Ignorância é força

Ovelha

O que é um programa cautelar? Ninguém sabe ao certo. É possível que um programa cautelar seja apenas uma fabricação propagandística para nos (tentar) assustar, só para que depois se possa anunciar uma saída “limpa” de forma triunfante. Aparentemente a única possível. Há já muitos dias, talvez até semanas, toda a gente sabia que haveria a tal saída “limpa”. Até o Financial Times o garantiu há 4 dias. Quem tinha dúvidas que atire a primeira pedra.

Este tipo de anúncio dramático é comum no discurso “novilinguístico” do governo. Anuncia, por exemplo, um aumento de um determinado imposto de X para depois nos dizer que, após duras negociações e graças à acção determinante e corajosa do governo, foi possível reduzir 0,5% ou mesmo 0,25% do suposto X inicial, quando o mais certo é que o valor pretendido pelo governo/Troika fosse o já descontado. Então afinal, qual foi então a novidade?

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Draghi amigo, a Albuquerque, o Coelho e o Portas estão contigo!

Mario DraghiDraghi está revelar-se aparentemente um homem instável. Transmite a ideia de sofrer da patologia de mudança comportamental, com súbitas e contraditórias transformações cognitivas e comunicacionais.

Na Comissão de Assuntos Económicos do PE, ontem, admitiu a possibilidade de Portugal não ter o sucesso de “saída limpa” (idêntica à da Irlanda) do PAEF e, portanto, estar em risco de, terminado este, vir a recorrer a um ‘programa cautelar’ até ao regresso normal aos mercados.

Ao arrepio deste alarme perante os parlamentares europeus, com a subsequente divulgação pela comunicação social, hoje enviou uma mensagem às redacções a declarar:

Cabe exclusivamente às autoridades portuguesas decidir sobre um possível novo programa

Será que o homem é vítima de doença bipolar? Não creio. Acções de bastidores, e muito possivelmente de Washington, de Bruxelas e da inevitável Berlim, levaram o presidente do BCE a desfigurar o que havia afirmado, menos de 24 horas antes.

Perdida a bússola da Irlanda, de quem o governo português esperava a facilidade do trabalho ‘copy and paste’, tipo aluno cábula, a insegurança e a dúvida do que fazer agravaram-se nas preocupações da Albuquerque, do Coelho e do Portas.   [Read more…]

O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!

A operação de “troca de dívida” ficou consideravelmente abaixo do valor referido pelo Ministério das Finanças. Conforme anunciado ontem na comunicação social, Maria Luís Albuquerque (MLA) e IGCP estabeleceram o objectivo de adiamento dos vencimentos de 26.935 milhões de euros, nas condições demonstradas no quadro seguinte:

Dívidas_adiamento

O Tesouro Português conseguiu, apenas, colocar no processo de ‘troca’ 6.642 milhões de euros. Note-se que, do diferimento de prazo das dívidas de 2014, Portugal apenas obteve dos mercados a prorrogação de 2.675,5 milhões de euros para 2017, fixando-se em 4164,5 milhões a “troca” para 2018.

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Amadores everywhere

Li ontem no site do Expresso que a Irlanda recusou negociar um programa cautelar com as instituições europeias que integram a Troika por “falta de clareza” das mesmas. As palavras são do Ministro das Finanças irlandês Michale Noonan que, entre outras coisas, afirma que “manteve contactos com os parceiros de alguns países “chave” e com os responsáveis da troika e constatou que, além de obter conselhos diferentes, nenhum deles era baseado em dados sólidos: “Diziam-nos sempre, ‘olhem, decidam como decidirem, apoiar-vos-emos na mesma, porque pensamos que a Irlanda está a fazer tudo bem e que vocês estão numa boa posição'”.

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Ulrich, o político, banqueiro a tempo parcial

O caudal e o tom das declarações políticas de Fernando Ulrich, vice do BPI, sempre em defesa do PSD, tornaram-se em repugnante rotina. Trata-se de mais uma originalidade portuguesa.

Com o célebre “Ai aguenta, aguenta”, o político Ulrich, banqueiro a tempo parcial, passou a encarnar o papel de “picareta falante”, outrora desempenhado por Guterres. A despeito da evasão extemporânea, tinha outra fluência e qualidade no discurso.

Ulrich sofre de incontinência verbal e não se liberta de um sectarismo partidário (PSD), a meu ver nocivo para o próprio BPI. Nem todos os clientes do banco apoiam o governo.

O derradeiro disparate de Ulrich relaciona-se com a eventualidade de Portugal recorrer ou não ao programa cautelar. Confia plenamente no primeiro-ministro, na ministra das finanças e no governador do BdP para decidir sobre o citado programa – se a inspiração vem da Irlanda, o também economista, que jamais se licenciou, teria de ler e analisar com atenção esta entrevista.

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