Inscrever para a prova? Claro que sim!

Entre a classe docente a discussão vai intensa e nem sempre com os melhores argumentos. Parece-me aliás que o vEXAME é mesmo uma questão que pode vir a ficar na história da luta da classe, pelas singularidades que encerra. Escrevi há uns dias que

Há muitas dúvidas sobre o enquadramento legal que a sustenta e por isso faz todo o sentido a dimensão jurídica que os sindicatos  decidiram desenvolver (…) Parece-me também que a luta não se fará, no dia 18, através da falta dos avaliados. Esses, na minha opinião, têm mesmo que ir realizar a prova porque não acredito em lutas globais. Quem, no dia 18 (ou num outro qualquer dia), tem que se chegar à frente são os docentes dos quadros.

E suporto esta última ideia na experiência dos últimos anos:

– Quantos de “nós” (muitos agora obrigados a fazer a prova!) correram a entregar objectivos quando se pediu à classe que não o fizesse? Quantos de “nós” se candidataram aos Conselhos Gerais quando a indicação era para que os professores ficassem de fora?

Isto é, nos dois momentos em que os SINDICATOS, unidos, pediram a casa UM de nós que fizesse a sua parte, FALHÁMOS!

Logo, desculpem lá, mas aqui o totó não vai cair na terceira: por mim, LUTAS GLOBAIS (=com TODOS) é coisa que não existe. Assim, a minha sugestão a todos os colegas contratados é: inscrevam-se e apareçam para a fazer.

Poderia e deveria ser diferente?

Obviamente! Eu gostaria muito de ver um movimento dos Professores de rejeição TOTAL a esta prova, mas isso está longe de poder acontecer. Na rua, a mobilização é pouco mais que nenhuma – a FNE descobriu, tal como a UGT, a força da rua (bem-vindos! FINALMENTE!), mas parece-me que escolheu mal a paragem do autocarro, porque não é esta a linha que vai levar mais gente. Tal como a FENPROF (a minha casa) que também apostou mal quando colocou  as fichas todas nos tribunais. Foi uma aposta de risco, com uma derrota muito provável ou que, na melhor das hipóteses, poderia dar empate. Deu. E agora?

Simples. Inscrevam-se e aguardem as decisões formais.

Se houver Prova, nós, os dos quadros, temos que fazer GREVE e ela não se realiza (a não ser que, o MEC resolva colocar polícias ou pessoal auxiliar a vigiar)…

Parece-me que esta a única forma de travar a prova, mas, claro, admito estar errado.

Comments

  1. Maria says:

    Fazer greve no dia da prova e/ou nenhum professor se disponibilizar para as corrigir

  2. Concordo totalmente com tudo o que escreve.
    E mesmo que “o MEC resolva colocar polícias ou pessoal auxiliar a vigiar”, este processo só se concretizará se houver colegas do quadro sem quaisquer escrúpulos a participarem na correcção já da primeira etapa.
    É muito importante que a tresloucada ideia aborte logo ao princípio, para que o MEC não tenha a veleidade de estabelecer planos maquiavélicos para garantir a sua consecução na fase seguinte (das provas específicas).
    Este episódio (espero que não passe disso!) gera sentimentos estranhos. Eu tenho partilhado com os demais colegas de Português o orgulho que sentirei se nós, professores de Português, conseguirmos dar cabo deste delírio de Nuno Crato logo à primeira tentativa de execução. Temos obrigação disso,

  3. Luís Juvenal says:

    João Paulo, aprendi na universidade logo nos primeiros tempos, que a educação era território de arena politica. Temo que nada pare a prova. O MEC vai arranjar alguém para a vigiar e corrigir. Em termos práticos é isto que eu penso. Não há soluções mágicas. Unir uma classe destas só de uma maneira: inimigo comum a todos. Será a prova sentida por um inimigo comum de mesmo todos? Duvido. Enquanto não compreendermos todos, que a profissão não é dar umas aulas, mas é muito mais complexa que isso, exigindo que cada professor compreenda a sua existência e atue na sua dimensão politica a coisa n vai ser muito diferente. Eu sei bem que a sala de aula é muito exigente. Mas também sei, o que acontece se continuarmos a ser pouco mais que meros executores do currículo emanado do MEC. PAC, cortes, prestigio social em declínio.

    Agora, devemos dar passos para contribuir para a unidade. É tremendamente difícil, é. Cada professor tem os seus interesses próprios é verdade. Mas com outro tipo de escola, porventura menos tecnológica, mas muito mais humana, onde o tu a tu fosse educado como forma de relação primordial, se calhar não estávamos aqui. Quantos futuros Passos Coelho estão hoje nas nossas escolas e tem sucesso nas mesmas? Apenas precisando se memorizar, compreender conteúdos, saber escrever. O ser humano é uma realidade muito completa e complexa. Enquanto tivermos subjacente na escola uma ideia de inteligência as duas velocidades (ou tem tudo ou nada), a coisa n irá ser muito diferente disto. Criarmos seres sem capacidade de compreender a plenitude e complexidade do ser humano, sem rasgo e sem grande capacidade de relação e compromisso com outro. Esses são os nossos futuros governantes.

    Deixo o meu profundo agradecimento aos colegas dos quatros fizerem greve com isto ajudem a criar dificuldade à prova.

    João Paulo, a unidade nas bases atuais é impossível. Mas podemos mudar essas bases e é bem de trás que se começa. Aquilo que leccionamos em sala de aula tem relação com PACs. É uma mesma ideia de professor que lhe está subjacente. Pode não parecer…mas como diria o Professor Doutor João Paraskeva, temos de olhar para educação numa perspectiva relacional e não determinista. O professor é um ator social, que deve ter consciência que o seu papel é muito mais que transmitir conhecimentos disciplinares. Aquele abraço,

  4. Miguel Xavier says:

    Que moral se tem para pedir aos colegas do quadro pra fazerem greve no dia 18 quando nós, os contratados, vão logo a corrida se insecrever para realziar a prova. Tou farto de gente indigna e eu assumo sozinho a minha posição. Não faço. Dos cobardes não reza a história…..

  5. Chatice says:

    Estas Provas são definitivamente a selecção dos piores, os que restam não são mais ”professores”. Parabéns para todos os que perceberam que a única escolha digna é dizer NÃO.

  6. Isabel PBP says:

    Os contratados sujeitos a esta prova sórdida não podem ser os “determinantes” desta luta, seria facilmente o seu suicídio perante o sistema.
    Está nas mãos dos professores do quadro, que o MEC quer obrigar a fazer um serviço sujo recusá-lo.
    É necessário que os sindicatos façam pré aviso de greve para o dia da prova! Os vigilantes e correctores que iriam trabalhar ao preço de um trabalhador sem habilitações, 3 € / hora (que ganham muito mal), nem todos terão coragem de dizer NÃO!
    Precisam de um amparo, como uma greve, para se protegerem.
    Mas, na nossa opinião, não nos devíamos escudar na greve e assumir a recusa como desobediência.
    Não está no ECD , avaliar colegas e as suas capacidades teóricas capacidades entrarem na carreira.
    Não somos carrascos dos nossos companheiros, amanhã chegará a nossa hora….

    Apelamos a todos os (a)s nossos colegas , que retirem a “ónus” dos ombros do elo mais fraco!
    Nós, os do quadro, é que não comparecermos!
    Somos todos docentes!
    Não há docentes de 1ª ou 2ª categoria, como não havia com os titulares.
    Vamos lutar até ao fim e não cederemos nada, todos juntos!
    Contratados, do Quadro e Aposentados todos solidários!

  7. Como espectador acho que o conceito de avaliação(que deve ser a unica vantagem desta guerra do Crato-finalmente a portar-se como ministro e não negociador com sindicatos) pode ser um inicio de caminho para a sair da miseria em que o ensino oficial mergulhou, com juizes em causa propria a decidirem, fiscalizarem, sindicalizarem tudo a partir do asilo da 5ºOutubro

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.