Plastificados


As notícias são assim:

– Oceanos transformados em lixeiras: tapetes de lixo do tamanho da Europa Central flutuam à deriva na superfície marinha. 70 por cento do lixo que flutua nos oceanos é de plástico. Além de horríveis, estes tapetes de lixo são armadilhas mortais para os animais e perigosos para as pessoas.

– A nível mundial, anualmente um milhão de pássaros e 100.000 mamíferos marinhos sucumbem devido ao plástico nos oceanos. Os animais ficam enredados em restos de plástico, confundem os plásticos com alimentos e acabam por morrer à fome com o estômago cheio de lixo indigerível ou miseravelmente asfixiados.

– A continuarmos assim, em 2050 haverá no mar mais plásticos do que peixes.

– Andamos a temperar a comida com sal que contém microplásticos. Um estudo analisou 17 amostras de sal de mesa vendido em oito países (incluindo Portugal) e confirmou contaminação com microplásticos. Uma das três amostras portuguesas testadas atingiu o máximo observado com dez microplásticos por quilo de sal. 

Notícias que meramente lemos, sem extrapolarmos o seu significado para o nosso quotidiano, ou seja, sem atentarmos a não comprar produtos em embalagens não reutilizáveis, sem confrontarmos os supermercados com o uso de plásticos para legumes e frutas, sem fazermos em casa a separação de embalagens de plástico para o lixo reciclável, sem exigirmos dos governos e supermercados que sejam banidas as garrafas de plástico não reutilizáveis – ou que, pelo menos, passem a ter depósito obrigatório -, que TODOS os sacos de plástico tenham um custo e ainda a proibição de microplásticos em cosméticos e detergentes.

Pelo rumo que isto leva, se não for, por exemplo, a troca de galhardetes sobre armas nucleares de dois perturbados mentais em serviço, há-de ser o capitalismo selvagem por via dos grandes lobbies, de políticos interesseiros e de povos amorfos que destruirá as legítimas aspirações das gerações vindouras a desfrutarem da beleza e sanidade deste planeta.

—————————————-

  • Nas próximas semanas, a Comissão Europeia vai delinear uma nova estratégia sobre plásticos; pode assinar uma petição dirigida à CE apelando a objectivos ambiciosos aqui: https://act.wemove.eu/campaigns/residuos-plasticos
  • No seu dia-a-dia, evite o plástico e relembre a outros essa necessidade.

Comments

  1. Mais uma vez “O fim da Humanidade” por causa do capitalismo…
    Enfim…

    Rui SIlva

    • Fernando Antunes says:

      Mais uma vez, Rui Silva a marimbar-se para a Humanidade, esses malditos comunas…

    • Paulo Marques says:

      O fim da humanidade? Onde foi buscar isso? A humanidade sobrevive, não continua é saudável porque isso não dá lucro. E se tiverem que morrer um milhões, a culpa é deles, não fossem pobres e comprassem boa comida.

  2. Ana Moreno, é ainda mais assustador e inquietante, veja o que diz este especialista do mar, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, neste assuntar de qualidade deste programa, repare no que ele diz ao minuto 20 ! … : O

    https://www.rtp.pt/play/p2983/tudo-e-economia

    • Ana Moreno says:

      Muito obrigada, Isabela, pela indicação. “As pessoas contribuem voluntariamente para a plastificação do mar”. “O plástico já faz parte da composição bioquímica do mar”, etc.
      Só é pena que esta fundação se fique pela “educação das pessoas”, não chega. É exigir fortemente dos governos as devidas medidas – mas isso é mais conflituoso…

      • Sim, Ana, concordo.
        Exigir fortemente dos governos medidas rigorosas para as autarquias, empresas e até pessoas cumprirem obrigatoriamente ! com carácter de urgência, por isso a informação/divulgação/ educação/ sensibilização e participação activa dos cidadãos !
        E este vídeo que a Quercus me enviou dói demais ;

        • Ana Moreno says:

          Mais uma vez obrigada, Isabela! É simplesmente como diz, dói demais. Dá vontade de passar o filme à entrada de todos os supermercados e em todas as escolas, a ver se alguns acordam.

  3. Luís Lavoura says:

    Se o sal marinho contem microplásticos, então talvez o melhor seja passarmos a consumir sal-gema, como o que é extraído em Rio Maior…

  4. Luís Lavoura says:

    Eu diria que é uma disparate evitar usar sacos de plástico para legumes e frutas. As alternativas são bem piores.
    O problema, parece-me, não é a utilização de plásticos para estes fins, mas sim a sua utilização para fins bem menos nobres como, por exemplo, para copos e talheres.
    Os sacos que se usam para legumes e frutas podem, em Lisboa ou Porto, ser colocados no lixo normal, que vão para a incineradoras que os queimam. Não têm nada que ir parar ao mar.

