Chegamos ao hipermercado com a lista na mão: pão, batatas, vinho, peixe, etc. e, à entrada, os livros como que se oferecem (não estão na dita lista…). Se tivessem asas, atiravam-se e assediavam-nos mais.
Gosto de ser eu a descobri-los. Quanto mais difícil, mais vontade sinto de os ter em minha casa.
Uns livros levam a outros. Cheguei a Cidadela através d’ O Principezinho do mesmo autor, tão conhecido, o aviador Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) .
Mais de quinhentas páginas onde podemos encontrar meditações sobre “a solidão, o silêncio, as imagens do deserto [tema tão querido a Saint-Exupéry], o problema do tédio e da morte, do prazer e da liberdade, do «sentido da vida»”.
Hoje apetece-me citá-lo “sobre a aceitação da morte”:
Mal orientado na direção dos teus desejos, imaginas que a posse te fará feliz. Estafas-te amontoando, como condição da tua felicidade, pedras que noutro lugar teriam sido pedras de basílica. (…)
Consideras essencilmente a vida como uma pilha de dias. (…)
Não penses deslumbrar-me com o número das pedras da tua casa, das pastagens da tua propriedade, (…) das jóias da tua mulher (…). Nada disso me importa. O que quero é conhecer a qualidade da casa construída, o fervor da religião (…) e saber se as refeições à tardinha, depois do trabalho realizado, decorrem alegremente. Quero saber que amor construíste e por que realidade mais duradoira que tu próprio trocaste a existência. O meu sonho é ver-te realizado. Gostaria de te ler na tua criação, e não os materiais por usar de que fazes a tua vã glória. (…)
É pena não haver mais gente a conhecer este poema que é Cidadela…
P.S.: uma hora depois de ter este post pronto exatamente como o leu até aqui, soube da morte do pianista de Jazz, Bernardo Sassetti (41 anos).
Isto de aceitar a morte é do caraças… É difícil aceitar a dos outros, quanto mais a dos nossos.
Os meus mais sinceros sentimentos à família do compositor. Aí estava uma pessoa que se realizou plenamente, cumprindo o seu sonho, cumprindo-se, criando uma das coisas mais maravilhosas que temos neste mundo: a música. Obrigada, Bernardo.







“A essência não se vê – só a vê o coração” – Saint Éxupéry
Com Saint èxupéry “nasceu”o correio aéreo
Não podia vir mais a propósito!! Impressionantes sempre, estas coincidências.
O país está de luto.
Um abraço,
Margarida Belchior
http://abeirario.blogspot.pt/2012/05/bernado-sassetti-1971-2012.html
Na verdade a morte e o que chamamos de vida são uma e a mesma coisa, reparemos que no preciso momento da fecundação, da criação de vida, inicia-se o processo de morrer, o intervalo é no entanto a percepção.
Gosto de pensar sobre a morte, mas não o faço em termos de aceitação; afinal ela é tão natural quanto o nascimento…
http://facedaletra.blogspot.pt/2011/11/nascimento-e-morte-uma-mesma-natureza.html