Em roda livre

Duke Special Freewheel

O que é que se pode escrever sobre esta semana que passou, mais uma, no palácio da loucura? Que a vergonha desapareceu por completo da cara dos políticos que se apossaram de Portugal e da Europa. Na Grécia privatizam-se praias, edifícios, tudo o que possa render uns tostões que paguem o dízimo à banca. Antecâmara da nossa realidade, lá chegaremos em breve. Pelo caminho, suspira-se para a comunicação social um esquema para autarcas e governo se financiarem pelo fornecimento de escolas com menos professores do que os “necessários”.

O BES continua a afundar-se e a ameaçar levar-nos ao fundo com ele, sem que mais uma promiscuidade entre banca e governo perturbe o presidente dos artificiais consensos. Deu, no entanto, origem a uma declaração, daquelas com a voz colocada em falsete, cheia de indignação devido  aos nomes escolhidos para esse banco estarem “todos associados à actual maioria política“. Depreende-se que esse banco ter nomeado um ministro da economia já será aceitável.

Quanto  à guerra do trono, depois do truque dos cartazes, digno de uma RGA, vêm a lume, no tempo certo, os negócios feitos na (ante)câmara de acesso ao governo, com as suas contas tão pouco transparentes como as de tudo o que é Estado hoje em dia.

A parte deveras perturbadora é, novamente, se constatar que um louco pode tomar o poder e meter um país de pantanas sem ser travado. A banca nomeia políticos, os políticos nomeiam-se para a banca e, enquanto cumprem o tempo de serviço obrigatório no governo, vão fazendo leis que alimentam este binómio. A bancocracia, que com a partidocracia faz a outra face da mesma moeda, é absoluta.

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Comments

  1. Dora says:

    O governo avança, a mando das elites financeiras. É um “agora ou nunca” .
    (Ou, como cantava o E Presley, “it’s now or never, come hold me tight”)

    Estuda-se a municipalização da educação, trocando professores por dinheiro para as autarquias.Exorta-se à imigração, tal como há pouco se exortava à emigração.Defende-se o fecho de serviços no interior do país e fazem-se estudos para aumento da natalidade. Joga-se com o salário dos cidadãos todos os meses. Chora-se o peso das prestações sociais do Estado, resultado de uma constituição que não deixa governar. A osmose entre política e grandes negócios aparece ao de cima, qual merda que não drena em sanita entupida. O arauto Marques Mendes diz que não se passa nada e que está tudo jóia.
    O PR pede consenso sobre isto e um relações públicas do conselho de estado lê as conclusões, desenrolando uma espécie de papiro e soletrando a palavra “consenso”, não vá a gente não entender.

    Um governo, uma maioria, um presidente, as elites e o seu notável desempenho, a TV, a rádio e os jornais avançam.

    O Seguro continua em oposição violenta e o A Costa mantém generalidades.

    Tudo em roda livre, portanto.


  2. Boa análise da SITUAÇÃO. Uma verdadeira contra revolução de extorsão de regalias e direitos dos trabalhadores.

  3. Rui Moringa says:

    Sim, como se consegue que um qualquer louco não tome conta do poder?!!
    Alguns já lá estarão em “matilha”, como deixa antever do seu texto.
    Pacheco Pereira, também escreveu sobre: a banca, a política as elites e o Povo. no blog Abrupto.
    Esta gente da banca, e do “centrão”, não se enxerga! O Povo parece querer continuar a “dormir”.
    O Marinho de Pinto foi para Bruxelas. Ganhou votos a zurzir contra os “regime do “centrão” e na primeira oportunidade o que faz? Estão disponível para fazer acordos com eles PS e PSD, defraudando quem nele votou por não querer estes dois partidos.
    Mais uma luminária!!!!


  4. Momentos difíceis, estes. No Brasil, vivemos algo parecido. Abraços de aquém mar.

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