    • Isso não interessa para nada, o que interessa é ameaçar a populaça com a catástrofe, para a proibição se tornar “normal” , e a cada proibição mais justificada ficará a próxima. A proibição tornar-se-a banal e bem aceite pelo comum mortal, pois é para o bem comum, o que nos conduz ao bem maior, ao totalitarismo da sociedade boa, controlada pelos nosso Irmão Maior que apenas quer o nosso bem.

      Rui Silva

  5. Ana Moreno says:

    Isto que escreve em cima é cinismo ou ignorância, Luís Lavoura?
    1- Há diversas variedades de plástico, cuja combustão origina diversos produtos tóxicos. Há casos em que a queima de plástico liberta cloro e deixa metais pesados nas cinzas, que podem contaminar as águas subterrâneas. Para já não dizer que ainda existem muitas lixeiras a céu aberto. Além disso, a maior parte dos plásticos são produzidos a partir do petróleo, que também é um recurso fóssil limitado, pelo que o que há a fazer é reciclar e não queimar.
    2- “Eu diria que é uma disparate evitar usar sacos de plástico para legumes e frutas. As alternativas são bem piores.“
    – O uso de sacos de papel reciclado é ecologicamente bem melhor, não há dúvidas sobre isso.
    3- „Os sacos que se usam para legumes e frutas podem, em Lisboa ou Porto, ser colocados no lixo normal, que vão para a incineradoras que os queimam. (ver acima)
    4- „Não têm nada que ir parar ao mar. „
    – Não têm, mas vão. Basta que meia dúzia vão parar ao mar e lá ficam para matar animais e contaminar o mar.
    Era necessário que aprendessemos a usar recursos de forma comedida e sustentável, em vez de manter o espírito de gasto e desperdício acima das possibilidades do planeta. Mas como em tudo, há sempre quem se esteja nas tintas, sob o lema, “depois de mim, o dilúvio”.

    • O uso de sacos de papel reciclado é ecologicamente bem melhor, não há dúvidas sobre isso?

      Produção Papel (1000 sacos) :
      Energia ………..: 2622 Mj
      Emissão CO2 : 0.02 Equiv. Ton.
      Consumo de Agua : 3500 l
      Produção Plastico (1000 sacos)
      Energia…………: 763 Mj
      Emissão CO2 : 0.08 Equiv. Ton.
      Consumo Agua : 220 l

      Para agravar:
      A energia consumida na reciclagem do papel é 91 vezes maior que a energia consumida na reciclagem do plástico.

      Mas prontos a inverdade desculpa-se porque é para bem do povo.

      ah, já me esquecia , o saco plástico é reutilizado 3 vezes mais que o saco de papel.

      Rui Silva

    • Luís Lavoura says:

      1) Usar sacos de papel para pôr comida é um disparate. Os sacos de papel ficam sujos e não podem depois ser reciclados nem, sequer, reutilizados. É papel que é utilizado uma só vez e se estraga. Pelo contrário, os sacos de plástico podem ser lavados e reutilizados.
      2) Os sacos de plástico só vão parar ao mar se quem os utiliza não tiver cuidado. Pelo que, a recomendação a dar não é “não use sacos de plástico” mas sim “deite os sacos de plástico para o lixo de forma responsável, não os abandone”.
      3) Os sacos de plástico não contêm cloro. O único plástico que contem cloro é o PVC, o qual não é utilizado para sacos de plástico. Queimar um saco de plástico não liberta produtos especialmente nocivos.
      4) Os plásticos são de facto produzidos a partir de petróleo ou gás natural, mas o destino do petróleo e do gás natural é sempre serem queimados. Não faz mal que, antes de o serem, o petróleo e o gás natural sirvam para fazer plásticos. E, se a Ana está muito preocupada com o consumo do petróleo, preocupe-se sobretudo com o gasóleo que as pessoas queimam nos seus carros.

      • Ana Moreno says:

        Lamento mas não lhe dou mais trela. E continue a queimar muito plástico, se quer dar cabo da saúde; aliás, basta deixar uma garrafa de plástico com água ao sol e depois beber a água, também faz bem.

  6. Luís Lavoura says:

    Eu na minha casa na aldeia tenho uma salamandra para me aquecer no inverno. Queimo nessa salamandra lenha, mas também ponho nela os sacos de plástico que uso. Não vejo qualquer problema nisso. Uma salamandra queima as coisas de forma especialmente completa, evitando muitos poluentes. E o destino alternativo do petróleo que está nos sacos de plástico é sempre, de uma forma ou outra, ser queimado.

    • Caro Luis Lavoura,
      A queima do plástico não é boa alternativa, pois pode realmente libertar substancias perigosas uma vez que a sua salamandra não está equipada com filtros adequados. A melhor alternativa é a reciclagem. Nessa circunstancia (reciclagem) o uso das sacas plásticas é sem dúvida nenhuma menos nociva que as sacas de papel.

      Rui Silva

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