Sobre a “Petição pela desvinculação de Portugal sobre o Acordo Ortográfico de 1990”

Por Ivo Miguel Barroso

No âmbito da tramitação da “Petição pela desvinculação de Portugal sobre o Acordo Ortográfico de 1990” (n.º 259/XII/2.ª), a 8.ª Comissão da Assembleia da República pediu à 1.ª Comissão (de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) um Parecer sobre as inconstitucionalidades mencionadas em duas páginas da aludida Petição.
O Relator desse Parecer foi o Deputado Pedro Delgado Alves.
O Parecer negou a existência de qualquer inconstitucionalidade, tendo sido aprovado por unanimidade.
Os Peticionários responderam a esse Parecer, por intermédio do Dr. Ivo Miguel Barroso, com uma carta e um extenso Anexo com mais de 150 páginas.
O Deputado Relator replicou através de uma “Exposição à 8.ª Comissão” e “acordizou” o texto do Parecer da I Comissão, que usava tanto o Português europeu, como o “acordês”, utilizando o conversor Lince.
Finalmente, os Peticionários, através do Dr. Ivo Miguel Barroso, responderam à Exposição do Relator.
Tratou-se de uma polémica sobretudo nos planos jurídico e linguístico.
O resultado final foi a desconsideração do Parecer da I Comissão e a aprovação, por unanimidade, de um Relatório favorável à Petição, elaborado pelo Deputado Michael Seufert.

Anexos:

Comments


  1. Foi para isso que se fez o 25 de abil, para que uns possam usar o acordo e outros não. boa semana

    • Catelha says:

      Sempre a aprender!! Agora descobri que o propósito do 25 de Abril foi para que os políticos possam desprezar pareceres técnicos e seguir adiante com tudo o que lhes passe pela cabeca. A nós cabe-nos comer e calar e caminhar alegmente para a ignorância. Pois com certeza!


      • “Pareceres técnicos”, tem muita graça, “pareceres técnicos” até soa a estrangeiro, coisa fina, de alto lombo, ciência, técnica, que luxo de boca cheia, ora, conversa, não há técnicos para fazer esses pareceres (a não ser que Mira Amaral tenha trazido alguns de Angola). De facto, a grafia necessita de uma reforma mas não há especialistas lusos para a fazer, deixemos que o texting concerte uma parte do problema.

  2. Paulo Costa says:

    Desde que não me obriguem a voltar a escrever “farmácia” com “ph” ou “atual” com “ac”, por mim, aprovem ou desaprovem o que quiserem. O que é preciso é não andar para trás.

    • catelha says:

      Mesmo quando se lhe explica, por A+B, os problemas de seguir em frente com a asneira?

      • Paulo Costa says:

        Toda a gente tem explicações e diz que tem razão. Quem está contra, tem, quem está a favor, também tem. É só uma questão de não ler na mesma cartilha. Por mim, sou de andar para a frente, na união é que está a força.


        • Quer-me explicar, sff, quais as razões para que exista um Acordo Ortográfico como aquele, que o levam a uma posição tão determinada?

          • Paulo Costa says:

            Leia o AO, estão lá as razões. É preciso ler os outros, porque se só lê quem está de acordo consigo, não aprende, não evolui, e fica desacordista toda a vida.


          • “São as mesmas que já existia”. Presumo que se refira às regras ortográficas. Se para si nada mudou, qual a sua grande questão em defender este Acordo?
            Sobre a questão do hífen, refiro-me à base XV. Nenhum dos exemplos que dá, tem qualquer relacão com as minhas dúvidas.


          • Está bem enganado, meu caro. Li e reli o Acordo (já agora, Acordo entre que partes? Sendo uma suposta unificacão de todos os países de língua oficial portuguesa, como se chama Acordo quando mais de metade não aceita?)
            Mas muito bem. Já percebi que a sua apologia é fundamentada no “é assim porque sim”. Agradeco o esclarecimento.

