costa da Guiné no dia 13 de Maio de 1966.

O Almeida e eu pertencíamos à mesma companhia. Eu como médico e ele como atirador, comandante de pelotão. Nos primeiros tempos da nossa comissão na guerra da Guiné estivemos separados. Eu fui destacado para Canquelifá, perto da fronteira da Guiné-Conakry. Ele esteve de intervenção durante algum tempo. Quando a companhia se fixou em Bigene, já eu lá me encontrava. [Read more…]

Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar

Um simples texto sobre o Haiti

Registei este texto, mas não sei porquê, estupidamente esqueci de onde o retirei e quem é o autor. Penso que, de qualquer forma é útil.

Para EEUU la catástrofe de Haití es un polvorín, no por la amenaza que representaría un posible estallido social para su sistema de seguridad, sino por la ubicación estratégica que reviste el país devastado dentro de su dispositivo imperial de control y dominio en América Central y el Caribe. La decisión de Washington de desplegar unidades y tropas especiales y una flota nuclear (invocando “ayuda humanitaria”) implica una virtual ocupación militar de Haití, entre cuyos objetivos hay uno que sobresale nítidamente: Reemplazar a los Cascos Azules de la ONU y constituirse en única autoridad militar con un control directo sobre el gobierno de Haití. En otro juego de piezas EEUU (utilizando Haití) busca afianzar su hegemonía de potencia nuclear en el Caribe y en Centroamérica con la vista fija en un objetivo de máxima: Chávez y su alianza estratégica militar con el eje Rusia-China-Irán.

Acrescento este comentário meu, a um comentário de Carlos Loures: E ainda por cima este “quero, posso e mando”. Mexem mais comigo a falsidade, a mentira, a hipocrisia e o cinismo do que o próprio insulto directo. Não basta o que diz Fabrício Estrada, (Os EUA exploraram o território e a mão-de-obra, e deixaram o país desertificado, sem recursos, as pessoas sobrevivendo de uma forma desumana. Como se explica que um Estado, perante uma catástrofe, não possua a mínima capacidade de resposta e fique cem por cento dependente da ajuda internacional? ). Ainda no seio de tão grande catástrofe, assaltam o aeroporto, expulsam jornalistas, desviam aviões de outros países, já estacionados e carregados de material de ajuda, impedem a aterragem de outras aeronaves que não as suas, desembarcam milhares de soldados, dispondo assim do Haiti como se de uma quinta sua se tratasse. Bárbaro! Obsceno! O prémio Nobel da Paz treinando!

Alegre confusão

O PS apoia Alegre formalmente, tendo à sua frente um ano político tão difícil, assim afrontando Cavaco Silva com quem necessita de ter uma “convergência” de objectivos, ou faz de conta que Alegre não existe e o BE fica com candidato?

Se o PS avançar com outro candidato e, assim repetir, a “dança” de há quatro anos, dá de bandeja a vitória a Cavaco que está em funções e em vantagem.

O PS sabe isto tudo, mas a tentação de “uma maioria, um governo, um Presidente” doença de que também sofre o PSD, faz hesitar muita gente dentro do partido.

As medidas económicas e sociais que o governo vai ser obrigado a tomar, para manter as contas públicas dentro de certos limites, vão levar o “poeta” com a sua voz de barítono, a criticar duramente as medidas. Se não as criticar perde o apoio do BE e de muita gente descontente por atingida pelas políticas de racionamento económico. Se as crítica, o que é sempre fácil para quem está “de fora”, perde o apoio da parte do PS que apoia o governo de Sócrates.

A confusão é tanta que António Costa tentou hoje fazer “a quadratura do círculo” com evidente atrapalhação, metendo as mãos pelos pés, ele que só ganhou Lisboa porque se juntou às tropas de Alegre.

Por outro lado, se o PS avançar já com o apoio, vai ter que intervir nas picardias que Alegre vai lançar, na tentativa vã de fazer Cavaco Silva vir a jogo.

Um ano de distância é tempo demasiado para um governo que está em funções e com uma vida difícil. Alegre sabe isso melhor do que ninguém. Então porque avançou já? Não é certamente para tornar ainda mais difícil a vida ao governo.

Só há uma explicação. Alegre não tem nenhum compromisso por parte de Sócrates que o PS o irá apoiar!

Jacques Martin (1921 – 2010): a outra orfandade de Alix

Jacques Martin foi um notável bando-desenhador, e deixa-nos sobretudo Alix, de longe a série de recriação histórica mais séria e rigorosa da história da BD.

Faleceu hoje, Alix é de novo órfão, e a banda desenhada franco-belga perde o último dos seus grandes autores.

A Marta SOMOS nós!

A Marta… A Marta podes ser tu… Pode ser a sua filha. A Marta SOMOS Nós!

Marta

A Marta SOMOS NÓS!

É uma menina de Canelas, com 8 anos e que está a viver uma experiência muito complicada, mas está cheia de FORÇA e com MUITA CORAGEM!
Quando ouvimos estes pedidos ou quando ouvimos falar dos números das tragédias, quase sempre o significado é pouco mais que informativo – é o momento absurdo em que a desgraça noticiada é quase entretenimento.
Quando tudo se conjuga na primeira pessoa… Complica! E muito. Olhar para o lado e pensar – podia ser tu… Podes ser tu, pior – podem ser os teus!

A matemática, o Português, o Estudo do Meio agora interessam pouco para todos nós!
Ajudar é a Palavra, ser SOLIDÁRIO o objectivo!
O que vos pedimos é muito simples – inscrevam-se como dadores. Não custa nada e pode certamente salvar a vida de alguém! Pode salvar a Martinha!

Pode aparecer dia 2 de Fevereiro (Terça-feira de tarde), aqui em Canelas (GAIA) ou então ir a um dos centros de Histocompatibilidade que existem no país.
Para saber mais pode consultar o Blog que a Associação de Pais criou para ajudar a divulgar a necessidade da Marta! Vamos a isso!

Apontamentos a sépia (4)

(Gerês (2))

O que eles dizem por aí

Razão parece ter Adão Cruz no Aventar quando questiona a “ajuda” americana no Haiti. 15 000 é o número de soldados que os EUA se preparam para estacionar no território, enquanto jornalistas estrangeiros são afastados do aeroporto: «Os soldados norte-americanos decidiram expulsar os jornalistas do aeroporto de Port-au-Prince onde estão dezenas de jornalistas, sem dar explicações de qualquer tipo» diz o TVI24, citando fontes espanholas. É, tudo o indica, mais mais um passo para perpetuar o império, enquanto a China  se vai posicionando para ser o poder imperial do futuro.

Por cá Mário Soares mostra-se incomodado quando lhe perguntam pelo ex-amigo Manuel Alegre. De ex-amigos está Soares cheio, principalmente quando ameaçam fazer-lhe sombra. Salgado Zenha, onde que que esteja, deve sentir-se reconfortado com a justiça que o tempo lhe vai fazendo. Já Pedro Passos Coelho diz que não sente necessidade de provar que tem ideias. O lançamento de um livro, as entrevistas em que se desdobra, os almoços com blogues, etc. provam isso mesmo. Volta, Pinóquio, estás perdoado.

Ainda por cá, Portugal e o euro podem vir a divorciar-se. Se me enviarem uma lista de divórcio acho que não me apetece contribuir. Enfim, se insistirem muito, junto alguns amigos gestores e subscrevemos uma apólice de seguro para um ou dois carros do estado. É que o seguro, ao que se diz, morreu de velho.

De boa, dizem por aí, escapou Liedson que já trocou hoje umas bolas com o resto da equipa. Bolas? As bolas de Beckham são falsas ou retocadas? Algodão, diz uma apresentadora italiana. Ora bolas!!!

 

No Norte também sabemos estourar dinheiro

Dizem-me que a transformação da linha Porto-Póvoa de Varzim de comboio para Metro foi o expediente que conseguiu que o projecto do Metro do Porto finalmente fosse concretizado.

Que se não fosse isso ainda continuaríamos a ouvir a velha desculpa que o Porto era uma cidade onde era impossível fazer túneis, mesmo esquecendo que há uns cem anos que já tínhamos por exemplo o túnel entre S. Bento e Campanhã.

A verdade é que depois desta transformação de comboio para metro, conseguimos a proeza de, 50 anos passados, o tempo que demora a fazer esse trajecto seja (mais segundo menos segundo) o mesmo.

