hoje não me apetece sentir


não me apetece sentir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OUVIR



Encontrou-a caída no chão exatamente no mesmo lugar onde, longe dali, ela percebeu que lhe faltava.

Também foi assim quando que se encontraram pela primeira vez. Sabendo tudo um do outro. Desconhecendo quem eram.

Por algum mistério conseguiam os dois ver a mesma coisa quando estavam longe um do outro. Como se habitassem o mesmo corpo. Como se fossem um só. O mais estranho é que isso só acontecia quando estavam em lugares diferentes, o dom desaparecia quando ficavam perto. Como não sabiam bem a que distância isso começava a acontecer, às vezes davam de caras um com o outro. Então paravam, a uma distância segura, fitavam-se numa espécie de cerimonial bailado, rodavam lentamente mantendo o diâmetro da distância entre eles. Um esboço de sorriso, às vezes nem isso, e seguiam. Uma vez, sem querer, tocaram-se. Foi aí que tudo mudou.

– O regresso a casa é sempre assim. O tempo já passou por cima das coisas sem os teus olhos a medir. Sem o teu coração a querer mais – disse-lhe. Vem por aqui.
– Eu não sou a tua casa. Ás vezes posso ser os teus olhos quando não estás, mas é sempre o meu coração que sente – respondeu – apenas o meu – e hoje não me apetece sentir.

(…)

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