1.6 milhões de euros pelos jacarandás

jacaranda_cinza

Num destes domingos passeei-me pela baixa de Lisboa. É uma coisa que gosto, andar por cidades fantasma, imaginar pessoas que nelas não vivem, apreciar os cafés sem clientes, deambular pelo meio dos estranjas, entretidos com as suas reflex, a capturar a luz da cidade que não faz sombras de pessoas.

A cidade está bem arranjada mas parece que precisa de melhorar. Não, não, o objectivo não é a obra pela obra, que blasfémia. “O objectivo é melhorar as condições de circulação dos peões e combater o estacionamento abusivo.” Fico comovido. Da próxima vez que passar por cima de um dos frequentes buracos que ornamentam as estradas lisboetas vou lembrar-me dos jacarandás e suspirar de ternura por essas belas árvores tipicamente portuguesas, condizentes com a também portuguesa calçada que é para trocar por elegantes placas pretas, conjugadas com calçada portuguesa, que, afinal, arranca-se mas se volta a colocar.

Pelo caminho desaparecem 1.6 milhões de euros do orçamento mas, que raio, teremos jacarandás. São mais sofisticados do que estátuas nas rotundas e do que as rotundas propriamente ditas, que uma capital que se preze não se pode dar a provincianismos de obra fácil. Talvez os pisos de escritórios sejam alérgicos a esta árvore tropical e dali fujam, deixando os andares para as pessoas habitarem.

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Comments

  1. Cristina says:

    só pra constar, jacarandá é árvore Brasileira.

Trackbacks


  1. […] em jacarandás e em carros é logo 3.2 milhões de euros. Percorrendo o restante […]


  2. […] imitação das novas lajes  do Terreiro do Paço ou das que a Câmara de Lisboa quer colocar na Calçada da Ajuda. Afinal, o padrão escolhido foi mesmo o de uma calçada portuguesa, essa mesmo que tanta questão […]

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