A Grécia dá uma oportunidade à democracia

Giannis Varoufákis, 30-12-2014, trad. Carlos Leite, em Atenas

Há algo que não está certo nesta nossa Europa.
No momento em que o processo constitucional duma democracia europeia parecia conduzir, justamente, a eleições (como na Grécia desde o Outono), a Comissão Europeia, diversos Governos e todos os comentadores em geral, apresentaram a perspectiva de eleições (momento culminante do processo democrático) como uma corrida para o desastre; como uma calamidade que deve evitar-se a todo o custo.

Quando as eleições se tornaram inevitáveis, os mesmos decisores políticos começaram a pregar aos cidadãos desta pequena e orgulhosa nação sermões sobre como devem votar. E quando esses mesmos eleitores pareceram interessados em votar de maneira diferente, as autoridades europeias avisaram logo que seja qual for o Governo que resulte dessa votação o mesmo deverá executar fielmente os acordos que o Governo anterior celebrou com a União Europeia — que qualquer ideia de os renegociar deve perecer imediatamente. [Read more…]

Dona da EDP bloqueia produtos da Google

Assim se vende a democracia por cá, quando se fecham os olhos à origem do dinheiro.

Um Equívoco Democrático em Ruílhe

“Natal “impõe-nos” a tolerância! Transforma-nos e faz-nos perceber, que vivemos efectivamente em comunidade”

Esta é uma das frases que se pode ler na mensagem de Natal da página da Assembleia de Freguesia de Ruílhe (Braga), assinada que está pelo seu jovem presidente, Hugo Miguel Vilaça Martins.
Por ocasional coincidência, estas frases – mas assinadas por vários autores – aparecem, por exemplo, nos sites da JF Avanca (Estarreja) e JF São Miguel (Açores), assim como também no site da JF da Salga (Açores) e no da JF de Gême (Vila Verde).
Enfim, um texto emotivo, pessoal, pessoalizado mas assinado por muitos autores em simultâneo em geografias muito distintas.
No caso de Ruílhe, uma mensagem aparentemente duplicada (quem plagiou quem?) tinha aparecido no mesmo site oficial da AF de Ruílhe há um ano, no Natal de 2013. Na altura como agora, foi publicamente chamada a atenção para o facto por vários cidadãos na página de facebook daquele orgão democrático.
A façanha da duplicação de textos emotivos mas com autores diferentes repetiu-se agora e ontem, novamente, tal foi comentado na mesma página. E, novamente, o jovem presidente da Assembleia de Freguesia de Ruílhe não terá gostado do reparo e, num esquema evolutivo e perigoso, removeu vários comentários sobre este assunto, inclusive o meu comentário.
Não contente, o presidente deste orgão democrático, Hugo Miguel Vilaça Martins, bloqueou totalmente o acesso a pelo menos duas pessoas que educadamente havia feito o comentário.

Quem perde com este comportamento despótico e fascista?

Perde a freguesia de Ruílhe, perdem os ruilhenses. Merecem melhor, merecem o melhor possível.
Perde a democracia portuguesa ao ver-se violentada por um jovem, mais jovem que a própria democracia. E isto é particularmente assustador.
Perde o presidente da Assembleia de Freguesia de Ruílhe. Perde a oportunidade de se livrar de um embaraço escusado, retractando-se e, com isso, elevando-se a ele e ao orgão a que preside.
Em democracia, falhar é muito normal (só não falha quem nada faz); insistir no erro é pedante.
Fico a aguardar o pedido de desculpas. Fascismo nunca mais.

Um homem não faz uma percentagem

Morreu um homem no Hospital de São José, depois de ter estado seis horas à espera de ser atendido. Não sei se terá morrido por ter estado seis horas à espera de ser atendido, porque nem sempre o que é posterior é consequência.

Recentemente, o tempo de espera nas urgências dos hospitais aumentou. Diante de uma frase destas, a única solução razoável é ser-se ingénuo e perguntar: mas uma urgência não implica, exactamente, que o tempo de espera diminua e rapidamente? Se isso não acontece, de quem é a culpa (quando algo põe em causa a saúde das pessoas, só se pode usar a palavra culpa)?

A verdade é que os profissionais de saúde continuam a fazer referência à falta de recursos humanos nos hospitais e centros de saúde. Recentemente, o Hospital de Amadora-Sintra foi autorizado pelo governo a angariar médicos recorrendo a manobras que oscilam entre o leilão e a negociação, quando qualquer hospital deveria ter pessoal suficiente para cobrir as necessidades e não dedicar-se a tapar buracos em ocasiões de maior aperto.

Não tenho a sorte de ter a certeza de que haverá vida para além da morte. Depois da morte, apenas a morte está garantida e antes dela nem a vida é certa. Acredito em poucos milagres ou talvez num único: a vida de cada indivíduo é sagrada e, portanto, a vida de uma única pessoa é uma religião. Se há gente a adoecer ou a morrer por incompetência, descubramos os incompetentes e não esperemos por castigos no Além, porque há o enorme risco de não existirem. [Read more…]

Cartas de amor quem as não tem

José Sócrates e Mário Soares trocam correspondência na prisão