    • Duarte Lopes says:

      Caro Paulo Costa
      Essa sua posição é porque o caro amigo não acha necessário haver regras para uma escrita correcta? Se estiver atento, verá que no “Brasiu”, mesmo sem seguirem a aberração que aqui seguem, cada um escreve como lhe dá na real gana. Escrevem como falam.
      Quero durar mais alguns anos para “mim” ver o que vai suceder ao português como língua.

      • Paulo Costa says:

        Mas existem regras para uma boa escrita. Noto que está com problemas com o Brasil. O costume nos descordistas, como se por cá não houvesse erros ortográficos; ai, a inveja, a inveja, a eterna dor de cotovelo do Brasil do tuga desacordista.


        • “Mas existem regras para uma boa escrita”. Quer ajudar-me a explicar a um estrangeiro qual a regra ortográfica para cor-de-rosa / cor de rosa / cor-de-laranja / cor de laranja? Ou qual das pronúncias se deve tomar como culta, para saber se se deve ou não escrever o C ou o P? A de Coimbra? Do Porto? Alentejo?… Ou acha que é que a SUA pronúncia que, indiscutivelmente, se deve seguir?

          • Paulo Costa says:

            São as mesmas que já existia. Em todas as reformas ortográficas há referências à pronúncia culta. Nada de novo, portanto.

          • Paulo Costa says:

            Sobre os problemas com o cor-de-rosa e o cor de laranja; explique-me lá estes que já exitem; pouso, mas aposentado, hão-de (com hífen), mas haviam de, sem hifen, sete e septuagenário. O que não faltam são coisas muito piores anteriores ao AO e parece que estão todas bem. Está a olhar para a uma encravada dos outros e não vê as suas unhas todas partidas.


          • “São as mesmas que já existia”. Presumo que se refira às regras ortográficas. Se para si nada mudou, qual a sua grande questão em defender este Acordo?
            Sobre a questão do hífen, refiro-me à base XV. Nenhum dos exemplos que dá, tem qualquer relacão com as minhas dúvidas.

        • Duarte Lopes says:

          Não são os erros ortográficos que me preocupam.
          “O ônibus para para mim poder entrar”. É isso que me faz alguma confusão. Porque lá, eles pronunciam, sempre, pára, quer seja verbo ou preposição. Mas cá não.
          Este é apenas um exemplo.


        • Factos: o AO significou uma cedência ao Brasil. E para que se saiba como escrever determinadas palavras nas quais há dupla grafia ou facultividades, é preciso ir ver como se escreve no Brasil. E noutras mudou-se porque no Brasil já se escrevia ou não de determinada maneira. Os próprios feitores do AO90, que os desacordista involuídos não leram mas os acordistas “evoluídos” leram o confessam. Senão vejamos (Nota Explicativa, 4.2. al. d)):

          “A divergência de grafias existente neste domínio entre a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam em todo o domínio geográfico da língua portuguesa, e a norma brasileira, que há muito suprimiu tais consoantes, é incompreensível para os lusitanistas estrangeiros, nomeadamente para professores e estudantes de português, já que lhes cria dificuldades suplementares, nomeadamente na consulta dos dicionários, uma vez que as palavras em causa vêm em lugares diferentes da ordem alfabética, conforme apresentam ou não a consoante muda”.

          Sim, é piada de Português. Está claro? Bastava ter lido os livros de António Emiliano e seus comentários a esta infâmia para perceber. Bastava citar. Mas como pensamos pela nossa própria cabeça, e lemos tudo muito bem, obrigado, ainda nos damos ao trabalho de comentar. Já agora, leu os conteúdos do “post” com olhos de ler, ou fica no “porque sim” prévio?


      • não portuga patético, ninguém aqui no ‘brasiu’ escreve como dá na telha. Só portugas pouco argutos e desinformados como vc acham isso. Vc sequer deve conhecer a própria Norma Gramatical quanto mais saber alguma coisa sobre a nossa.

  3. j. manuel cordeiro says:

    Há para mim uma coisa que está por demonstrar: qual é a utilidade deste AO90? Não uniformiza a escrita, não a simplifica e não é lógico.

