A deputada Inês de Medeiros e o reino da ignorância

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(…) a deputada Inês de Medeiros rebateu a ideia [de alterações à proposta de lei sobre a cópia privada] dizendo que esta já é uma discussão com vários anos e que muitos dos intervenientes já são conhecidos, assim como as suas posições.

Mesmo considerando a cópia privada como um tema polémico, a deputada da bancada socialista diz que esta é “uma típica polémica portuguesa” e que estará acabada “em três dias úteis”. [TEK SAPO]

A deputada Inês de Medeiros, a mesma que pretendia ter as viagens para Paris pagas pelo parlamento, tendo depois protagonizado um volte-face ao ver lograda a sua intenção, acha que combater um projecto de lei injusto e que toma todos os cidadãos como criminosos é uma inutilidade.

A senhora deputada, a favor desta lei, afirma que esta “defende a liberdade de acção das pessoas em poder copiar um conteúdo”, o que naturalmente não é verdade, já que não se prevê que os conteúdos protegidos com sistemas anti-cópia passem a ser vendidos sem essa protecção. Um pequeno detalhe a estragar a argumentação do lobby SPA e C.ia.

Mas já que a senhora deputada tem habitação permanente em Paris, podia fazer o favor de tomar atenção ao que se passa em França, onde a aplicação da lei da cópia privada tem progressivamente sido alargada: dispositivos analógicos em 1985; CD e DVD em 2001; USB e discos duros em 2006; telemóveis, tablets, GPS e auto-rádios em 2011. Um sinfonia de impostos, onde a lei da cópia privada é responsável por 75% do preço de um DVD-R virgem, 40% a 50% do preço de um disco duro externo e quase 10% do preço de um telemóvel. Situação que recentemente levou os fabricantes a pedirem uma revisão à lei. Ora, para uma lei que está em vigor desde 1985, estamos perante um bocadito mais de “três dias úteis”. A senhora deputada fazia melhor figura em estar calada do que aquela que faz ao procurar ludibriar os que a elegeram e lhe pagam o salário.

Defender o interesse geral dos portugueses, em detrimento das ambições de um lobby? Que maçada! Bem melhor seria a lei ser aprovada e começar a receber dinheirinho sem justa causa.

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Comments


  1. A senhora depu tada não se referia à lei como sendo uma “inutilidade” e, provavelmente, a si mesma, revelando assim um saudável exercício de auto-crítica.

    Ou isso ou é completamente parva. E mais parvos serão, logicamente, os carneiros que a elegeram.


  2. Quem foi o “inteligente” que escolheu os deputados deste partido? Pode-se comprar assinatura?

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