Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.
Mais um excelente editorial de Pedro Santos Guerreiro.






Gostei, sim senhor, no geral! Pena é que o referido jornalista desconheça a existência de margens de lucro superiores a 100% e que não explore melhor os aspectos do hard discount que minimizam e eliminam perdas. Não fez devidamente o trabalho de casa e devia tê-lo feito.
“margem de lucro superior a 100%”
% Margem = ((Receita – Custo) / Receita) x 100
Parece-me matematicamente impossível, mas no Pingo Doce não sei!
O objectivo era uma campanha gratuita, e foi conseguido! Foi muito melhor do que aquela música irritante há tempos, e eventualmente muito mais barato.
Os cidadãos, mesmo sem dinheiro serão cidadãos.
Os consumidores só valem pelo que consomem.
Os trabalhadores, que importam?
Está visto! À luz do 23º axioma do “liberal turn”, que diz não haver almoços grátis, só nos resta esperar para ver quando e como vamos pagar os outros 50%.
Uma paródia da coisa:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Iqa_L7I0k2E
Ou como um povo na miséria troca a sua integridade por uma série de inutilidades e alguma comida para o mês.
Nada disto é inocente num dia em que os vencimentos são pagos a 200% e as margens de lucro são iguais a todos os outros dias.
Há alturas em que sinto vergonha de ser portuguesa.
Ops! o Pingo doce é uma empresa holandesa. Cabeça a minha!
Na sua essência, no consumidor existe a vontade de ter, é ela que o move, e não há nenhuma diferença entre o filme Pingo Doce, aquelas pessoas em estado de sítio, e aquelas outras que dormem várias dias em gasolineiras para comprar bilhetes para os U2, ou dormem à porta do Atlântico para ver os Tokio Hotel, ou na Fnac para comprar o Harry Potter, ou um iPad, ou lá seja o que for. As empresas apuraram os mecanismos de condicionamento e estão a funcionar na perfeição. (Não deixa de ser curioso que, numa época em tudo é inteligente, telemóveis, pneus, semáforos, ventoinhas, maçanetas de porta, o homem, não o seja). E isto é global, e não novo, quando saiu o disco do Bruce Springsteen ao vivo, quíntuplo (creio), nos EUA, também o abstencionismo em escolas, trabalhos, etc. dispararam, foi quase feriado, e isto foi na década de 80. bfds a todos
Caro táxi, eu já chego à conclusäo que hoje em dia os aparelhos têm de ser inteligentes, já que os utilizadores deixaram de o ser…
… e olha, o que se descobriu é que o que move o consumidor näo é a vontade de ter, é a vontade de comprar! Espantoso, näo é? Comprar é uma droga, funciona no curto prazo após o que causa ansiedade. Depois o que se comprou fica a apanhar pó num canto da casa (ou da garagem), ou manda-se fora porque apodreceu antes de se consumir. Mas estes dois efeitos secundários säo ignorados, o que importa é comprar, comprar, comprar mais.
Li há mais de 20 anos numa tira do Garfield uma grande verdade
Não tarda nada, irão descobrir margens de lucro superiores a 100%… é uma questão de esperar mais um pouco…
http://publico.pt/Economia/supermercados-com-margens-superiores-a-50-nos-alimentos-1544634
Há quanto tempo os produtores de hortícolas e similares se queixam do mesmo?