Ai os mercados e tal

Herman Enciclopédia a imitar David Attenborough. Enjoa-me esta conversa dos mercados. Como se fosse um ser que nos olha agachado por trás de uma giesta, como naquele famoso sóquete da Herman Enciclopédia a imitar o David Attenborough.

A questão é, o que são os mercados a quem se atribuem as culpas? Como se acalmam?

Estas questões trazem-me à memória uma velha máxima que usamos no desenvolvimento de software: perante um bug, primeiro deve-se assumir que o erro é nosso e procurar exaustivamente a solução; só depois disso se deve olhar para os outros componentes que coabitam com o software que estamos a desenvolver.

Voltando ao tema, não seria melhor deixar de procurar bodes expiatórios e resolver os problemas internos primeiro? Hoje soube-se que que a despesa pública teve um crescimento homólogo de 2.8%. E que se os juros não tivessem disparado, teria crescido ainda assim 1.5%. Apesar das constantes promessas de o Estado cortar na despesa.

E o que diz o Governo?

«O secretário de Estado argumentou que o crescimento da despesa primária (que exclui o pagamento de encargos com juros) do Estado verificou no final de Outubro nova desaceleração, e que, segundo os cálculos das Finanças, caso os juros se mantivessem nos níveis registados entre Janeiro e Setembro, a despesa total do Estado estaria 1,5 por cento acima dos valores registados de Janeiro a Outubro de 2009.

"Verifica-se a continuidade da desaceleração da despesa primária [sem juros] e da melhoria dos saldos primários, que já se vinha verificando nos meses anteriores", disse» no i

O secretário de Estado procura atirar areia aos olhos dos portugueses seguindo a velha conversa socrática da segunda derivada (no caso, falando em desaceleração). Não, sr. secretário de Estado, a despesa aumentou! O Estado gastou mais do que no ano anterior.

Depois vêm com essa conversa da falta de confiança dos mercados. Gastem menos e então veremos se quem nos empresta dinheiro começará ou não a achar que baixa o risco do Estado falhar os pagamentos com que se comprometeu.

Experimente o leitor emprestar dinheiro a um viciado em heroína e depois falaremos de acalmar mercados.

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