Passos Coelho e a reciclagem das metáforas

sapato-mexilhao_21195868Passos Coelho, há dias, resolveu fazer uma revelação. Como já tinha decidido utilizar uma expressão popularucha, compôs, como qualquer mau comediante, um ar de quem está a conter o riso, de modo a que o público percebesse que deveria rir. E o público riu, porque com as piadas do chefe não se brinca.

Passos Coelho revelou, então, que, ao contrário do “que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais (…)”.

O mexilhão, portanto, segundo Passos Coelho, desta vez, não se lixou. Foi nesta altura que descobri que comungo com o primeiro-ministro do mesmo gosto por brincar com a metáfora, a pilinha dos intelectuais e dos cómicos sem talento. De qualquer modo, e seguindo os caminhos desembaraçados do “jargão popular”, quem brinca com o que tem a mais não é obrigado.

Num primeiro momento, pensei que Passos Coelho estivesse a cair no simplismo de considerar que os mais necessitados corresponderiam, como é costume, ao mexilhão, mas não ficaria bem a um primeiro-ministro brincar com a vida de uma maioria de gente que empobreceu. Quando, depois, li que “o fosso entre ricos e pobres está agora no pior nível dos últimos 30 anos”, e tendo em conta quem não se lixou, percebi quem são os bivalves e confirmei que a pedra continua a ser o povo: a água mole continua a desempenhar o seu papel e o mexilhão sobreviverá.

Quando boas pessoas se juntam…

gratidão

…Coisas boas acontecem.

Sem dúvida!

Foi exactamente isso que aconteceu neste fim-de-semana. Na impossibilidade de estar presente na Festa de Natal de uma instituição que vou apoiando com trabalho voluntário sempre que posso, decidi convidar algumas pessoas que mal conheço mas que me pareciam gente de qualidade e solidária, para dar uma ajuda. Essas pessoas, revelando o que de melhor os seres humanos trazem dentro de si, convidaram outras pessoas para ajudar e todos juntos foram, segundo soube mais tarde, uma ajuda preciosa para o sucesso da festa que pretendia animar crianças com problemas sérios de saúde e respectivos cuidadores. É isso que acontece quando as pessoas decidem unir as suas forças e boas-vontades e fazer algo para melhorar um pouco o que as rodeia. Pode a estas pessoas ter parecido que não fizeram grande coisa, mas na verdade, contribuíram para por um dia melhorar um pouquinho a qualidade de vida de pessoas que poucas alegrias costumam ter. Quase de certeza que esses voluntários não serão tão cedo esquecidos por aqueles que ajudaram.

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A regra e a *excessão

excessão

Depois da *excessão completa, ficamos igualmente a saber que “este ano não foi *excessão“. Contudo, aparentemente, nada disto está a acontecer: não há nem constrangimentos, nem estrangulamentos.

Post scriptum: Muito obrigado, Tradutores Contra o Acordo Ortográfico.

Rio corre

rui rio
A campanha “volta Rio” ou “chega-te à frente Rio” prossegue a bom ritmo. Mais uma entrevista “de fundo”, desta vez a Maria Flor Pedroso. “Fundo” é, aliás, uma palavra que não vem muito a propósito nas elucubrações de Rui Rio, já que a superficialidade é por demais evidente. Evasivo, enunciando as generalidades básicas habituais sobre as grandes mudanças que, segundo ele, é urgente fazer, mudanças cuja dimensão não ultrapassa o esbracejar do entrevistado, já que, se não são vazias de intenção, são vazias de conteúdo. Rui Rio quer mudar o regime, mas não sabe o que fazer. Logo, repete-se em vulgaridades até à náusea e foge à reflexão sobre questões concretas como as crianças apanhadas com a mão no doce. Tenta agitar aquilo a que esta malta chama grandes ideias as quais, pela sua grandeza, parecem não ser passíveis de ser enunciadas de modo a que os simples mortais as alcancem. Mas, se confiarmos neles, garantem, logo veremos, extasiados, o maná que aí vem. Rui Rio prepara-se para cumprir o papel que lhe foi atribuído: ser o putativo líder do PSD que possa ser aceite no seio de um bloco central em caso de necessidade. Até lá, procura, por todos os meios, divulgar aquilo que ele julga ser uma visão do país e dos seus problemas. Mobilizei a minha coragem e a minha paciência e, com a ajuda de uma Água das Pedras, aguentei toda a entrevista. E o que penso do pensamento de Rui Rio? Não penso grande coisa: não tenho objecto.

Raised by Wolves, dos U2

Pode ser visto exclusivamente durante umas horas no site Nowness. Este video tem a particularidade de ter sido realizado em Lisboa por um dos nossos excelentes artistas dessa arte ainda vista como menor, a street art. O realizador é o lisboeta Vhils, que faz estes trabalhos fabulosos:

DN apaga notícia online

Estava aqui, e ainda continua na cache do google. Nem tem nada de especial, é apenas mais uma ligação de Marques Mendes ao mundo da trafulhice, coisa que deixa os responsáveis da SIC muito mais descansados.

dn

A Abreu Advogados – escritório de Lisboa em que Marques Mendes é consultor desde 2012 – tratou de uma em cada três atribuições de visto gold a estrangeiros pedidas ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Na sua maioria referentes a cidadãos chineses.
No total, este escritório de advogados fundado por Miguel Teixeira de Abreu, terá ajudado na obtenção de um número substancial destas autorizações de residência, juntamente com a sociedade de advogados PLMJ, fundada por José Miguel Júdice e da Caiado Guerreiro & Associados. Segundo soube o DN, este levantamento estatístico foi feito, está referenciado na investigação da OperaçãoLabirinto e ajudou a que Ministério Público e o juiz de instrução criminal,Carlos Alexandre, percebessem melhor onde e como procurar os indícios relativos a alguns arguidos.

Reality Showcrates

Casa dos Sócrates

Bem-vindo à Casa dos Corruptos, o reality show onde o participante não sai da casa, entra. Nesta casa, a voz de comando é o juíz Carlos Alexandre e no lugar de Teresa Guilherme temos o CM e o Sol, que é mais ou menos a mesma coisa. Infelizmente não dá para votar nos corruptos que queremos ver lá dentro. Aqui o esquema consiste em, de vez em quando, apanhar um potencial concorrente que tenha dado mesmo muito nas vistas e metê-lo na casa para a malta se entreter em frente ao ecrã. Só que desta vez apanharam um participante de elevadíssimo potencial polémico e as audiências dispararam como nem a TV 7 Dias podia prever. Tudo pode acontecer, é o show da vida real!

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Será possível que não vejam a figura que fazem?

padrinho

Há duas hipóteses. Ou a justiça está completamente destruída e tomada pelo poder político ou então então estamos perante famílias políticas, a viverem em circuito fechado e a defenderem os seus. Nenhuma delas me tranquiliza como explicação para o circo que temos vivido.

Entretanto, importa não esquecer o caos que a educação e a justiça estavam (estão?) a viver mesmo antes da bomba estoirar. Há coisas más de mais para que se safem à conta do desastre alheio.