O trigo e o joio…


O cidadão Isaltino de Morais foi acusado, julgado e condenado. Cumpriu pena. Não está limitado nos direitos políticos ou outros, pelo que tem todo o direito a concorrer à presidência da Câmara Municipal de Oeiras, ou qualquer outro cargo a que entenda candidatar-se. Terá obviamente que cumprir as formalidades prévias, às quais todos estão sujeitos, que poderão passar pelo processo de escolha e indigitação partidário ou recolha de assinaturas caso opte por uma candidatura de cidadãos independentes.

Pessoalmente não votaria no sr. Isaltino nem para dirigir uma assembleia de condóminos. Tenho a minha opinião sobre a conta bancária partilhada com o sobrinho taxista, bem como a questão do dinheiro que terá sobrado numa campanha eleitoral. Mas a minha opinião menos favorável sobre o candidato autárquico, não passa disso mesmo, mera opinião. Porque dos factos, uma vez condenado e terminada a pena, nada mais tem que pagar.
Obviamente que não emprestaria a minha assinatura para a candidatura do antigo autarca avançar, muito menos a votaria caso fosse munícipe de Oeiras, mas teria que respeitar a decisão dos eleitores, aliás democracia é isso mesmo. Sem conhecer os factos julgados pelo juiz que recusou a candidatura, o facto de ser padrinho de casamento de outro candidato recomendaria a prudência de pedir escusa do processo, alegando conflito de interesses. Ao não fazê-lo, acabou prestando um péssimo serviço ao amigo e um favor inestimável a Isaltino que aproveitou imediatamente o papel de vítima e aproveitou muito bem para apontar o dedo a quem o tentou prejudicar nos direitos.
Ficamos agora sem saber se existem ou não irregularidades processuais na candidatura de Isaltino. Face ao sucedido, oxalá que não exista e possa concorrer. O resultado dirá muito sobre o povo português. Convém relembrar que Oeiras não é um concelho rural no interior à procura de tempo de antena. Não sei se mantém, mas era até há bem pouco tempo o que tinha o maior índice de escolarização do país, com muito poder económico, basta ver as empresas que por lá têm sede.

Comments

  1. correcção: o joio e o joio.

  2. corrupiocorrupto says:

    Imagine uma lei que permitisse um pedófilo julgado e condenado, a trabalhar numa escolar depois de cumprida a pena.
    Ou um polícia codenado e julgado por corrupção, voltar a vestir a farda depois de cumprida a pena.

    Agora substitua pedófilo ou polícia por político.

    • Nascimento says:

      Belo raciocínio.Acontece que é miserável.Acontece que é demagogo e Fascista.E quem gosta deste tipo de raciocínio e vota nele não passa de um ou uma merda.Queres comparar tudo e meter tudo no mesmo Saco?A Democracia para ti meu merdoso vale quanto?Olha pela primeira vez estou totalmente de acordo com o Autor da Posta.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Não é, de todo, a mesma coisa. Se o cidadão Isaltino voltasse a ser elkeito era porque uma maioria de cidadãos, no pleno gozo dos seus direitos 9e não se trata propriamente de pessoas incultas ou ignorantes) voltariam a escolhê-lo para presidir aosdestinos da autarquia.
      No caso do pedófilo julgado e condenado, estamos a falar de comportamentos psicóticos, cuja domínio é muito difícil, senão mesmo impossível (por isso um alcoólico não pode beber nunca, e um jogador não pode aproximar-se saequer duma mesa de jogo).
      Que eu saiba, um eventual crime de peculato, ou corrupção, tráfico de influência, abuso de confiança ou o que quer que seja por que ele tenha sido condenado, não caem na mesma esfera de comportamentos.
      Além disso, e volto a frizar, ele só seria empossado se viesse a ser eleito niovamente, e aí a responsabilidade caberia por inteiro a quem o tivesse elegido (que teria de ser uma maioria).
      A democracia não é só para o que interessa. É uma escolha, para o bem e para o mal.

  3. doorstep says:

    O isaltino e o ex-amigo dele são o que se sabe…

    Grave, gravíssima, é a “desenvoltura” do juiz, que, não se iludam, tem exclusivamente a ver com a cultura do “quero, posso e mando” que desde os anos 80 vem poluindo as magistraturas.

    E se – excepcionalmente! – se tratar de um “descuido”, o dito deverá ser corrido por ignaro, pois é um perigo público.

  4. :) :) :) says:

    Pois olhem…!
    Há putas que deram em Santas. Eça é que é Eça….

  5. Rui Naldinho says:

    Bom artigo, António Almeida.
    A isso chama-se democracia!
    E é nestas pequenas coisas ás vezes tão banais, que vemos quem olha e vive democracia com todas as suas virtudes e defeitos, mesmo que por vezes nos custe engolir certas coisas, e quem acha que há uns indivíduos com mais direitos do que os outros.

  6. Luís Neves says:

    Foi o único autarca corrupto neste país? O mais corrupto deles todos? Porque é que o prenderam só por uns trocados?

  7. José Peralta says:

    António de Almeida

    http://www.dn.pt/portugal/interior/juiz-esolheu-estar-de-turno-em-oeiras-para-fiscalizar-processo-eleitoral-8698088.html

    Embora creia estar do “lado oposto” das suas opções políticas, estou totalmente de acordo com o seu texto !

    O facto de o advogado ser afilhado de casamento do anterior autarca, o pedido expresso para estar de turno na ocasião da apresentação da lista de Isaltino, por “ser perto da sua residência”, parece, e repito, PARECE que uma determinada intenção, era óbvia !

    O inquérito a que parece estar sujeito, talvez traga alguma luz a este caso.

    Quanto a um pedido de escusa, penso não ter lugar, salvo melhor e mais competente opinião, porque o juíz não foi nomeado, antes fez um pedido expresso para o turno naquela data, com uma aparente intenção !

  8. Ah e tal os juízes, os autarcas e todos… Não há mesmo bom senso…Umas canalhadas que se curavam com umas bordoadas.
    Não aprecio muitas das condutas do Sr. Alberto João Jardim,mas ele tem razão quando diz que é preciso mudar o regime. Esse novo regime deveria impedir este tipo de canalhadas.
    Blá, blá, blá, blá, blá os incêndios e as causas naturais (hi,hi,hi) e os teatros de operações (hi hi, hi).Falta muito ainda para arder ?. Estou expectante quando às cheias e mais cheias…E a culpa é dos incêndios (hi,hi). Há muita miséria mental entre nós.

  9. :) :) :) says:

    Quanto a incêndios, estamos conversados.
    É só perguntar a quem aproveita o crime?
    E a quem é que aproveita?
    Tá-se mesmo a ver não tá-se?

  10. Sim, parece-me que na lista estão aqueles que falam em “teatro de operações”.

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