    Mudança pela mudança, é disto que se trata? Não fossem os egos envolvidos e já esta coisa estaria revogada.

  4. Joseph Coast says:

    Há coisas engraçadas naqueles que estão contra o acordo, para além do facto de terem estado 20 anos caladinhos (parece que só quando tiveram de o aprender é que entraram em pânico).
    Que escrita defendem, a dos avós? a do Gil Vicente? Ficam escandalizados por a palavra “para” se poder ler “pára”. Mas não é assim que se lê sara, cara, rara, Mara, cala, mala? E não havia antes palavras homografas?
    Escreverão os críticos “pae” e mãi”?
    Acham possível voltar atrás no acordo quando há dois ou três anos as escolas começaram a aplicá-lo, para além dos jornais, legendagem de filmes, etc?

    • j. manuel cordeiro says:

      Havia excepções e com o AO90 passou a haver mais.

      O argumento de não se desfazer o erro porque se está a errar é hilariante.

    • António Fernando Nabais says:

      O Joseph Coast deve ter estado surdo durante vinte anos. Poderia começar por ler os vários pareceres que recomendaram a não aplicação do AO90, na devida altura.
      A escrita defendida pelos críticos do AO90 é a consignada na Convenção Ortográfica de 1945, por ser um modelo melhor do que o proposto no AO90. Simples, não é? Assim, vamos lá arrumar as referências a Gil Vicente e a grafias como “pae” e “mãi” na categoria de ruído e a excluí-las de um debate sério, se não for pedir muito.
      “Não havia antes palavras homógrafas?” pergunta o Joseph Coast. Pois havia, mas isso não deveria ser razão suficiente para criar mais pares de palavras homógrafas, que é o que acontece com o AO90. Até porque se não há problema em fazer o que já foi feito, também poderia fazer sentido voltar a escrever “pae” e “mãi”, não lhe parece?
      Os exemplos que aponta para defender a supressão do acento gráfico em “pára” não colhem porque nenhuma das palavras referidas é homógrafa de outra. Já agora, sabe por que razão o AO90 obriga a manter o acento em “pôr”? Para evitar confusões com “por”, imagine. Mas fazia algum mal tirar este acento, sabendo que já havia palavras homógrafas? Ele há coisas que não se entendem!
      Se se chegar à conclusão de que o AO90 trouxe problemas, voltar atrás é o mínimo. Como somos um povo sem capacidade de planeamento, que decide tudo de modo leviano ou interesseiro, o nosso destino é sempre o de estar a voltar atrás com as porcarias que fomos fazendo. Foi assim com a gramática generativa, metida à pressa nos programas de Português, nos anos 80; está a ser assim, com o regresso dos Clássicos da Literatura que foram levianamente retirados dos programas do Secundário há cerca de dez anos. Por vezes, a solução está no que já estava. É mesmo muito simples.

      • Paulo Costa says:

        Como eu li uma vez escrito por um filólogo, os pareceres negativos contra o AO provaram estar todos errados, porque nenhuma das calamidades prometidas se verificou. Portanto, os parecerem negativos não definem o AO, definem a incapacidade da avaliação e a incompetência técnica de que deu esses pareceres negativos.

        Mas eu não me importo que os outros escrevam “actual” nem “pharmácia”, a única coisa que me importa é que não quero andar para trás e voltar a escrever “actual” ou “pharmácia” ou “contracto”. Pra trás m++a a burra e o desacordista.


        • Por falar em futurologia, no dia 31 de Marco de 2010, Malaca Casteleiro garantia que “no prazo máximo de 2 anos, todos os países da CPLP terão aplicado o novo Acordo Ortográfico”. Quer um ponto da situacão? Portugal insiste em usar um Acordo Ortográfico que só ele usa. Pergunto novamente: Acordo entre quem?
          Sobre o seu único argumento para defesa deste AO, que reside na confusão entre progresso e mudanca, digo-lhe que se estiver em frente dum abismo, se for tão resoluto em avancar como aqui se mostra, o resultado, naturalmente, não será outro senão o suicídio. Recuar, muitas vezes, é sinal de inteligência e sensatez.

        • António Fernando Nabais says:

          O Paulo Costa leu, uma vez, um filólogo que disse que os pareceres negativos estavam todos errados. É mais cómodo não ler os pareceres, pois claro.
          A questão não está em andar para trás, está em ir na direcção certa.


        • Como escreveu Paulo Costa, “porque nenhuma das calamidades prometidas se verificou”.
          Pois não. Vivemos no País das Maravilhas. Só que neste, o absurdo é maior do que aquilo que poderíamos imaginar na mais prodigiosa ficção, do nosso mundo real do lado de cá. TODAS as calamidades previstas (mais uma vez, leia os textos de António Emiliano) não só se concretizaram, como são muito piores do que as previstas.
          Queira dar-se ao trabalho de ler os textos acima, mai-la a Petição, a choldra ortográfica que encontra na internet com facilidade, ou passar os olhos pelos muitos “patos de silêncio” e “patos com o diabo” dos “impatos” dos “retos” “intatos” que se vão escrevendo mais e “de fato” dizendo sobre matérias de “fato” e “uniões” igualmente de roupa de marca e elegante (de “de fato”) até no Diário da República e o amigo persignar-se-á, honestamente.
          Pois não duvido, à partida, da sua honestidade. Não acredito que fará como muitos outros que batem o pé e dizem, do alto do seu dogma cego, que tudo não passa de invenções dos desacordistas, que não existem “constrangimentos” nem “estrangulamentos” de qualquer espécie. Por isso, pacientemente, o aconselhamos a ler, a informar-se dos FATOS (perdão, dos FACTOS) dos efeitos secundários da toma deste óleo de rícino denominado Acordo Ortográfico de 1990. Não, não acredito que prefira não querer saber. Pacientemente: leia tão-somente. É pedir muito?

      • Joseph Coast says:

        Eu estou muito mais preocupado com a lixeira em que o cidadão comum, jornalistas e até professores (inclusive de Português) transformaram a língua. Desde a pluralização de siglas, como “CD’s”, até ao início de discursos começando pelo infinitivo, como “Começar por agradecer aos presentes…”. Ou ainda a utilização de palavras inventadas, tipo “inconseguimento”. Ou ainda o alargamento do significado de “restauração” à indústria da comidinha. Ou, pior do que tudo, a desvalorização da escrita na escola, designadamente na disciplina de Português. SE me apetecesse, estaria aqui um dia inteiro a assinalar machadadas na língua portuguesa sem nunca chegar ao AO90.
        E a questão do respeito pela etimologia é engraçado. Não sou estudioso, mas seria interessante comparar as atuais palavras com a sua origem. E, já agora, verificar como evoluíram noutros países com a mesma origem.
        ———
        “A escrita defendida pelos críticos do AO90 é a consignada na Convenção Ortográfica de 1945,”
        Estou mais descansado com os críticos. Eles afinal têm uma referência. E querem-na… assim. Não sei como não colocam acentos graves nos advérbios de modo com sufixo “mente”. 😉

        • António Fernando Nabais says:

          Os portugueses maltratam, há muitos anos, o património linguístico. Poderíamos estar uma semana inteira a assinalar “pontapés na língua”, sem fazer referência ao AO90, é verdade. Outra verdade: o AO90 veio criar mais problemas, porque é um instrumento mal concebido, tendo acentuado (acentuado, não criado) o caos ortográfico em que já vivíamos. Poderíamos, portanto, passar outra semana a descobrir erros provocados pelo AO90.
          A reforma ortográfica de 1973 é apenas um pormenor, mas há quem tenha criticado a supressão dos acentos graves que foi, então, imposta.
          O respeito pela etimologia é um valor gerador de estabilidade, ao contrário do critério fonético parcialmente adoptado pelo AO90. Há muitos estudos sobre isso, sendo evidente que se perderam, em 1911 e em 1945, muitas consoantes com valor etimológico. Na Convenção de 1945, no entanto, foram enunciados critérios ponderados e ponderosos para manter as consoantes mudas que o AO90 pretende suprimir: proximidade com outras línguas, valor diacrítico e valor etimológico. Caberia aos autores do actual acordo demonstrar que esses critérios deixaram de fazer sentido, como se impõe sempre que há uma mudança de paradigma (Galileu não se limitou a afirmar que era a Terra que andava à volta do Sol: demonstrou-o).
          Nos países cujas línguas provêm do Latim, houve diversas opões. A propósito do inglês, em que há muitas palavras com origem latina, o respeito pela etimologia leva à conservação de muitas consoantes mudas: leia, se lhe apetecer, http://aventar.eu/2013/01/13/acordo-ortografico-consoantes-mudas-etimologia-e-outras-coisas-uteis-e-agradaveis/. Se não lhe apetecer ler, veja, pelo menos, o vídeo e verá que a voz das consoantes mudas deve ser ouvida com muita atenção.

          • Joseph Coast says:

            Claro que li o (seus) texto da ligação. E também vi o video. Agradeço bastante a indicação do “link” do qual gostei.
            Mas isso não vai modificar a minha opinião. E não é por qualquer teimosia. O AO90 esteve para entrar em vigor no sistema educativo suponho que há cinco anos. Foi adiado uma ou duas vezes. Assim, está em vigor desde há três anos. A quase totalidade de jornais e revistas, legendagens de filmes, livros traduzidos e não traduzidos, aplicam o AO90. Não vejo ou sinto qualquer problema na sua aplicação. Costumo fazer atas bastante grandes de uma instituição. nunca propus, nem sequer falei, na hipótese de passar a escrevê-las nos termos do AO90. Foram funcionários que me começaram a entregar os documentos e propostas de atas com aplicação do acordo.
            Pessoalmente, aceito-o bem, embora com pequenas discordâncias, coisa que já tinha, e bastante, antes deste acordo.
            Continuo a acreditar que a quase totalidade dos problemas da língua não vêm do AO90. Vêm do desleixo com que é tratada, inclusive por especialistas.


    • Caladinhos? Em que planeta tem andado? Houve livros, artigos, petições, pareceres em todos estes anos? E os pró, por onde têm andado?

      • Paulo Costa says:

        Rui, este assunto está tão morto, quem quer falar nele? Pelo que eu tenho lido, vocês são sempre a mesma meia dúzia mal contada. Os outros somos nós todos, não queremos saber disto para nada, escrevemos como mandam as regras, que aqui e ali se alteram.

        Se estivéssemos agora em 1911 você andava a dizer da reforma de 1911 o que diz desta (ou melhor muito pior). Se estivéssemos em 1945 você andava a dizer dessa reforma o que diz desta. Há sempre gente que não quer mudar; são os mesmos que depois da mudança, dizem que agora está bem e não se muda o que antes dizia que estava mal e não se podia mudar.

        Realmente, há uma coisa que eu concordo consigo:;eu não devia ter escrito nada aqui, e você já não fazia a má figura do “caladinhos” Fiquem então vocês uns com os outros e os seis juntos imaginem que são 10 milhões. Enquanto isso, a caravana passa.
        E pronto, fique lá então a falar só e contente com o seu “caladinhos”..

        Vocês desacordistas são mesmo pessoas cheias de raiva e negatividade. Eu acho que vocês até dão azar, por isso é que nunca conseguem nada

        • António Fernando Nabais says:

          O “caladinhos” é uma resposta ao comentário do Joseph Coast.
          Quanto ao resto, o Paulo limita-se à habitual falta de argumentos: os críticos do acordo são contra porque são do contra e seriam sempre. É claro que o Paulo não explica por que razão o AO90 é bom e prefere ficar-se por uma referência às virtudes da mudança só porque é mudança e às virtudes da (suposta) maioria só porque é maioria.
          Confirma-se que não há argumentos sólidos a favor do AO90. Já estou habituado.

        • Anabela says:

          Que mau gosto de resposta.

