Os alemães não são parvos…

Por agora irão estabelecer acordos e promover a paz social na Auto-Europa, há que rentabilizar o investimento nas linhas de montagem do T-Roc. Novos projectos, a começar já pelo descapotável, serão desviados para outras paragens, longe de bloquistas, comunistas, Arménios e outros parasitas…

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    De facto, eu concordo consigo. Os alemães não são parvos. Nunca foram. E sabem muito bem fazer contas. Mas para nossa sorte, as contas que o António está a fazer nada têm a ver com as contas deles.
    Por exemplo. O VW Golf não foi produzido em Portugal apesar de ter um custo de produção superior em cerca de 1000,00€/unidade, pelo facto de ser produzido na Alemanha. Mas ainda assim a marca acabou a produzir o modelo na terra mãe. E qual a razão? A VW é uma empresa mista de capitais públicos e privados. Não pode fazer as coisas de tal forma que um dia destes tínhamos uma empresa com capitais do Estado Alemão a produzir só carros no exterior. A VW faz o Polo na Catalunha, em parceria com a Seat, e outros tantos modelos como o Skoda, na República Checa, modelos exclusivos no Brazil, na China, etc.
    A VW manter-se-á em Portugal enquanto a relação preço qualidade lhes for favorável. Sempre foi assim, e assim continuará.

    • António de Almeida says:

      Se ainda percebo um pouco da indústria automóvel, para a qual deixei de trabalhar em 1989, por enquanto há que rentabilizar investimento ou minimizar prejuízo… O T-Roc será produzido em Palmela, a Auto-Europa irá durar enquanto o modelo vender. Depois, a conversa será outra.

      • ZE LOPES says:

        Há quem ponha a hipótese de a administração da Auto-Europa, disfarçadamente, mandar meter as linhas de montagem em caixas de cartão e enviá-las para a Alemanha .
        O que vale é que já não há correios, Senão estavamos lixados!

      • Xavi Lou says:

        Exacto, as imposições feitas pela AE – desregulação de horários, abaixamento dos pagamentos – são para compensar as multas que sofreu por ter mentido nos testes de emissões poluentes. Alguém tem de pagar as asneiras da volkswagen.

      • Pedro says:

        Trabalhou para a indústria automóvel? É pá, um expert, isso dá jeito para o que quero saber. Quais são as condições dadas aos trabalhadores da industrial automóvel na Alemanha, sobretudo na Volkswagen?

    • Jorge Evaristo says:

      Eu até acho bem que a fábrica feche.
      Capitalistas alemães fora de Portugal,
      já!


  2. Se calhar vão produzi-lo para a zona de Coimbra, onde se sabe o que é o respeitinho…

  3. Paulo Marques says:

    Saem, porquê? Os impostos são baixos (e isso também não conta para uma multinacional), os ordenados uma miséria e os despedimentos uma ninharia. Melhor, só na Tunísia, com o governo alemão a fornecer as armas a usar contra os manifestantes.
    E o país ganha o quê, exactamente? Um lugar de destaque na corrida para o fundo? Um modelo empresarial a duplicar para cortar os ordenados e o tempo de descanso necessário para famílias estáveis, de forma a cumprir o empobrecimento permanente como exigido pela eurolândia?

    Se não parvos, porque é que nem a manutenção das pontes pagam? Porque é que não acertam um previsão económica? O AA tava bem era no séc XIX, a trabalhar desde os 5 na fábrica.


  4. Sem cair no insulto soez (imitando o texto em apreço), o mínimo que poderei dizer é que este post revela uma confrangedora falta de sensibilidade social e de sentido da história do autor. O progresso social nunca se fez regredindo a padrões de exploração da mão-de-obra típicos do passado, e, se é preciso prescindir da preciosa ajuda ao nosso desenvolvimento vinda dessas ou de quaisquer “outras paragens”, pois que seja – fiquemos mais pobres, pelo lado do ter económico, mais ricos pelo lado do ser civilizacional. A solução não passa por aceitar todas as condições que a gula do capital aqui pretende impor, mas sim por lhe retirar a possibilidade de as impor “noutras paragens”. O que depende grandemente de haver, em todas as “outras paragens”, forças que não se verguem aos desígnios de quem subordina os interesses do homem aos interesses do lucro ‒ esse, sim, parasita genuíno.

