No País dos Marco-antónios

Marco António Costa, meu caro João, não está de todo em causa, no próximo dia 29. O pior que nos aconteceu e acontece, pela mão devastadora da Política, não se erradica, erradicando os marco-antónios, porque Portugal é um País de marco-antónios, sobretudo quando se faz um excepcional marco-antónio, isto é, quando se articula e corporiza uma formiguinha excepcional da política. Marco António é bom, excepcional, no seu papel de psicólogo de massas e mobilizador político. Lamento, João.

E se até concedo que por isso mesmo ele não terá tão pesada cruz, como sugeri, liderando a campanha de um PSD, que nas circunstâncias presentes é apenas o Polícia Mau do Poder Político [em contraponto com o Polícia Bonzinho e Distraído PS] apenas porque esse PSD tem cofre para milhares e milhares de euros de Quim Barreiros e Emanuel, em Gaia, está para nascer Povo Português que não misture o espírito da festa da Padroeira com o da campanha eleitoral e onde os pobres e remediados não agradeçam quaisquer ganhos compensatórios mediante o grande festim pelos poleiros locais. É preciso ser excepcional, ímpar, denodado, para se acompanhar a passada decisória e estratégica de Menezes. Eis Marco António.

Já fazer política ou politiquice, dizer A e dizer B, esse é um fenómeno ubíquo e imutável no planeta, por mais que o combatamos. E dia 29 não nos resolverá esse problema. Há muitas maneiras de votar, mesmo nos incompetentes, como lhes chamas, ou troyko-sequestrados, como os concebo eu, que nos governam, se os seus candidatos locais forem competentes, inteligentes e diligentes. Dia 29 à noite haverá muitos lados, não apenas dois. O lado dos que votaram em bons candidatos do PSD, do PS, do PCP, do CDS e do Bloco e o dos que votaram mal, em manuel-almeidas, ou não votaram.

Misturar política nacional com política local, meu caríssimo companheiro João, metendo tudo no mesmo saco, será, quanto a mim, a pior estratégia possível, talvez suicida, quando se busca verdade democrática e escolhas lúcidas locais. Desde quando é que eleições livres equivalem a duas trincheiras, duas opções, ao empobrecimento da escolha e à confusão de departamentos?! Talvez vagamente com o pântano de Guteres, dirás. Pois, mas temos um Estado Intervencionado Externamente graças à gestão danosa de um dos Partidos da Alternância. É bem diferente, digo eu.

Comments

  1. nightwishpt says:

    ” Marco António é bom, excepcional, no seu papel de psicólogo de massas e mobilizador político.”
    Como se isso foi uma coisa louvável. Também Hitler e Goebels o eram.

Trackbacks


  1. […] caro, grato pela réplica, permite-me que retribua mantendo a […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: