O debochado e miserável futebol português

casos do Sporting-Belenenses

Lance do penalti do 1.º golo do Sporting

Sou do Belenenses. Desde miúdo. Mantenho-me sócio em homenagem à memória do meu Pai. Continuarei belenense até ao fim, mas distante do futebol. Utilizo-o por humor com amigos, embora neste caso seja por revolta.

Vítima  do sistema criado, pelas mãos de um bando de bárbaros invasores, o futebol doméstico e internacional é um antro de espúrios interesses que me repugnam – na qualidade de sócio de lugar cativo, este ano apenas assisti a um único jogo (Belenenses-Olhanense), uma reminiscência de juventude, e certamente não presenciarei outro esta época.

O futebol português como base de mesquinhas e irracionais rivalidades entre Lisboa e Porto, num país de meia-dúzia de km quadrados; o futebol português transformado em albergue de luxo para uns tantos que sacam centenas de milhares de euros a dirigir clubes da sua paixão ou é utilizado como refúgio, inclusivamente o meu clube, por quem teve sucessos materiais na vida inexplicados  – Vale de Azevedo é a excepção; o futebol português, cada vez mais debochado e miseravelmente manchado pela falta de ética e de verdade desportiva, cria-me náuseas e expulsou-me há muito tempo do grupo de seguidores. Resta-me a selecção nacional e nem sempre.

Ontem, em restaurante, curiosamente próximo de minha casa e do Estádio do Sporting, assisti a parte do desafio Sporting-Belenenses. De novo, fiquei enojado. A falta de seriedade dos árbitros, emanada de causas perceptíveis pelos efeitos nos relvados, começou por adulterar a verdade do jogo. Jamais imaginaria ver um tal Pacheco (“Anda Pacheco!”, dizia a tia Hermínia… e agora quem diz?) assinalar grande penalidade no lance documentado pela imagem, obtida do ‘Record’.

O Sporting regressou, pelos vistos, ao grupo dos  grandes – dos protegidos, em linguagem mais precisa. Três grandes cá dentro. Sim, lá fora, como os factos provam, a grandeza transforma-se em inchaço. O par FCP e SLB saiu, vergado, pela ‘porta dos fundos’ da Liga dos Campeões Europeus, a caminho da 2.ª liga do Velho Continente.

Em ambas as desqualificações, a somar ao nostálgico lamento do ‘azar à portuguesa’, o factor determinante é que os nossos golpistas estão subordinados a mafiosos inexpugnáveis. Blatter e Platini, por exemplo.  É nesta merda que transformaram o futebol!

Comments


  1. Na verdade não é grande penalidade, um erro claro a favor do Sporting. Minutos depois ficou por assinalar grande penalidade contra o Belenenses e vermelho directo por puxão grosseiro a Freddy Montero quando este estava isolado na cara do guarda-redes.

    • Carlos Fonseca says:

      E o penalti sobre Diawara que saiu do campo magoado e com um saco de gelo na perna, visível em imagens do jogo?

  2. Rui Moringa says:

    Boa prosa sobre o fenómeno.


  3. Até ao penalty roubado, o sporting não tinha criado uma única oportunidade de golo.Mas que jeito deu(minuto 28).


  4. Tem razão no penalty. Tem razão no favorecimento aos grandes, sejam os 2 habitais sejam os 3 deste ano.

    O facto de depois o árbitro ter escamoteado um penalty óbvio ao sporting não empata a coisa pois num jogo de grande contra pequeno após o 1º golo tudo se torna mais fácil.

    Quanto à saída da liga dos campeões pela porta dos fundos, aí aproveita o dia, pois o nosso lugar no ranking europeu é 5º, bem acima de qualquer outro ranking europeu que não o da cortiça, o que mostra que a nível europeu até ultrapassamos o exigível.

    Acresce que exportamos os nossos melhores jogadores e compramos piores, na maior parte sucata, para os substituir.


  5. 100% de acordo……

  6. nightwishpt says:

    Pois claro, uns ganham competições europeias, mas é por sorte, nunca por mérito. Fique lá com a sua teoria que são todosiguais, serve-lhe de muito.

    • Carlos Fonseca says:

      A mim de nada serve. Talvez sirva o FCP, o SCP e SLB (por ordem alfabética). Estão todos muito felizes. Já nem falo do Estoril, Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães (também por ordem alfabética). Coitados.


  7. REPITO-Acresce que exportamos os nossos melhores jogadores e compramos piores, na maior parte sucata, para os substituir-FIM de repetição-COMO SE O PAÌS FOSSE UM local de treino para exportação – apenas exportação – jogadores e até treinadores- a “safa” do país, dizem, é EXPORTAR ?? Pasteis de nata e futebolistas e ?? – país de “vendilhões”

  8. Fernando says:

    No meu caso comecei por deixar de gostar do futebol, para chegar ao ponto (actual) de odiar o futebol. Seja ele clubes ou selecção dita nacional.


  9. Os árbitros portuguesas são baratas tontas. É rídiculo como eles gerem o jogo conformo o som das bancadas.


  10. Exatamente por causa do “debochado e miserável futebol português” e depois de anos a constatar que os media e imprensa em geral só falam dos ditos “grandes” e para os “grandes” resolvemos criar de moto-próprio e com parcos meios técnicos um podcast para espelhar ao mundo que o nosso futebol tem outros clubes, outras verdades e outras realidades.

    Este é o primeiro podcast em que dois adeptos dirão de sua justiça sobre tudo e sobre nada dos seus clubes do coração.

    Pedro, adepto do Vitória Futebol Clube da cidade de Setúbal, e Miguel, adepto do Clube de Futebol os Belenenses da cidade de Lisboa, moderados por Nuro, irão esgrimir argumentos e debater semalmente temas relacionados com a história e grandeza dos seus clubes, fazer uma análise à jornada anterior e uma previsão da jornada seguinte.

    Os casos do jogo a que este vosso post do Aventar se refere serão analisados na emissão desta semana neste espaço de debate e opinão sobre o Belenenses e o Vitória.


  11. Faltou apenas referir que o programa radiofónico pode ser encontrado e ouvido aqui: http://osmelhoresadeptos.blogspot.com

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