
© Adriano Miranda / Público
Sobre um povo que outrora se expunha ao acaso dos ventos e das ondas do mar e que insiste, ainda, permanecer à mercê da natureza e dos burocratas, cito uns parágrafos legais, daqueles que redigimos para nos preservamos, a nós e aos nossos, do livre arbítrio daquelas forças.
“2 – Os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edificações, designadamente habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos, são obrigados a proceder à gestão de combustível numa faixa de 50 m à volta daquelas edificações ou instalações medida a partir da alvenaria exterior da edificação, de acordo com as normas constantes no anexo do presente decreto-lei e que dele faz parte integrante.
3 – Em caso de incumprimento do disposto nos números anteriores, a câmara municipal notifica as entidades responsáveis pelos trabalhos.
4 – Verificado o incumprimento, a câmara municipal poderá realizar os trabalhos de gestão de combustível, com a faculdade de se ressarcir, desencadeando os mecanismos necessários ao ressarcimento da despesa efectuada.”
Querem ver casas e pavilhões industriais no meio da floresta?
É ir pelos caminhos de Portugal.






Por acaso até seria uma oportunidade de negócio para os amigos dos presidentes de câmara, e desta vez até com o objectivo de cumprir a lei e reduzir o risco. Não é que uma coisa boa desculpe uma coisa má, mas pelo menos é algo bom. Mas até nisto a incompetência é grande…
Esta lei é mais uma daquelas leis anódinas, que se fazem para “inglês ver”. Também não teria qualquer eficácia. Não é por aqui que ficamos mais defendidos do que quer que seja.
Está a misturar “alhos com bugalhos”.
O negócio dos fogos, ou a „Indústria dos Incȇndios“ ,que como toda e qualquer empresa capitalista tem como única finalidade o lucro, não respeita nem tem qualquer interesse pela vida humana, nem pelos prejuízos ecológicos que as suas actividades possam causar.
E o que tem a ver a “Indústria dos Incȇndios“ com o que aqui está escrito? Ou com o que se passou ontem e durante esta madrugada? Ou escreveu isso só para mandar mais um “bitaite” para o ar?
Explique.nos a sua sabedoria. Mas nao benhs com bitaites
É verdade, mas diz quem percebe que isso não ajudava neste caso graças as condições específicas do tempo na altura do incêndio. Nem a presença dos eucaliptos. 20km em 10 min é aterrador.
Não ajudaria neste caso e noutros mas julgo que denota, inequivocamente, que, de alto a baixo, a Lei é letra morta. Começa, literalmente, na porta de casa.