Albergue espanhol

A expressão “albergue espanhol” designa confusão, trapalhada, desorganização, mistura esquisita. Todavia esta misturada pode afinar.

Vejam: Maria João Avillez entrevista; Victor Gaspar responde; Oliveira Martins faz o posfácio; António Vitorino apresenta. Todos à uma, sonham. E a obra – o livro – nasce.

Que bonita harmonia. Que linda alvorada que se anuncia! E ainda há quem procure unidade, coisa e tal. Já há, como vêem. Só falta o maestro

Os pensamentos da D. Esteves

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Bandex – O Inconseguimento

De fato, todos esses fatos e todos esses contatos

darwin

Darwinilus sedarisi (*)
© Museu de História Natural de Londres

Soube-se hoje que Mendes Bota defendeu, numa reunião do grupo parlamentar do PSD, a suspensão da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

Sim, exactamente: a suspensão da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

Se não souberem o que é o Acordo Ortográfico de 1990, eu explico. O Acordo Ortográfico de 1990 é aquele acordo ortográfico que tem sido aplicado “sem problemas de maior” e cuja adopção tem vindo a contribuir, “numa base quotidiana e de forma progressiva e natural”, para “a população” se familiarizar “com [Read more…]

Nessie e o caquesseitão

Se acordarem a meio da noite com um pesadelo terrível, o coração aos pulos, o pijama encharcado em suor, o lençol enrolado entre pernas e braços, depois de terem sido perseguidos por um animal horrendo, aposto convosco que esse animal não era leão nem cobra nem jacaré. Era, sim, com toda a certeza, um caquesseitão.

É pouco provável, porém, que eu tenha pesadelos com essas criaturas, para minha grande fortuna, porque, aqui me confesso, tenho uma paixão por monstros mitológicos, criaturas nascidas dos confins dos medos e vencidas pela força da narrativa.

Aqui entre nós, eu poderia ter sido criptozoóloga, profissão que já me teria deixado morrer à fome por esta altura, mas que talvez me desse algumas alegrias, como deve ter dado a quem conseguiu provar que o dragão-de-komodo não era invenção de meia dúzia de cabeças delirantes, como por muito tempo se pensou, mas criatura de carne e osso, cuja existência bonacheirona, livre de predadores, em certas ilhas indonésias, possibilitou um crescimento tão formidável. Por outro lado, descobrir a existência real de uma criatura que se pensava mitológica também pode ser frustrante e limitador. Se a biologia é fascinante, os mitos… ah, nem vos conto. [Read more…]

Quando a aparência apaga a essência

Santana Castilho *

Há coisas que não se podem ignorar nem esquecer, sob risco de derrogarmos a nossa própria condição humana. Ninguém se pode arrogar o direito de possuir a verdade toda. Mas todos temos o dever de afirmar e promover o humano. Na escola básica, na secundária e, obviamente, na universidade.
A um defensor (jovem) das praxes académicas ouvi dizer que preparam para a vida, que habituam ao relacionamento com os chefes e com as regras que pautam as sociedades. A afirmação do jovem arrepiou-me por ser resposta à descrição de rituais perversos, de domesticação do ser humano, que evidenciam práticas humilhantes e agressivas, apenas justificadas pelo poder arbitrário. A declaração deste universitário mostra que o percurso escolar por que passou foi insuficiente para o fazer distinguir regras úteis de procura da verdade, da fraternidade e da justiça, de regras sem sentido nem submissão à ética e à moral, conducentes ao simples assédio dos colegas mais novos, visando, confessadamente, prepará-los para obedecer aos chefes, de modo acéfalo, e para cumprir regras, não importa que regras. A declaração deste jovem mostra que o estudo da história não logrou esclarecê-lo sobre o que foi (é) o fascismo. [Read more…]