  5. ZE LOPES says:

    É uma pena que os partidos ditos “responsáveis” e que pregam “responsabilidade” (digo, subserviência) aos trabalhadores da Auto-Europa não tenham implantação lá na empresa. Não há trabalhadores do CDS e do PSD? Porque será?

    E porque razão a própria área da UGT não consegue ter respresentantes na Comissão de Trabalhadores?

    A D. Cristas, em vez de andar a ajudar a espalhar a narrativa de tudo não passar de uma “guerra entre bloquistas e PCPs” devia era interrogar-se sobre a razão de não haver nenhuma guerra entre CDSs a favor (já agora – de quê?) e os que estão “contra”…

    Será que os trabalhadores foram todos recrutados na Soeiro Pereira Gomes e na Rua da Palma?

    E o que tem constado, aliás, é que a Comissão de Trabalhadores aprovou por unanimidade uma proposta de acordo que os trabalhadores…regeitaram!

    Sr. Almeida: eu não sei o que V. Exa. faz na vida, mas pergunto-lhe se estaria assim, de bom grado, disposto a fazer turnos noturnos e aos fins de semana durante meses a fio só para que haja promessas de investimentos futuros que ninguém garante. O “descapotável” será produzido aqui se convier, ou noutro sítio se lhes for mais favorável, tal como escreve o Rui naldinho. O resto são tretas.

    Na Alemanha os trabalhadores do setor automóvel foram aumentados em 6% e a semana de trabalho foi diminuída entre duas a quatro horas. Há trabalhadores que passarão a trabalhar 28 horas por semana! Fruto de um acordo com a central sindical IGMetal. Acha que a indústria vai desaparecer? Não. Porque os alemães não são burros e o Estado fará valer o seu poder de acionista (os sindicatos também o são, o que não acontece cá).

    Mais uma vez V. Exa. nos brinda com conversa de tasca à hora do fecho. As coisas não são assim tão lineares como V. Exa. as pinta. Informe-se e pense!

  6. ZE LOPES says:

    Aliás, a Wolkswagen tem muitas outras unidades a deslocalizar. Em Bratislava houve mesmo greves a sério, durante vários dias. Devem ter sido os bloquistas e os comunistas eslovacos em guerra.

    Só que próprio primeiro-ministro, o social-democrata Robert Fico, veio apoiar as razões dos grevistas: «Por que razão uma companhia que constrói os carros mais dispendiosos e luxuosos, com um alto nível de produtividade, paga aos operários eslovacos metade ou um terço do que paga aos mesmos operários na Europa Ocidental?», questionou o Sr. Fico.

    Para aqui, certamente, aplicando a “Teoria de Almeyda” o “descapotável” já não vai.

    Para a China? Não compensa! Depois de uma onda de greves os salários subiram para um nível já muito próximo do europeu e Norte americano. A diferença começou a ser “comida” pelos transportes.
    Para onde irá o “descapotável”? Aceitam-se apostas!

  7. ZE LOPES says:

    Aconselho vivamente este muito recente artigo:

    http://expresso.sapo.pt/economia/2018-01-27-Industria-automovel-expansao-esbarra-na-mao-de-obra

    Mais um golpe na “Teoria de Almeyda”! Muita coisa mudou desde 1989…

  8. Paulek says:

    Então não vivemos no pais em que um grande empresário disse que mais vale meio ordenado do que ordenado nenhum? Ai se a moda dos contactos a meio tempo pega mesmo! Trabalho a tempo inteiro com contrato a meio tempo, os 20 euros vêm por fora porque são mais barato ao patrão, não é verdade senhor Antônio Almeida? Enfim, como dizia o outro: opiniões!!!

  9. Paulek says:

    Contratos… Que saem mais baratos ao patrão, cujo objectivo é ganhar dinheiro

  10. Areia para os olhos says:

    Sabe-se sempre ao que vens, ó Tó.

  11. ganda nóia says:

    os alemães não são parvos. são negreiros, talvez. parvo é quem escreve uma estupidez destas. que gosta de negreiros. e da escravatura.