Mas, como esta comparação vincava em demasia o ridículo que foi esta opção, a Metro do Porto decidiu comprar veículos mais rápidos que iriam (vão?) conseguir cortar uns dez minutos na viagem…

“Ontem, a inaugurar os novos veículos, Isaura e os cerca de duas dezenas de companheiros de viagem, quase todos “habituais”, esperavam chegar ao Porto 10 minutos mais cedo. Errado. Mais de 200 milhões de euros na reconversão da linha para o metro, mais composições urbanas e, agora, 115 milhões em veículos suburbanos “para quê” perguntam utentes.
“52 minutos para chegar à Trindade?”

Não, não é só o grande poder centralista de uma certa Lisboa que consegue esbanjar milhões sem resultados aparentes, nós aqui no Norte também nos vamos safando bem, obrigado.

Homenagem a João Camossa

De João Camossa, recordo a figura inconfundível “à Rasputine” do intencional desleixado que participava pelo PPM nas cimeiras da AD. Ao lado dos senhores doutores do PSD e CDS, este verdadeiro erudito doutor com uma impressionante história e currículo de activismo político, sempre foi presença incómoda.

É bem certo ainda existir um profundo e bem enraizado preconceito pelos monárquicos em geral. Minados por aqueles que assim se consideravam – os rotativos Progressistas e Regeneradores de há mais de um século -, achincalhados pelos improváveis republicanos sem conteúdo que justificasse a pertença ao ideal e quando impossíveis de manipular, perseguidos e ostracizados pela 2ª República, foram durante muito tempo relegados para o baú das curiosidades. Hoje a situação é bem diversa e se assim acontece, João Camossa consistiu numa primeira referência de coragem, sageza e perseverança. Com graça e antecipado sabor revanchista, dizia-nos que …“agora que já não se podem esconder atrás de barretes, vão ver o que os espera dentro de uns… huuuuuuum… trinta anos. Bem gostava de poder assistir, ahahahahaha!”

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Memória descritiva: a Operação Dulcineia

1961 foi, como referi num outro texto, um «annus horribilis» para o regime de Salazar. Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, começava a longa sucessão de acontecimentos que iria culminar, no último dia do ano, com o ataque ao quartel de Infantaria 3, em Beja. Pelo meio, ficava o desencadear da guerra colonial, o golpe de Estado do general Botelho Moniz, a perda do Forte de São João Baptista de Ajudá, encravado no território do Daomé, o desvio de um avião da TAP, realizado por Palma Inácio, que lançou depois panfletos sobre diversos pontos do País, a União Indiana invadiu Goa, Damão e Diu, pondo fim á secular presença portuguesa no subcontinente …

O que se passou no dia 22 de Janeiro de há 49 anos? Um comando do DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação), composto por portugueses e por espanhóis ex-combatentes da Guerra Civil, dirigido por Henrique Galvão e Jorge Sottomayor, pôs em marcha a «Operação Dulcineia», tomando de assalto o paquete Santa Maria, ao largo do mar das Caraíbas e crismando-o de «Santa Liberdade». Antes de vos falar da «Operação Dulcineia», vou apresentar o seu comandante: Henrique Galvão. [Read more…]

Hugo Colares Pinto: reflexos (5)

Felicidade

Para quem quer escrever um texto sobre este tema, ter lido a bela escrita da Carla e o profundo texto do Adão, é uma felicidade ?

A maioria diz que sim, porque aqueles textos são belos, dão prazer e até  abrem trilhos para o seu próprio texto.  Mas para quem quer ir na frente, ser original, aqueles textos só podem ser olhados como uma infelicidade.

Conhecemos pessoas que nasceram com tudo e nunca foram felizes, e há outras que tendo pouco, sempre foram felizes. Há aqui um pózinho de loucura? Pois há! O tolinho, normalmente, é muito feliz, não percebe a sua condição ou percebe que se safou de boa?

Costuma dizer-se que é tudo muito mais dificil para quem é culto. E é verdade! Já pensaram no que será a angústia de um pai médico, percebendo certos sintomas que o filho apresenta? O que pode ser? Um pai que não faz ideia nenhuma acha sempre que é uma gripe.

O primeiro está com o conhecimento e profundamente angustiado, e o segundo está com a ignorância e calmamente feliz

Para sermos felizes a primeira condição é sermos ignorantes e idiotas?

Há gente que pelo seu ADN ou por ter adquirido na vida (normalmente em criança) está impossibilitado de ser feliz?

Então, o que é ser feliz para quem tem as condições que as circunstâncias, ao sabor da vida, se foram reunindo?

Despertar de manhã, acordar os filhos, levá-los à escola, ler o Aventar acompanhado de um cafezinho, o chefe ainda não chegou…

Acordar às três da tarde depois de uma noite copos, primeiro wisky, o fígado a desfazer-se, não tem ninguem, anda de namorada em namorada, telefona aos amigos a dizer que foi ao médico e não tem SIDA…

A felicidade é o caminho, é a vida, é estarmos de bem com a vida, é fazer o que gostamos. E, talvez a única coisa que seja comum a todos nós, é termos consciência do muito que a vida nos dá!

Eu, por exemplo, seria profundamente feliz, se amanhã de manhã acordasse com todos os problemas que os jovens do Aventar têm! É que, sabem, esses problemas resultam do que eu  já não tenho!

E isso não me dá felicidade nenhuma!

No entanto, ontem, quando soube que vem um neto a caminho, vi o meu filho tão feliz, a mãe do meu neto tão consciente da sua condição, que tive que ir à cozinha buscar um prato que não precisava…

O Guerra

Tinha o Zé oito anos, quando na escola em que estudava chegou um colega que se chamava Guerra, que era bem mais crescido de corpo do que qualquer um dos demais colegas. Mas por razões que a ignorância de então jamais apurou, era um miúdo mentalmente frágil, atrofiado pelo medo, inseguro e submisso.

Naquelas idades as crianças revelam uma particular maldade. Razão pela qual o Guerra logo se transformou no “bombo da festa” da rapaziada da turma.

Todos mandavam nele. Todos lhe batiam. Todos. Incluindo o Zé, que arrastado por aquela corrente de maldade e crueza, sentia gáudio em exibir autoridade e domínio sobre aquele gigante submisso.

Um dia, o Guerra encontrou o Zé sozinho no recreio e pediu-lhe um lápis porque lhe haviam roubado o dele. Abordou-o medrosamente e disse-lhe:

– “Emprestas-me um lápis? Mas não me batas!…

O Zé ficou a olhar para aquele gigante de contradições. Tinha o nome Guerra, era mais crescido do que ele e pedia-lhe que não lhe batesse. Naquele momento as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Como sempre acontece, quando relembra esta história.

Lágrimas de arrependimento, de remorsos por todo o mal que sofreu aquele frágil gigante e em que ele foi cúmplice. Quando lhe deu o lápis sentiu que esse seu acto tinha sido o único gesto humano que tivera para com ele, ao fim de meses de escola.

O Guerra afastou-se numa humildade servil que o expunha a toda a violência. E o Zé não foi capaz de o acompanhar de regresso à sala de aulas onde o Guerra se refugiava durante os intervalos, pois sentiu que preferia estar sozinho do que acompanhado por uma ameaça.

Naquele dia sentiu-se o pior e o mais cobarde de todos os miúdos. Ganhou consciência de todo o mal que lhe havia feito, da crueldade de que era capaz. Naquele dia o Guerra atormentou-o por todos os males que lhe havia feito.

No dia seguinte, o Zé estava decidido a falar com ele, a pedir-lhe desculpa, muito embora o castigo estivesse sempre dentro de si.

Tarde demais: os pais do Guerra mudaram-no da escola para uma outra onde teria melhor acompanhamento. Ninguém na turma percebeu ao certo o que era isso. Dizia-se que tinha ido para uma escola de malucos. Mas o Zé sabia que malucos eram todos os que violentaram a sua inocência e a sua fragilidade.

Nunca mais o Zé viu o Guerra ou dele teve notícias. O rosto do Guerra, as suas expressões, ainda hoje as revê com a mesma nitidez da dos tempos de escola. Não sabe se superou as suas fragilidades, se fez amigos ou se continua um gigante submisso. Sabe que consciente ou inconscientemente o seu rosto se espelha na sua memória sempre que vê uma qualquer humilhação ou injustiça. O Guerra é para o Zé a definição de humilhação e de injustiça. E uma razão para desejar um mundo mais humano.

Um mundo que o Guerra não teve.

Ao voto cidadãos

Neto e Falâncio no Festival da Canção

Homens da LutaLuta Assim Não Dá

Eu já votei. Está à espera de quê?