História miudinha


Ele estava doente. Não se alarmou. De imediato, pôs em acção os melhores recursos terapêuticos. Fez-se tratar pelos melhores biomagnetistas, evocou a energia universal com a prática intensiva de reiki, tomou cápsulas de extracto de barbatana de tubarão, rabos de lagartixa liofilizados e pó de bigodes de tigre de Bengala que é, como se sabe, o mais eficaz. Tudo em doses homeopáticas, claro. Queimou incenso. E tencionava, até, tomar cogumelo do tempo para rejuvenescer não fora o caso de, entretanto, ter morrido. E foi então que, pela primeira vez, foi ao médico. Sujeitar-se à respectiva autópsia.

[imagem: Animation Over Frozen Frame – Dr. Seuss]

Comments

  1. DN Viseu says:

    O melhor resumo que li sobre este assunto. Tenho para mim que isto até é simples. Basta pensar na terapia alternativa mais estúpida que possam imaginar. Procurar na INTERNET e confirmar que no dr google tb é sugerida. No mather what. No mather who. Está na net. Vi na net. E de repente, um dos maiores instrumentos para o acesso ao conhecimento, transformou se pouco depois de nascer no maior instigador de estupidez a escala global. É a natureza humana e se calhar sempre nos iludamos sobre a sua ânsia e sede de evolução.


  2. Resultado da autópsia:“Negligência médica”.

  3. sns alterno é mais barato i cura says:

    Mau,mau
    Tô a ver qué contra as alternancias.Nao renegue o qe nao conhece.E porqéqe nao invucou o deitador de busios,o bruxo
    davintes e a tarola? eim? Descreminação


  4. ….este ortografia em que cada palavra escrita é uma borrada é propositada para gozar com a malta ou ignorância mesmo ?

    Quero crer que é só para a gente se rir , já que o tom deste assuntar assim o permite : (

  5. Paulo Marques says:

    Quer dizer, antes ir ao médico que não ir (o suicida Jobs que o diga), mas às vezes acertam o mesmo.

  6. Bento Caeiro says:

    Razão e pensamento não são sinónimos de informação.
    Tratam e mexem nesta, mas como esta não possui toda a mesma qualidade e validade, daí a necessidade de, por aqueles, se avalie a qualidade e validade da informação. Obviamente, que terá mais força a razão e o pensamento que assente sobre mais e melhor informação. O homem, enquanto tal, já defendeu de tudo e o seu contrário. Mas, não sendo por causa disto que vamos contra a procura e a experimentação, a verdade é que em determinados momentos e para certas áreas do conhecimento, não se justificam a permanência de determinados tipos de atitudes e procedimentos. No momento actual, pergunto, será saudável – para não dizer mais nada – que alguém ande a gastar recursos para provar que a Terra não é redonda (ou melhor, dito) arredondada? Claro que tal não parece razoável, mas acontece e o mesmo se passa em muitas outras áreas. No que respeita as áreas como a saúde é onde tal comportamento mais se verifica – pela simples e crucial razão: as pessoas sofrem e estão em dor – física e psíquica (veja-se o caso das bruxas e videntes) e o mundo que vai aí em redor deste negócio – precisamente, por ser um grande negócio; onde até entram as seitas para explorar os mais ingénuos (ou sofredores). Também, como é óbvio, certo tipo de medicina e a indústria farmacêutica.
    Neste, como em muitos domínios, a culpa não morre solteira – diria, até, que estamos perante uma prostituta debochada.

  7. whale project says:

    O suicida jobs podia ter muitos defeitos, como a prepotência, a tendência ditatorial, o verdadeiro reinado de terror instalado nas empresas que geria. Mas quanto á escolha que fez quando se viu afectado por um cancro de pâncreas, quem nunca pssou por tal escolha que cale o bico. A taxa de mortalidade por cancro de pâncreas é altíssima, os casos de cura contam-se pelos dedos de uma só mão. Se o homem escolheu não ser mutilado nem frito pela quimioterapia, para acabar morrendo na mesma, como aconteceu a outros famosos, como o Pavarotti ou o Patrick Swayze, que fizeram a escolha contrária e nem por isso duraram mais tempo, é uma escolha que tem de ser respeitada. Ante a perspectiva de morte praticamente certa fez uma escolha que só a ele disse respeito e com a qual ninguém, no conforto do seu sofá e ainda dono da sua saúde tem nada a ver.
    Pessoalmente, conheço uma criatura que teve de recorrer a uma mezinha para acabar de curar uma gripe e a infecção bacteriana que já estava a desenvolver. Porque tendo seguido a cartilha dos amigos da medicina convencional foi ao médico. E após uma semana cheia de febre e outros sintomas desagradáveis, a grandessíssima carniceira que lhe tocou, e nem foi no SNS, tratou de a medicar para a alergia e que voltasse dali a uma semana caso estivesse pior.
    resultado, tratou de usar uma mezinha muito usada num país de Leste que a sobrinha visitou há uns anos, onde as pessoas têm a certeza implacável que se forem parar ao hospital vão morrer. E como também tinha a certeza que se aquilo evoluisse para coisa mais grave por estar mais uma semana a tomar a medicação errada e fosse parar ao Matadouro de Faro era capaz da coisa não correr nada bem, lá tratou de passar a semana a depenar tudo quanto era cebola lá da casa. Quando a semana passou, já a coisa tinha passado. Quanto aos anti-histamínicos, ainda os aviou mas acabaram por ir para o lixo.
    Atenção, isto não é uma defesa da mezinha caseira. Mas ou temos médicos mais conscientes na medicina convencional ou muita gente vai continuar a acabar como o Jobs, ou pior,mesmo lá indo. Aliás, vejo isso todos os dias aqui por terras do Algarve. E muita gente que até nem acredita em mezinhas caseiras não vai ter mais remédio que ferver cascas de cebola.

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