  12. ZE LOPES says:

    Esqueci-me ontem de acrescentar uma coisita: o Sr. Almeida debita, pelo meio de umas bojardas de antiesquerdismo de segunda categoria, umas tiradas a atirar para o liberal. Ou seja, é liberal, mas só ás segundas, quartas e sextas, como é bom de ver.

    É liberal, mas está mortinho, como outros que por aí andam, para que o Estado intervenha a pôr os trabalhadores “na linha”.

    E eu que pensava que o Estado não devia intervir e tal, já que se trata de contratos e tal, um encontro entre vontades autónomas e tal, e onde os trabalhadores até podem achar e tal, que as condições não lhes interessam e tal e vão trabalhar para outro lado e tal, onde sejam pagos como deve ser e tenham condições de trabalho e tal. E não são obrigados a sacrificar-se e tal, para que a fábrica e tal se mantenha por cá e tal, até porque ninguém o garante e tal.

    É a “mão invisível” e tal, as leis do mercado a funcionar e tal. Se o Estado se meter nisto vai distorcer o funcionamento do mercado e tal.

    • António de Almeida says:

      É liberal, mas está mortinho, como outros que por aí andam, para que o Estado intervenha a pôr os trabalhadores “na linha”.

      Impressionante como consegue ler o que não escrevi. Estado? Vade retro…

      • Fernando says:

        O António não é liberal, é ainda mais radical, é aquilo que é conhecido como libertário nos EUA.

        O “mercado livre” e coisa e tal até o dia em que esse “mercado livre” lhes caí em cima e depois é ver os libertários a correr pedir ajuda do Estado…
        Tal como aconteceu com a idolatra de um sádico que esventrou uma criança, a hipócrita Ayn Rand, quando precisou, não dispensou a ajuda do Estado…

      • ZE LOPES says:

        Não escreveu, mas a gente adivinha. Tal como V. Exa.adivinhou o pensamento dos alemães. Ou eles também já escreveram qualquer coisa como “vamos lá dar uns carcanhóis aos trabalhadores e passar-lhes a mal pelo pelinnho e tal, porque senão eles fazem greves e tal, e dão-nos cabo do nosso investimentozinho e tal. Assim vão trabalhar que nem uns desalmadinhos e tal e quando o T-Roc já estiver em saldos nos “outlets” e tal, a gente vai para Marrocos e tal, que eles são humildes e tal, trabalham a troco de uns camelos e tal, e os portugueses que fiquem cá e tal a espumar de raiva e tal e a comer bacalhau e tal.Hi!hi!hi! e tal”.

      • ZE LOPES says:

        “vade retro” até que tenha algum azar na vida. Por exemplo, uma doença “difícil”. Nessa altura também o quero ver a esconjurar os que lhe financiarem as consultas e a quimioterapia.

  13. A.Silva says:

    Que pena os operários da Autoeuropa não serem como o grunho do António de Almeida, seria a paz social, tão paz como o ambiente nos cemitérios…


  14. De facto os alemães não têm nada de parvo.
    Veja-se o caso dos trabalhadores alemães do sector automóvel.
    Conseguiram um aumento salarial de 4.3% e uma carga horária semanal de 28 horas.

    Dos portugueses não posso dizer o mesmo. Por não se quererem deixar explorar, os trabalhadores tugas são tratados como lesa-pátria, porque se diz que VW se vai embora amuada e leva 1.5% do PIB com ela.

    https://www.rtp.pt/noticias/economia/metalurgicos-alemaes-asseguram-semana-de-28-horas_n1056929

    • ZE LOPES says:

      Segundo percebi numa peça que li noutro lugar, esse aumento é só o começo. Porque para o ano há mais! Daí os 6% que citei noutro post, e que penso que é ainda mais umas décimas. Penso também ter lido que a semana de 28 horas, que é transitória para alguns trabalhadores, passaria a ser regra para trabalhadores com filhos pequenos ou deficientes e idosos a seu cargo.

      Tudo isto negociado pelos, na “Teoria de Almeyda”, “parasitas” do IGMetal.

      Realmente os alemães não são burros!

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