Ratos de sacristia direitolas

Não sou muito de trazer para aqui coisas que escrevo no Facebook, mas às vezes salta-me a tampa e por isso aqui vai:

São os subsídios de tostões que o incomodam? Não o perturba o subsídio de milhões que é dado à EDP e que lhe garante rendas fixas mesmo que a população consuma menos energia? Não o perturba os subsídios dados aos colégios privados ao mesmo tempo que se corta na Escola Pública? Sabe que o Estado gasta mais dinheiro com os colégios privados do que com o Rendimento Social de Inserção? Os subsídios aos ricos, está visto, não o incomodam. Só o incomodam os subsídios aos pobres. E depois se calhar é dos que vai para a Igreja bater no peito!

(a propósito de um parvalhão qualquer, certamente rato de sacristia direitolas, que dizia qualquer coisa como isto no mural de um amigo: «Para mim, Eduardo, o problema dos subsídio-dependentes é que enquanto lhes dermos tudo eles não se preocuparão com mais nada. Recebem subsídios para as despesas, as Conferências Vicentinas apoiam com comida, na escola e na saúde nada pagam. Será que vão trabalhar???)

Comments


  1. Se fossem só os rasteiros direitolas. Muita gente pobre que não recebe o RSI, muita gente desempregada recentemente e até muitos que escarraram para o ar atacam quem necessita destes subsídios. Atacam por inveja e principalmente por ignorância e ainda defendem quem realmente MAMA dinheiros estatais recriminando quem não paga as altas facturas dos agiotas da EDP e até tem medo de serem elas a pagar a conta de quem não paga.
    Isto diz muito da estratégia deste governo, que num pais de invejosos do mal dizer de gênios do correio da manha e do BigBrother, funciona as mil maravilhas!


  2. Por norma, esse tipo de anormais tende a colocar no mesmo patamar pequenos subsídios e rendas excêntricas pagas aos amigos do costume. O primeiro é um escândalo e o segundo algo normal que “sempre foi assim”…

    Enfim, somos uma sociedade fácil de formatar!


  3. Sobre RSI só os desumanos ou profundamente ignorantes o contestam, e são muitos. Sobre a EDP, a gentalha do governo o que lhe aumenta nas rendas retira-lhes no IRC.Sobre a educação deixo aqui este belo texto/testemunhoA minha escola pública
    por BAPTISTA-BASTOSHoje 13/11/2013 DN

    Tudo o que sou e sei devo-o à escola pública, à abnegada dedicação de professores, cujas memórias retenho com emoção e saudade. Não é mau ter saudade: é manter o lastro de uma história que se entrecruza com a dos outros, de muitos outros. É sinal de uma pertença que transforma as relações em laços sociais, frequentemente para toda a vida. Da primária ao secundário, e por aí fora, a presença desses homens e dessas mulheres foi, tem sido, a ética e a estética de uma procura do próprio sentido da vida. O débito que tenho para com eles é insaldável. A paciência solícita, o cuidado e a atenção benevolente do tratamento dispensado aos miúdos desbordavam de si mesmos para ser algo de grandioso. Ah! Dona Odete, como me lembro de si, da sua beleza mítica, da suavidade da sua voz, a ensinar-nos que o verbo amar é transitivo. Também lhe pertenço, e àqueles que falavam das coisas vulgares das ruas e dos bairros, da cadência melancólica das horas e dos dias, com a exaltação de quem suspira uma reza ou compõe uma épica.
    Depois, foram os meus três filhos, instruídos em cantinas escolares republicanas, e aí estão eles, no lado justo das coisas, nesse regozijo dos sentidos que obriga ao grito e à cólera quando a repressão se manifesta. Escrevo destas coisas banais para designar o verdete e o vómito que me provocam o ministro Crato e o seu sorriso de gioconda de trazer por casa, quando, por sistema e convicção, destrói a escola republicana, aduzindo-lhe, com rankings e estatísticas coxas, a falsa menoridade da sua acção. Este ministro é um mentiroso, por omissão deliberada e injunção de uma ideologia de que é paladino. Não me interessa se abjurou dos ideais de juventude; se tripudiou sobre “O Eduquês”, um ensaio dignificante; ou se mandou às malvas o debate que manteve com o professor Medina Carreira, num programa da SIC Notícias. Sei, isso sim, que os homens de bem devem recusar apertar-lhe a mão.
    Ele não diz que a escola pública está aberta a toda a gente, e que a escola privada (com dinheiro nosso, dos contribuintes) é extremamente selectiva. Oculta que a escola pública acolhe os miúdos com fome, de pais desempregados, de famílias disfuncionais e desestruturadas, que vivem em bairros miseráveis e em casas degradadas, entregues a si mesmos e à raiva que os alimenta.
    Não diz que a escola pública é a imagem devolvida da sociedade que ele próprio prognostica e defende. Uma sociedade onde uma falsificada elite, criada nos colégios, tende a manter-se e a exercer o domínio sobre os outros. Oculta, o Crato, que, apesar desse inferno sem salvação, fixado nos rankings numa humilhação atroz, ainda surgem alunos admiráveis, com a tenacidade e a dimensão majestosa de quem afronta a injúria e a desgraça. E esta imprensa, muito solícita em noticiar trivialidades, também encobre a natureza real do grande problema. Tapa os ouvidos, os olhos e a boca como o macaco da fábula.
    Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico


  4. A mim tanto me incomodam as rendas vergonhosas da EDP como os RSI’s dados sem fiscalização nem verificação; tanto as transferências chorudas para os colégios privados como as obras de luxo nas escolas públicas; tanto as PPP’s das auto-estradas e na saúde como a falta de controlo sobre o cumprimento de deveres dos funcionários públicos (como se viu ontem na reportagem da TVI sobre os médicos). Tudo constitui má despesa pública e desperdício do dinheiro dos contribuintes.


  5. Qual foi o colégio privado que não te quis, rapaz?


  6. Os aventares foram de férias e enviaram os sub-aventares ?? Ou foram reformados ? Não me digam que tenho menos um bocadinho da CGD para os “encaixar”


  7. Quem diz sub diz adjuntos acabadinhos de obter o atestado de incompetência na Independente – ai a minha memória que me desactualiza pois que afinal a Independente deixou de ser e o OA xateia-me a sublinhar a vermelho as palavras em que não adiro ao OA – a rebeldia paga-se


  8. Vale a pena reparar nas consequencias que se notam graves por ex.na situação do b.Lagarteiro no Porto ou das debilidades em ajustar as rendas de casa criminosamente bloqueadas por demagogos irresponsaveis ou o impasse na produção na Venezuela ou Cuba pela má aplicação de apoios que se eternizam naturalmente. Quem gosta de teorizar defende que na natureza alei do menor esforço é universal. Talvez os que defendem a natureza divina do ser humano sintam dificuldade em concordar que essa lei deve ser tida em conta ao desenhar programas de apoio social :mas olhem que os exemplos teimam em dizer o contrario.

  9. Pedro says:

    O pais do privado pagam os impostos que sustentam o público. Os subsídios destinam-se a compensar um pouco esta situação.

    Venha o dinheiro de volta ou aumentem os subsídios para compensar na totalidade. Ladrões, mas o que seria de esperar de uma ideologia falsa criada na Wall Street dos Illuminatis?

    “Wall Street and the Bolshevik Revolution”: http://www.voltairenet.org/IMG/pdf/Sutton_Wall_Street_and_the_bolshevik_revolution-5.pdf

    Entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=7GhPsJCXPqY

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.