  5. Fernando S. says:

    Ia para escrever aqui umas “coisas”, mas…. desisti por que me caía o Carmo e a Trindade.
    O mundo e’ para andar e nós temos de acompanha-lo nem que seja de gatas. Por isso, como os meus pais são velhos, tacanhos, não evoluem e não há “up dates”, a partir de agora sou “órfão”.


  6. Se for Acordo Ortográfico] – ControvérsiasCarta do embaixador do Brasil aos deputados portuguesesMário Vilalva*

     

    «O Governo brasileiro, ao contrário de interpretações apressadas e portanto equivocadas [veiculadas na imprensa portuguesa], está solidamente comprometido com Acordo Ortográfico, não cogita promover retrocessos e não admite a reabertura de negociações sobre o seu texto» – escreve o embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, em carta enviada aos deputados portugueses, com data de 12 de setembro de 2013.

     

     

    Senhor/a Deputado/a,

     

    1.   Constato que em Portugal há algumas resistências ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AOLP), firmado em Lisboa, em 1990, pelos países membros da CPLP. A petição pela desvinculação do país ao Acordo Ortográfico, submetida, segundo informou a imprensa, à Assembleia da República, é mais uma das manifestações dessa oposição, baseada entre outras na interpretação equivocada de que o Governo brasileiro, por meio de recente ato legislativo, estaria expressando dúvidas quanto à implementação do Acordo. Conquanto o livre debate sobre temas de interesse comum constitua elemento valioso do processo democrático, é essencial que, para o bom entendimento desta matéria, possamos proceder a um esclarecimento dos fatos com vistas a evitar percepções incorretas sobre a determinação de nossos governos.

    2.    No final de 2012, o Brasil aprovou decreto legislativo que prorrogou, ate 2015, o prazo de transição para adoção integral do AOLP. A intenção do decreto correspondeu a um mero ajuste dos prazos para torná-los compatíveis e realistas com a tarefa de ajustar a grafia do português em um país com 200 milhões de habitantes e com dimensões territoriais de um continente. Ademais. procurou o referido decreto ajustar o ritmo de implementação do AOLP ao compasso dos demais países da CPLP. Tratava-se portanto de conceder mais tempo ao convívio entre as regras novas e antigas. O Governo brasileiro, ao contrário de interpretações apressadas e portanto equivocadas, está solidamente comprometido com Acordo Ortográfico, não cogita promover retrocessos e não admite a reabertura de negociações sobre o seu texto. Corno se sabe, as regras do Acordo Ortográfico já vigoram no Brasil, sendo amplamente utilizadas nos órgãos públicos, nas escolas, na imprensa e nas indústrias culturais.

    3.    O Brasil considera que o Acordo Ortográfico firmado em 1990 é um avanço nas relações entre os países da CPLP. Historicamente (pelo menos desde 1911) houve urna indesejável bifurcação linguística entre as variantes brasileira e portuguesa do idioma fato que nos distanciou em muitos aspectos, mas sobretudo na possibilidade de interligarmos os nossos mercados editorais sem custos adicionais de adequação às diversas grafias utilizadas pelos nossos países. O AOLP, cuja negociação envolveu toda a comunidade de países lusófonos, representa portanto um ponto de inflexão ao restaurar a convergência entre as expressões orais e escritas da língua portuguesa, conferindo novas ferramentas à difusão e ao ensino do idioma em nossos países e no mundo – o que significa dizer que livros, materiais e programas de educação a distância poderão ser facilmente reproduzidos em qualquer país da comunidade lusófona, sem os elevados custos de adaptação ou adequação do idioma a públicos diferentes.

    4.    Como se sabe, a força da língua depende de sua difusão, de seu uso e de seu valor econômico. Hoje a comunidade lusófona reúne ao menos 240 milhões de pessoas e o português figura como urna das línguas mais faladas do planeta – a sexta no mundo, a terceira no Ocidente e a primeira no Hemisfério Sul. A unificação da grafia permitirá ampliar não apenas a circulação de bens culturais, mas também potenciar a economia dos países lusófonos. Uma correta percepção sobre o conteúdo económico de nossa língua é elemento fundamental para que ela seja internacionalmente reconhecida e respeitada. Isto e ainda mais importante quando consideramos que muitos dos países de expressão portuguesa são hoje grandes atores no comércio e nos investimento e nessa condição atraem um número crescente de agente econômicos.