Ruptura

oligarquia21

Esta manhã, num dos canais de rádio do serviço público, ouvi um jornalista (um jornalista? talvez melhor escrevendo: um funcionário) a «fazer-se» a uma viagem, e um entrevistado (ou talvez melhor escrevendo: um «cliente») sem mais demoras nem pudores a convidá-lo. É este tipo de coisas e de pessoas que já não se aguenta. Sim, são as coisas (e as pessoas que as fazem) a que também o antigo ministro das Finanças aludiu na sua entrevista, agora livro (porquê livro? não há jornais?) à decana Maria João Avillez. O Estado corporativo das teias finas de interesses de todas as naturezas e de micro e de médios sistemas de poderes e de sub-poderes subsiste – no funcionário tolo da corrupçãozinha pequenita, como nos muitos mais que sobrevivem por aí em cima da miséria da maioria. Vergonha de gente no meu país (digo-o «meu» para dizer que sou dele) que assim nunca mais rompe com o sistema profundamente injusto e anti-democrático que já não se aguenta. Será sem dúvida esta a mais intangível «obra» do Dr. Salazar: a que naturalmente não morre com reformas. É também por estas que alguns dos que agora emigram não querem voltar jamais: não aguentam esta imoralidade. Começa, começou já, justamente aí, a ruptura. Mas é um rompimento que não age sobre o essencial, porque no território ficam os que não se importam de fazer o que for preciso para que tudo continue na mesma e eles próprios (e os seus, e os seus «clientes») se mantenham à tona.

Clientelismo em regime de outsourcing

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Estou em total acordo com a crítica do Carlos Garcez Osório e subscrevo cada palavra da crónica do Fernando Alves na TSF. Com o mesmo argumento, rejeito liminarmente as patetices de alguma direita que, agarrada a uma notícia no site da Renascença, afirma que o contrato vem do Governo anterior quando o que importa aqui é a prática e não o contrato. E a prática não foi uma invenção de José Sócrates – a origem de todos os males – mas antes de Durão Barroso, destacado social-democrata, homem de fugas e submarinos e possível futuro Presidente da República. Pelo menos até que o chamem para outro cargo de destaque internacional que pague melhor e garanta entrada na rave anual do Bilderberg.

Intriga é o porquê desta necessidade vinda de alguém que dispõe de 10 secretárias e um exército de boys de todas as espécies à sua disposição. Intriga-me também o que pensarão os chefes da Troika sobre este despesismo manifestamente excessivo no radical contexto de austeridade que nos tem sido imposto. Mas o que realmente me intriga são outras gorduras do estado para as quais o João José Cardoso me chamou a atenção. Nestas coisas há sempre uma ex-mulher do irmão de uma ex-ministra social-democrata a safar-se bem.

Frase meteorológica da semana

“Há 40 anos que aqui vivo e nunca tal coisa vi. Nunca (…escrever neste espaço o fenómeno em causa – exemplo: choveu, fez vento, houve ondas, caiu granizo, nevou…) assim cá na terra!”

Masturbações escolares

Duas anedotas a propósito desta notícia.

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Na primeira o título Masturbação em salas de aula gera queixa no Ministério Público aparece no meu feed do Facebook, tento ler e a rede wifi do Ministério da Educação bloqueia ao detectar conteúdo impróprio. Suponho que o filtro impede o acesso a “salas de aula”, ou será a Ministério Público?

A segunda chega-me pelo sempre atento blasfemo Vítor Cunha, moço que leu escola secundária e tratou de invocar “as estatísticas do ensino obrigatório com duração de 12 anos“, como quem soletra um mantra num templo hindu. Azar, o problema tem origem em 3 turmas do 9º ano do ensino vocacional, essa genial criação do liberal Crato imitando os disparates germânicos.

Ainda podia contar uma terceira anedota sobre as famosas píveas na aula de Geografia, idos de 70, acto heróico que consagrou uma figura hoje muito pública e que continua muito de direita, mas não conto, quem se recorda deve ter-se rido na mesma com os comentários tipo “experiência individualizada de cada background sócio-cultural” ou “isto precisa é de um Salazar” que fui lendo por aí, e como não sou bufo,  chega-me.

Mendicidade proibida

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Fotografia de Manuel de Brito, Bragança, 1975.

Atentados terroristas?

Deviam ser sempre assim. Isto sim é um bom professor!

Limpeza étnica no futebol suíço

Selecção Suiça

(Fonte: Extra3)

Ainda que por escassa diferença (50,3%), a Suiça disse este Domingo “Sim” à introdução de restrições à circulação de cidadãos da União Europeia no seu território. E enquanto a extrema-direita festeja e os dirigentes da União avisam que este uso “desregrado” da democracia terá consequências, o blog alemão Extra3 publica uma montagem daquilo que seria a selecção nacional suíça sem os seus imigrantes ou descendentes. O Mundial do Brasil estaria seriamente comprometido para o que restasse dos helvéticos. Em Portugal resolvia-se o problema com “vistos-talento”.