    5.    E também importante observar que a língua portuguesa – que já é uma língua das humanidades – vem-se tomando agora uma língua de ciência e tecnologia. Isto já é urna realidade nas relações Brasil-Portugal graças ao considerável aumento da cooperação acadêmica e ao crescente intercâmbio em áreas de ponta como nanotecnologia. biotecnologia e energia. No campo industrial, destacam-se a cooperação no âmbito das tecnologias aeronáuticas bem como as introduções inovadoras na área da telefonia. Hoje já podemos dizer que o português não é apenas a língua de nossos poetas e escritores, é também um instrumento de trabalho de nossos cientistas e pesquisadores.

    6.    Note-se ademais que, em diversas regiões do mundo, é cada vez maior o número de pessoas interessadas no aprendizado da língua portuguesa. No entanto,  as diferenças linguísticas ainda criam divisão no ensino do idioma: aos alunos estrangeiros ora ensina-se o “português de Portugal”, ora o “português do Brasil”, com certificações de proficiência também separadas, conferidas respectivamente pelo Instituto Camões, em Portugal, e pelo Ministério da Educação do Brasil. Com a unificação, será possível não apenas ampliar a cooperação no ensino da língua no mundo, mas sobretudo fortalecer nossas ações conjuntas para tomá-la um idioma oficial em todos os organismos internacionais.

    7.    Por esses e outros motivos, a despeito de supostas imperfeições, o Acordo Ortográfico é inegavelmente mais benéfico aos países lusófonos e auspicioso ao futuro da língua portuguesa do que a inexistência de entendimento e a perpetuação de divergências no campo linguístico.

     

    (…)

    13/01/2014 para a discussão:

    • Pois... says:

      Cacildis!!!

      Quem me explica o que é isto. ?!

      “introduções inovadoras na área da telefonia”… LOL

      Um “inconseguimento” frustracional do Soft Power Brasileiro ?!

      Hó RELVAS, vai estudar, deixa-te de esconder nas pingas da chuva!

      • Pois... says:

        Já agora quem me explica isto.
        Um aluno Português teve que suar as estopinhas para conseguir um “10” a Português em todo o seu Liceu, em todo o seu percurso.
        Alguém me explica qual a equivalência da disciplina nos Paises Lusófonos?! É que às tantas estamos em “concorrência” desleal, ando eu a sêr avaliado pela “justiça” do Professôr exigente, e uns quantos milhares a serem avaliados segundo a mesma bitola, com cursos que nem uma frase conseguem fazêr sem erros… Isto é daquelas coisas que ninguém se pergunta… Quantos “canudos” existem de “Brasileiros, Angolanos, Moçambicanos e até PORTUGUESES” desta forma?! É que o resultado está à vista, não souberam, não sabem e antes que descubras agora que chegaram a lugares de Poder, toca de inventar para ninguém notar… Aliás, já havíamos reparado pelo menos em PT, as dificuldades que as linhas editoriais de Jornais e revistas, de disfarçar a qualidade das suas redações cheias de “burros”, dizem que são mais baratos e sem sentido critico, algo que sempre foi visto com bons olhos por extorcionistas…!! É só mais uma achega ao tema… Tudo isto tem razões puramente “monetárias”, não tem nada a vêr com “Cultura” como se demonstra facilmente, viu?!


  7. Subscrevo inteiramente o texto do embaixador Mário Vilalva e estou completamente ao lado do acordo ortográfico. Já várias vezes disse que a língua portuguesa já não é só dos portugueses: é de todos aqueles que falam português, que são, de longe, muitos mais do que nós. Neste mundo globalizado é muito importante criar laços cada vez mais estreitos com o bloco a que verdadeiramente pertencemos, ou seja, com os países de língua portuguesa. E o laço mais importantes é, indiscutivelmente, a nossa língua comum.

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